O santo de Natal

Uma alma boa, Senhor Redator, dessas que nem sempre a gente encontra nas ruas profanas e nos púlpitos de Deus,…

Uma alma boa, Senhor Redator, dessas que nem sempre a gente encontra nas ruas profanas e nos púlpitos de Deus, fez chegar a este cronista uma foto do Cônego José Mário de Medeiros, confrade da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Ele com as vestes de ‘Protonotário apostólico ad instar’, elevado que foi a tal nobiliarquia para ser, nesta velha freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, o postulador da causa dos santos a quem o milagre da fé julgar ser merecedor neste mundo de meu Deus.

Seria simples se ao Protonotário não coubesse, na velhíssima simbologia do Direito Canônico, não só o título e as vestes, mas também os símbolos dos que postulam e rogam a unção divina acima das coisas materiais: o anel que representa a fidelidade ao Papa e ao povo de Deus; a mitra, o ‘habillé’ que simboliza o poder espiritual e é adornada pelo detalhe da púrpura como sinal de nobreza; e a cruz peitoral que remonta a uma tradição do século XIII e anuncia o mistério da paixão e morte de Cristo.

Homem de alma suntuosa e porte heráldico de sertanejo arcaico, teve o cuidado de aprimorar a sua formação teológica em Roma para uma vida eclesial e plena. O cônego José Mário de Medeiros não é só postulador da canonização dos mártires de Cunhaú e Uruaçu, já ungidos beatos pela Santa Sé, como da beatificação e canonização do padre João Maria Cavalcante de Brito, o Santo de Natal, que só fez o bem aos desvalidos, devorados pela peste da varíola, e a quem cobriu com suas próprias roupas.

Basta lembrar, e não é pouco, que também é o postulador da beatificação e depois canonização de Dom Francisco Expedito Lopes que foi bispo de Garanhuns e morreu assassinado por um padre, no exercício pleno do seu ofício episcopal. Nessa condição, tem o poder de administrar os bens temporais pertencentes à causa. É como Protonotário que o cônego José Mário nomeia os postuladores auxiliares que o ajudam, como na nomeação do escritor Iaperi Araujo que atua pela causa do padre João Maria.

Aliás, nada atesta melhor a santidade de João Maria do que o ensaio de Henrique Castriciano, em 1906, logo após a sua morte. Não retoca o homem puro que ele foi. Ergue-o na grandeza de sua simplicidade que descreve: ‘Sertanejo de estatura comum, de aparência vulgar, os olhos abstratos de quem segue uma dorida visão interior, a tez morena, tostada pelo sol das longas caminhadas em busca das criaturas simples como ele, que mandavam chamar nas horas extremas do desengano e da aflição’.

Convencido de sua singularidade como homem e como uma voz de Deus, Henrique Castriciano despreza as qualificações comuns para vê-lo dotado de uma grande delicadeza humana só possível de encontrar nas mulheres ao se dedicarem às crianças e nos ‘homens de alma feminina’, quando se dedicam aos moribundos. Para Castriciano, Padre João Maria é uma ‘impressionante exceção’, um ser que classifica como ‘genialmente bom’, com ‘a coragem de ser bom’. A bondade, pois, foi sua glória.

 

JUÍZO – I
Desta vez o juízo foi mais forte e o PMDB não cometeu o erro de anunciar seu candidato numa festa alegre do jet, em Jacumã, como foi até anunciado. A ostentação da alegria iria ferir a tristeza do povo.

MAS – II
O PMDB sabe que precisa anunciar até dia 5 de abril. Dia 6 ninguém se desincompatibiliza, no caso, o ministro Garibaldi Filho e o prefeito Carlos Eduardo Alves. O partido perderá seu poder de barganha.

JOGO – III
Isso o PMDB aguarda a resposta formal de Wilma de Faria se aceita ser candidata ao Senado na chapa pemedebista. E Wilma de Faria, por sua vez, ganha tempo para saber o nome do PMDB a governador.

SAÚDE
Há dois desafios que o PT não tem como exibir qualquer vitória de uma mudança para melhor: saúde e segurança. Talvez isto explique o fracasso da segurança no Estado e da saúde na Prefeitura. É o preço.

VERDE
Verde, verdíssima, a túnica de estréia da colunista Hilneth Correia nos alpendres vibrantes de Jacumã ao lado da elegância de Graça Motta, agora ostentando entre os dedos um puro cubano de fumaça azul.

FREVO
Macau prepara, como todos os anos, seu grande carnaval de rua. Dia 31, na AABB da cidade, a festa do Cordão da Fantasia para a valorização do frevo ao som da banda Perfume de Gardênia. Às 22 horas.

FÉRIAS
O ministro Garibaldi Filho fecha as gavetas, em Brasília, dia 30, para alguns dias de férias a partir do dia 31. E começa seu roteiro por Lisboa. Antes de quinze dias voltará ao batente e ao jogo da sucessão.

PAUTA
De hoje até 25, no Ginásio Nélio Dias, na Zona Norte, o espetáculo ‘Casa do Julgamento’, um trabalho interativo que leva aos palcos os temas sociais. Este ano, os efeitos do álcool nos acidentes de trânsito.

ACESSO
Desta quarta até sexta o espetáculo começa às 19 horas, e no último dia, sábado, às 17h, envolvendo cerca de trezentos figurantes no palco. É uma experiência que começou nos Estados Unidos. Em 1983.

BRASIL – I
A edição 100 da Revista de História da Biblioteca Nacional mostra em cem páginas ‘Nós, o povo’ que nasce da mulata parideira no quadro de Carybé, o pintor argentino que adotou a Bahia como sua terra.

ALIÁS – II
A presença de Câmara Cascudo, um dos grandes estudiosos do povo brasileiro, aparece uma única vez na citação da sua História da Alimentação no Brasil. Ele revelou o povo num retrato de corpo inteiro.

HILDA
Toda a beleza encantadora de Hilda Hilst e o encantamento de sua grande poesia nos dez anos de sua morte estão na matéria de capa de Brasileiros. Ela é tema de mini-série nos relatos dos amigos íntimos.

AVISO
O poeta Lívio Oliveira – nas horas vagas ele é procurador da União em nome da sobrevivência – com um novo livro de poemas pronto, prontíssimo e com um belíssimo título: Resma. Sai até final de maio.

POESIA
Da poetisa Nassary Lee, no seu livro Entre Sonhos e Becos, lançado ontem, os dois versos que abrem o poema ‘Desilusão': ‘De que adianta eu te cobrir de ranhuras / se peito e sabão não apagam verduras?

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