O Último Romântico

Uma nação apaixonada por futebol explodiu de euforia na tarde de 25 de junho de 1978. Os três gols da…

Uma nação apaixonada por futebol explodiu de euforia na tarde de 25 de junho de 1978. Os três gols da seleção nacional, dois de Kempes e um de Bertoni, na final da Copa do Mundo, coroaram uma espera de meio século, desde a primeira final na Copa de 1930.

Enquanto as multidões tomavam as ruas de todas as cidades da Argentina, duas histórias pessoais começavam uma trajetória de semelhanças e glórias. Um bebê nascia na província de São Fernando e um adolescente sentia a ausência da primeira conquista.

Um dia antes da vitória da Argentina sobre a Holanda, boa parte da imprensa reconheceu que se o técnico César Luis Menotti tivesse contado com o jovem artilheiro Diego Maradona, do Argentinos Juniors, a campanha da seleção teria sido mais fácil.

No mesmo dia, um pai festejava o nascimento de um filho e unia tal dávida ao sentimento de fé pelo título da Copa jogada em casa. Em poucos anos, seu bebê estaria no mesmo time que revelara o jovem Maradona. E de preferência usando a camisa 10.

Foi naquele clima de festa de um povo que Juan Román Riquelme veio ao mundo. Logo seus passos seguiriam um roteiro semelhante ao do rapaz que se tornaria ídolo maior do país. Do juvenil do Argentinos para o mítico Boca Juniors e o poderoso Barcelona.

Estreou no templo da paixão xeneize, La Bombonera, num dia 10, em novembro de 1996, com os mesmos 18 anos que Maradona tinha quando ele nasceu. E um ano depois, o técnico Carlos Bilardo deu-lhe alguns minutos que se tornaram históricos.

Era um superclássico Boca x River, 25 de novembro de 1997, o estádio entupido de fanáticos torcedores que além da emulação do derby foram se despedir de Maradona em sua última partida oficial. Bilardo colocou o garoto Riquelme para substituir o mito.

A vitória por 1 a 0 do River não ofuscou a história que começava ali, com Riquelme sendo eleito o melhor jogador da partida, apesar da difícil missão de ocupar a função do maior camisa 10 em todos os tempos do Boca. Mal sabia que o destino lhe sorria.

O craque que nunca ri, que carrega um semblante digno da melancolia peculiar dos grandes artistas argentinos, sempre atuou como se o gramado fosse um campo gravitacional onde seu estilo repetisse o passado, resgatasse os anos do futebol arte.

Contemplar o passeio lento e os passes longos e precisos de Riquelme é viajar para um tempo de maestros da bola; nele vê-se a consubstanciação em Ademir da Guia, Pedro Rocha, Platini, Bergkamp, Didi e tantos outros que jogaram para a atemporalidade.

Entrou no século XXI como um viajante do tempo, exibindo seu talento de solista num espetáculo de magia remota, como que disposto a não abandonar a velha escola, como na canção do brasileiro Nelson Motta. E iluminando o jogo já que a bola é do azul.

Ao lado de Maradona e Palermo, compõe o trio mais adorado da história recente pelos milhões de torcedores do Boca Juniors. Ganhou o apelido de “eterno dez”, que seria uma desfeita com Diego se a este não fosse consagrado o nome-epígrafe de “D10s”.

Enlevado no romantismo dos seus dribles e assistências o Boca conquistou onze títulos, alguns com momentos gloriosos pela genialidade do líder triste, como o Mundial de 2000 contra os galácticos do Real Madrid, onde ele comandou a vitória por 2 x 1.

Um ano antes, a vítima foi o Barcelona, num amistoso em que Riquelme destruiu a defesa catalã e quase enloqueceu as arquibancadas de Camp Nou. Três anos depois, o time azul-grená foi buscá-lo. Durou pouco no esquema tático e foi para o Villarreal.

No submarino amarelo da região de Valência, seu futebol voltou a tomar o mundo feito Coca-Cola e o tradicional estádio El Madrigal virou seu passeio público. Foram quatro anos de boas apresentações do clube, que encarava todos os rivais com confiança no seu líder. A elegância tímida de Riquelme fez dourada a esperança da torcida amarela.

Voltou para o seu jardim de La Bombonera, lugar sagrado onde é santo e herói, onde se despediu tantas vezes como acontece aos grandes amores que morrem e renascem. Os quatro troféus da Libertadores são como marcas de beijos na alma de cada torcedor.

A vida segue sua trajetória, o velho Boca em altos e baixos, mas o tempo do craque avança em compasso de magia, suas pernas pisam em portais de ontem. Juan Román Riquelme, um poeta da bola, o último romântico dos gramados desse Oceano Atlântico. (AM)

 

Safadeza

É a palavra mais apropriada para o ridículo tombamento do velho hotel Reis Magos pela Fundação José Augusto, a mais inútil repartição do governo do RN, que há muito deveria ter sido fechada e em seu local ser erguido um shopping ou estacionamento.

 

Sem pressa

Wilma de Faria confia piamente nas estatísticas das pesquisas de opinião, sempre confiou. E sabe que no momento, só Garibaldi Filho rivaliza em igual força eleitoral com ela. Por isso vai esperar até 6 de abril para ver quem tem garrafas pra vender.

 

Costuras

Entre os partidos com potenciais candidatos ao governo, o PMDB, o PSD e o PT estão com táticas diametralmente opostas às do PSB. Os três costuram alianças de várias legendas, enquanto o partido de Wilma segue na pisada do “eu sozinha dou conta”.

 

Governadoras

O moto contínuo da política papa-jerimum não é percebido pela maioria dos eleitores. Garibaldi Filho ajudou na eleição de Rosalba Ciarlini explorando o fraco governo de Wilma, e agora vai ajudar a guerreira pelos mesmos motivos e circunstâncias.

 

Henrique

A candidatura de Henrique Alves a governador agora parece definida. Pelo menos de acordo com declaração de Wober Junior (PPS) ao Portal No Ar. O declarante é assessor e amigo do deputado e sua fala é bem diferente de uma notinha de blogueiro.

 

Fernando

Um velho bacurau liga para dizer que o PMDB não fará constrangimento nenhum ao empresário Fernando Bezerra se anunciar outro nome ao governo: “o partido fez só um convite que coube a ele avaliar, não significou ficar à espera da decisão de Fernando”.

 

Vaquinha

As doações financeiras de petistas para os criminosos do mensalão ganharam as páginas internacionais. O Financial Times chamou o esquema de “Papuda little cow”. Ontem, o historiador Marco Antonio Villa disse na TV que doadores também são criminosos.

Livro-bomba

Chegando na marca de 100 mil exemplares vendidos o livro “Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado”, do delegado Romeu Tuma Jr. escrito pelo jornalista Claudio Tognolli, que já está concluindo uma explosiva segunda edição.

 

Assassinatos

Hoje é o dia da grande marcha convocada pela resistência democrática na Venezuela. Estudantes tomarão as ruas em louvor aos amigos mortos pelos milicianos do governo. Protesto e luto por Flia José Mendéz, 17 anos, e Bassil Alejandro da Costa, 24.

 

Canil virtual

Além da horda de fakes defendendo a ditadura da Venezuela no Twitter, há também um plantão diário de esquerdistas postando mentiras nas redes. Anotem alguns: @jprcampos, @pattpaola, @fernandocabral, @Del_Pozzo, @pdralex, @maria_fro.

Compartilhar: