Obra de albergue para presos no bairro do Bom Pastor seguirá paralisada

Projeto foi tema de Audiência Pública na Câmara Municipal

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Um debate sobre a construção de um albergue para presos do Centro de Detenção Provisória (CDP) no bairro do Bom Pastor, Zona Oeste de Natal, motivou audiência pública com moradores da localidade e representantes do estado e município, na quarta-feira (09), na Câmara Municipal.

Os representantes da Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania (SEJUC), não compareceram ao debate, mas confirmaram, através de ofício, que a obra continuará paralisada e que, provavelmente, a referida unidade não será mais instalada na região.

A iniciativa foi proposta pelos vereadores Aroldo Alves, Chagas Catarino e Ubaldo Fernandes, e discutiu a necessidade da construção de uma unidade prisional no lugar onde antes funcionava um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), fechado durante a administração da prefeita Micarla de Sousa, juntamente com mais outras 3 unidades de educação infantil no bairro.

Aroldo Alves relata que por se tratar de um bairro periférico, não houve nenhuma discussão para instalação do “albergue”. “A comunidade é bastante sofrida e sentiu-se marginalizada, pois nenhum projeto benéfico vai pra lá, assim, a audiência cobra soluções para a insatisfação dos moradores” relata.

Existe ainda um impasse sobre a quem pertence o terreno da obra, pois “até o presente momento a prefeitura diz que o pertence e o estado também” relata Aroldo. Moradores presentes na ocasião afirmam que o desejo é que seja instalada uma creche modelo, com funcionamento 24h no espaço.

Reginaldo Marcolino, presidente do Grupo de Idosos Frei Damião, afirma que a queixa maior é com relação a ausência de espaços educativos. “O município não vem dando assistência para o Bom Pastor, não queremos o presídio” criticou.

Ele afirma ainda que se não houver um acordo, os moradores pretendem se manifestar. “A população não quer que o presídio aconteça. Vai ter um quebra-quebra se as obras continuarem.”

O vereador Aroldo Alves sugere que o albergue seja implantado em outro local. “A instalação dessa unidade prisional deve ser feita no prédio que o Ministério Público comprou, situado no Centro da cidade, por 850 mil reais. Seria uma utilização justa” afirma.

Emília Rebouças, moradora do Bom Pastor e presidente do Centro de Serviço à Comunidade, reclama que os moradores foram pegos de surpresa sobre a decisão de construir um presídio semi-aberto. “Não fomos notificados. Nosso desejo é que a creche volte a funcionar, pois os colégios próximos não comportam o número de crianças do bairro” afirmou. Ela diz ainda que anseia que o governo se sensibilize para que o espaço seja utilizado pelos moradores locais.

Emília afirma que os moradores pretendem continuar as manifestações, caso o pleito não seja atendido. “Nós entendemos que o espaço não é adequado para o presídio. Queremos que o governo encontre um local adequado”.

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