O triste fim de Anderson Silva, 13 anos, drogado, assassinado com vários tiros

Alguns vizinhos não perdoaram o fato de ele ter matado Márcio, conhecido como “Andarinho”, um “homem bom”

Homicídio de adolescente aconteceu no município de Brejo da Madre de Deus. Foto: Divulgação
Homicídio de adolescente aconteceu no município de Brejo da Madre de Deus. Foto: Divulgação

O adolescente Anderson Melo da Silva, 13 anos, teve uma vida curta. Seu corpo está hoje (29) no Instituto de Medicina de Caruaru, no Agreste do estado, a 130 quilômetros do Recife. Jaz sob uma pedra, cravado de tiros disparados por um jovem ainda não identificado, talvez um pouco mais velho do que ele. Anderson faleceu após uma perseguição no bairro onde morava, chamado de Boa Esperança, em Brejo da Madre de Deus, também no interior de Pernambuco. Morreu quase três meses depois de matar, a cadeiradas, Márcio de Lima Oliveira, de 36 anos, numa briga de bar. O “moleque”, como era tratado na comunidade onde vivia com o pai, passou cerca de um mês na Funase de Caruaru. Foi “desinternado” e não teve oportunidade de se “reeducar”. Já tinha visto a mãe ser morta e usava drogas para aguentar o peso pesado da vida.

Anderson Silva – não o lutador de UFC -, foi morto às 18h30 deste sábado (28). Estava andando numa rua do seu bairro, que  além de Boa Esperança também é conhecido como Iraque, aquele país de Saddam Hussein onde a luta é frequente. Percebeu que estava sendo seguido, correu, entrou na casa de um amigo, mas foi alvejado por inúmeras balas dentro de um quarto, sozinho. As duas testemunhas presentes não viram, ou disseram aos policiais que não viram por medo. Não há um nome, portanto, que tenha sido identificado pelo homicídio do “moleque” que matou um homem com quase o triplo de sua idade.

Segundo o agente de polícia Eulinaldo Bezerra de Lima, de Brejo da Madre de Deus, Anderson contou a pessoas próximas que estava sendo jurado de morte. Alguns vizinhos não perdoaram o fato de ele ter matado Márcio, conhecido como “Andarinho”, um “homem bom”, que “não fazia mal a ninguém” na região.

A polícia não sabe estimar em que data a mãe de Anderson, Ivanilda da Silva Melo, faleceu, também assassinada. Mas o filho dela se comportava como uma criança envelhecida. Matou “Andarinho” num bar, depois de ser xingado e desafiado. No depoimento que deu à polícia, em 16 setembro passado, no dia que cometeu o crime, frisou que “Andarinho” o provocou no bar, dizendo que ele não sabia brigar. Ele quis mostrar, então, que sabia, sim, entrar numa luta. Pegou uma cadeira e espancou o desafiante até que ele caísse no chão, desacordado e quase morto. Também o “esganou”, segundo relato de testemunhas. O cara não sobreviveu, mesmo depois de socorrido.

A apreensão de Anderson na Funase, contudo, não durou muito tempo. Em 06 de novembro passado, a juíza Marcyrajara Maria Góes de Arruda autorizou que ele retornasse aos cuidados do pai Anísio Vitorino da Silva, de idade não revelada. Não adiantou. O adolescente teve pouca gente para lamentar sua morte. Estava envolvido em drogas, tinha perdido o ano escolar e estava sem perspectiva de futuro. Morreu tão fácil como matou, lembrando os tempos do olho por olho, dente por dente, que não deveriam mais existir. Matou sem dar chance de defesa e morreu sem ela.

 

 

Fonte: Diário de Pernambuco

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