Obras da Copa no Brasil já mataram quatro vezes mais que na África do Sul

Nada, porém, se compara à estimativa de óbitos para 2022, com Mundial no Catar

Arena Amazônia. Foto: Divulgação
Quatro trabalhadores já morreram na construção da Arena Amazônia. Foto: Divulgação

Não é só nos atrasos que o Brasil tem superado a África do Sul quando falamos dos aspectos negativos de se organizar uma Copa do Mundo. No número de mortes de operários, infelizmente nosso país também já superou o que ocorreu há quatro anos atrás. E por muito! Nas obras dos estádios para o Mundial de 2010, foram perdidas as vidas de dois operários, um quarto do que aconteceu agora.

Uma dessas tragédias ocorreu no estádio Peter Mokaba, na cidade de Polokwane, em agosto de 2008, quando Dumisani Koyi acabou atingido por uma laje de concreto.

Cinco meses depois, em janeiro de 2009, ocorreu a segunda tragédia com os sul-africanos: Sivuyele Ntlongotya, à época com 26 anos, não resistiu ao ser atropelado por um caminhão no canteiro da construção do Green Point, na Cidade do Cabo.

A Copa no Brasil terá dois estádios a mais que na África do Sul (12 x 10), mas isso não justifica o elevado número de mortes. A última dela ocorreu no sábado passado (19), quando o operário Fabio Hamilton da Cruz caiu de uma altura de cerca de oito metros quando ajudava a instalar as arquibancadas provisórias na Arena Corinthians, estádio que sediará a abertura da competição.

As obras na Arena Corinthians, na verdade, já deveria estar entregues. Isso só não ocorreu porque no fim de novembro de 2013, a queda de um guindaste danificou parte da estrutura do estádio, matando dois operários, Fábio Luiz Pereira e Ronaldo Oliveira dos Santos.

A “recordista” de tragédias na Copa do Brasil, porém, é a Arena Amazônia, em Manaus. Durante a construção do estádio, que já foi entregue, morreram quatro trabalhadores: Raimundo Nonato Lima Costa (queda, março de 2013), Marcleudo de Melo Ferreira (queda, dezembro de 2013), José Antônio da Silva Nascimento (mal súbito, dezembro de 2013) e Antônio José Pita Martins (fevereiro de 2014).

A outra morte ocorrida durante a construção dos estádios para a Copa brasileira ocorreu em Brasília, no Mané Garrincha, em junho de 2012, quando José Afonso de Oliveira Rodrigues caiu de aproximadamente 30 metros.

E a expectativa para as próximas Copas são ainda mais sinistras: de acordo com reportagem publicada pelo jornal inglês “Daily Mirror” esta semana, as obras para o Mundial do Catar, em 2022, já custaram a vida de cerca de 1200 pessoas. Existem ainda denúncias de trabalho escravo nas construções e ONGs especulam que o número de mortes pode atingir os quatro mil. Questionada, a Fifa nega os problemas e garante que o Mundial continuará sendo sediado lá.

Fonte: R7

 

 

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