O roteiro para confundir – Walter Gomes

Ontem, no Palácio da Alvorada, quando o entrevistador do ‘Jornal Nacional’, da TV Globo, concluiu a primeira pergunta à presidente…

Ontem, no Palácio da Alvorada, quando o entrevistador do ‘Jornal Nacional’, da TV Globo, concluiu a primeira pergunta à presidente da República, imagina-se que grande parte do público já não se lembrava, com precisão, do que lhe fora formulado.

Se William Bonner foi prolixo ao interrogar, Dilma Rousseff, de pouca habilidade na comunicação, desandou. Falou, mas não se explicou. É notória a incompatibilidade da governante para reproduzir seu pensamento em palavras.

E quando o jornalista levantou a questão de ilícitos cometidos por figurões do PT – e outros nem tanto -, a senhora Rousseff confundiu alhos com bugalhos. O mesmo se verificou na pauta da economia e da saúde. “Ela fala, mas não diz”, observou congressista do PMDB que assistiu ao programa na sala onde funciona o birô da coluna.

Que haja tempo certo para o candidato responder, nada a criticar. Mas, quem administra o prazo com toque de tirania, deve também ser objetivo no questionamento. Não é isso o que ocorre com a dupla da mesa do telejornal. Aliás, além da cobrança para o cumprimento rígido do horário, os dois ensaiam o papel de advogado na tribuna da acusação.

Hoje, a ‘vítima’ é Everaldo Pereira, representante do PSC (Partido Social Cristão) na campanha presidencial. Ele é profissional da pregação evangélica com permanente sorriso de complacência.

 

Passeio nas urnas

Em São Paulo, o PSDB é o senhor do voto.

Desde 1994, a social-democracia se hospeda no Palácio dos Bandeirantes. São, portanto, 20 anos divididos em cinco mandatos.

Do jeito que segue a campanha para governador, Geraldo Alckmin (foto) se reelege em outubro. Será o quarto mandato do médico de 61 anos nascido em Pindamonhangaba, município paulista onde foi vereador e prefeito.

Paulo Skaf (PMDB), principal adversário do tucano no momento, partiu bem. Agora, dá demonstração de fadiga.

A vitória pode ser comemorada no primeiro turno, desde que Alexandre Padilha, representante do PT, não se restabeleça da subnutrição eleitoral.

Há mais: os candidatos nanicos não colaboram para levar o embate à segunda fase.

 

Área de consenso

Uma observação que confirma as previsões técnicas.

No pleito em que o troféu do vitorioso é a faixa de presidente da República, o segundo turno era possibilidade real.

Agora, trata-se de uma certeza aritmética.

 

Leitura Dinâmica

– No Rio Grande do Norte, Henrique Eduardo Alves lidera duas pesquisas opostas. Seria eleito governador fosse hoje a votação e é o mais rejeitado entre os aspirantes à sucessão de Rosalba Ciarlini.

– Quinta-feira, Aécio Neves viaja ao Rio Grande do Norte. Visita Natal e, em seguida, segue para Pombal, na Paraíba.

– Com a economia em ritmo lento, o mercado reduz para 0,79% o crescimento do PIB, neste exercício fiscal.

– Sábado, Dilma Rousseff vai ao Rio Grande do Sul. Cumpre agenda na capital e, dependendo de confirmação, desfila em cidades da área metropolitana de Porto Alegre. No estado, ela lidera as intenções de voto.

– O Banco Central divulga, sexta-feira, o relatório das contas externas da República Surrealista dos Trópicos. Refere-se a contabilidade ao mês de julho.

– Márlon Reis, juiz do grupo de idealizadores da Lei da Ficha Limpa, autografa sábado, na Bienal do Livro, em São Paulo, ‘O Nobre Deputado’. A obra de ficção tem muito a ver com a realidade. No enredo, um parlamentar se dispõe a revelar transas da corrupção eleitoral.

– Dia 26, uma terça-feira de lua nova, a Band, rede de rádio e tevê, realiza debate com candidatos à Presidência da República.

– Para refletir: “Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo” (Abraham Lincoln, político estadunidense).

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