Se cuide: A obesidade é um fator de risco para o desgaste do joelho

Infelizmente, não é surpreendente que as pessoas que estão se submetendo à cirurgia de substituição do joelho estejam acima do peso

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Muito se tem falado sobre os malefícios da obesidade para os pacientes. Praticamente todas as pessoas entendem que existe uma correlação entre doenças cardiovasculares e um índice de massa corpórea elevado. Porém, pouco tem sido comentado a respeito de outros fatores de risco que a obesidade, um dos grandes males da nossa época, traz para as pessoas, como, por exemplo, o desgaste das articulações do quadril e joelho.

Esta é uma história que está se tornando cada vez mais familiar nos consultórios dos ortopedistas. O número anual de cirurgias de prótese de joelho dobrou na última década, principalmente devido a cirurgias em pessoas com menos de 65 anos. Nesta faixa etária, o número de cirurgias de prótese de joelho quase triplicou. Muitos especialistas têm pesquisado os motivos deste aumento. Alguns atribuem o fato ao envelhecimento da população, que está tentando se manter ativa na terceira idade. Outros pesquisadores sugerem fortemente que a obesidade é a razão mais provável para que esta cirurgia seja realizada cada vez mais precocemente nos pacientes.

Os especialistas, em geral, concordam que a obesidade aumenta o risco de osteoartrose, o que leva a um aumento das artroplastias do joelho. Infelizmente, não é surpreendente que as pessoas que estão se submetendo à cirurgia de substituição do joelho estejam acima do peso.

Estatísticas norte-americanas mostram que milhões de pessoas acima dos 50 anos experimentam dor no joelho e no quadril devido à artrose e que, com o tempo, podem se tornar debilitantes. A cada ano, mais de 700.000 adultos com artrose avançada têm que se submeter à cirurgia de substituição de joelho ou de quadril para aliviar a dor e melhorar a função e a mobilidade. Embora a cirurgia de substituição articular total ofereça alívio significativo da dor, o nível da função física e da atividade após a cirurgia varia muito de paciente para paciente.

Como o número de cirurgias de substituição articular total deve crescer significativamente nos próximos 20 anos, tanto para pacientes da terceira idade quanto para pacientes com menos de 65 anos de idade, é fundamental entender o impacto da cirurgia sobre a função e a qualidade de vida. Nesse sentido, desde 2010, a Universidade de Massachusetts desenvolve um estudo, chamado FORCE-TJR, sobre as cirurgias de artroplastia. Esse banco de dados recolhe informações sobre o total de artroplastias de mais de 125 ortopedistas em 22 estados americanos.

Uma análise recente dos dados desse banco revelou que os pacientes mais jovens eram mais propensos a ser obesos do que os pacientes mais velhos. Nos primeiros 9.000 pacientes monitorados pelo estudo, 55% dos pacientes com menos de 65 anos de idade eram obesos em comparação com 43% das pessoas com 65 anos ou mais. Cerca de 11% dos pacientes mais jovens estavam na categoria de obesidade mórbida, com um índice de massa corporal (IMC) maior que 40, em comparação com 5% do grupo mais velho.

Os pesquisadores acreditavam que os pacientes mais jovens estavam optando pela cirurgia prematuramente para preservar um estilo de vida mais ativo. Eles supunham que os pacientes mais jovens tinham menos dor e melhor função que os pacientes mais velhos e que eles estavam fazendo a cirurgia em uma fase mais precoce da doença.

“No entanto, dados do FORCE-TJR mostraram que os pacientes mais jovens tinham os mesmos graus de deficiência e dor no joelho que os pacientes mais velhos. Os pacientes mais jovens tinham a mesma probabilidade de ter outras doenças graves, como diabetes e doença pulmonar, que os pacientes mais velhos, além de serem mais propensos ao tabagismo. Eles eram mais pesados ​​e estavam em piores condições clínicas que os mais idosos”, afirma o ortopedista Caio Gonçalves de Souza (CRM-SP 87.701), médico do Hospital das Clínicas da FMUSP.

A existência de uma forte associação entre obesidade e osteoartrite já era conhecida. O excesso de peso aumenta a pressão sobre as articulações, levando-as ao desgaste. Algumas pesquisas sugerem que a inflamação associada à obesidade contribui para o dano. “O emagrecimento do paciente com osteoartrite leva à uma redução da dor e dos sintomas articulares, sendo portanto parte importante do tratamento nas fases iniciais”, afirma Caio Gonçalves de Souza, que também é professor de Ortopedia da Faculdade de Medicina na Uninove.

“Por causa da obesidade estão surgindo mais casos de artrose em pacientes mais jovens, que chegam a precisar de tratamento cirúrgico mais precocemente, já que os métodos de tratamento conservador não funcionam tão bem com este grupo. A obesidade tem um impacto muito grande na evolução desta doença e é algo que todo ortopedista está tendo que enfrentar agora”, informa o médico.

Além dos danos articulares, muitas vezes, os pacientes obesos têm outros problemas de saúde que aumentam o risco de complicações durante uma eventual cirurgia, tais como diabetes, doenças cardíacas e circulatórias. “Artroplastias de joelho são frequentemente mais complicadas em indivíduos mais pesados​​, que exigem implantes maiores. E o que é pior é que a prótese se desgasta mais rápido, logo tem uma duração menor e é necessário reoperar o paciente para trocá-la mais precocemente”, relata Caio de Souza, que é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, SBOT.

Dados deste novo estudo, FORCE-TJR, apontam que, seis meses após a cirurgia, os pacientes obesos apresentavam melhora da dor e da função articular semelhante aos pacientes que não eram obesos. “Mas o dado preocupante é que os implantes duram cerca de 15 anos e muitos dos pacientes obesos, que são mais jovens, irão necessitar ser reoperados no futuro, talvez mais de uma vez”, observa o ortopedista.

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