O sonho de Palocha – Vicente Serejo

Todo mundo tem sonhos, Senhor Redator. Os homens e os bichos. Dos bichos da literatura o mais bonito e humano…

Todo mundo tem sonhos, Senhor Redator. Os homens e os bichos. Dos bichos da literatura o mais bonito e humano é aquele de Graciliano Ramos quando imagina Baleia, a cachorra de Fabiano, em Vidas Secas, magra e faminta, sonhando com preás gordos. Assim também são os homens. Em Os Bichos, o sono daquele cão é como se Miguel Torga estivesse do lado de dentro dos olhos dele. E, no entanto, lá fora, a vida parece ser tão real no claro-escuro do abrir e fechar de suas pálpebras.

A morte de Palocha é o fim de um desses belos sonhos. Encontrava com ele, toda semana, no Cantinho Sertanejo. Somos da geração do Grande Ponto, da Praça das Cocadas que chamam de Kennedy, e depois das conversas na Potylivros, na Felipe Camarão. De uns anos para cá, desde que o Rio Grande fechou para sempre sua cortina de veludo grená, seu sonho era um dia tirar na loteria para comprar o velho cinema antes que o derrubassem ou ferissem a fachada com alguma reforma.

Nem lembrava mais que Paulo Francineti da Rocha era o seu nome completo. Pra quê, se ele gostava de ser só Palocha, numa simplicidade sem mágoa? Sabia exercer seu ofício de guardador de lembranças. Era sua grande nobreza, quase invisível, meio escondida naquele seu corpo franzino que parecia flutuar de tão leve. E um humor afiado que raras vezes fugia pelo canto da boca quando era para levar no ridículo as coisas da política, mas tudo sem o gosto amargo das almas frustradas.

Ele sabia que na memória gustativa deste menino de padaria ficara a mania por bolachinhas pequenas e torradas e, como também gostava, fazia sugestões perfeitas. Lembro de uma manhã no Cantinho Sertanejo quando apanhou um pacote de bolachinhas daquelas miúdas, de Jucurutu. E foi dizendo: ‘É da terra de Nélter Queiroz, leve que é boa’. E era. Sabia se a canjica e a pamonha ainda estavam quentes e desconfiava dos malefícios do queijo do sertão com essa história de colesterol.

Sabia tudo de cinema sem aquele pedantismo tolo dos cinéfilos. Principalmente sabia repetir um enredo com toda sua carga emocional, como se também estivesse filmando, quadro a quadro. Sem esquecer os detalhes mais sutis. Era uma verdadeira fruição estética vê-lo contar a história de ‘O Homem que Matou o Facínora’, de John Ford. Descrever a beleza de Hallie, a garçonete do saloon, disputada por John Wayne e James Stewart, numa cidadezinha do velho Oeste americano.

Terça-feira, quando fui ao Cantinho Sertanejo, a notícia da morte de Palocha bateu no rosto como um soco. Dias antes, parecia bem. Veio uma dor no estômago, ele tentou disfarçar, mas era tarde. De sua história, como do seu belo sonho de um dia tirar sozinho na mega-sena para comprar o prédio do Rio Grande, restou um aviso pregado na porta da casinha onde viveu a vida inteira, no número 591 da Av. Afonso Pena. E onde descobri que ele se chamava Paulo Francineti da Rocha.

SINAIS – I

São a cada dia mais claros os sinais de descolamento das candidaturas de Henrique a governador e Wilma a senadora. Evidências que vão dos pactos junto às bases e seus efeitos nos índices de pesquisa.

DESViO – II

Além das especificidades de cada um, pros e contra, o quadro mostra para alguns analistas que teria sido mais eficiente fixar o voto casado como princípio do que abrir a concessão dos acordos separados.

ALIÁS – III

O efeito também já se faz sentir na chapa Robinson-Fátima, onde a candidatura ao Senado avança com mais rapidez do que a candidatura ao governo. E nas algumas pesquisas internas sinais são os mesmos.

TÁTICA

O PT mudou de tática. O jogo bruto é jogado no pequeno documentário que projeta em reuniões com lideranças comunitárias nos bairros. A deputada Fátima Bezerra chega depois para falar das propostas.

MANUAL

Será na segunda-feira, dia primeiro de setembro, na livraria Saraiva, do Midway Mall, o lançamento da sexta edição do Manual Prático das Eleições, de Jarbas Bezerra e Lígia Limeira. A partir das 18h.

PESQUISA

A liderança de apenas 2% da ex-governadora Wilma de Faria sobre Fátima Bezerra agitou os arraiais da política. E hoje tem Ibope que pode causar um frisson ainda maior, segundo as fontes henriquistas.

APOIO

O deputado Kelps Lima, candidato a renovar seu mandato na Assembleia Legislativa, conquistou o apoio do vereador Dickson Jr. Kelps poderá ter uma votação surpreendente na classe média natalense.

ED – I

Ficou bonito o álbum de fotos históricas que documenta os 100 anos da Escola Doméstica organizado por Eulália Barros e Nídia Mesquita, impresso no Senado sob patrocínio dos três senadores do Estado.

RENDA – II

Os exemplares serão vendidos na Escola Doméstica com renda destinada ao Hospital Varela Santiago, o grande benemérito que também presidiu a Liga de Ensino e foi um grande protetor na história da ED.

PRESENÇA

Nísia Floresta, Câmara Cascudo, Dorian Gray e Roberto Silva são presenças do Rio Grande do Norte nas páginas da edição 22 de ‘Le Manoir des Poètes’, a revista francesa dirigida por Maggy de Coster.

DATA

Este setembro que começa segunda-feira que vem, marca no dia 22, os 130 anos de nascimento de José Augusto Bezerra de Medeiros. Nasceu em Caicó, governou o RN e faleceu no Rio, em maio de 1971.

MAIS

Em 1914, há cem anos, nasceu Jota Epifânio, em Nova Cruz. Faleceu em Natal a 31 de dezembro de 1999. Cronista social da Tribuna e funcionário do quadro civil do Ministério da Aeronáutica em Natal.

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