Occupy à Deriva
O intenso trabalho de montagem Coletivo Atores à Deriva destaca-se tanto do ponto de vista da dramaturgia, quanto da encenação. Mostra um exemplo real do esforço, da qualidade artística e, porque não dizer, da visão estratégica de gestão cultural que esses talentos potiguares, mesmo imersos as dificuldades que se depara o segmento cultural do Rio Grande do Norte, conseguem fazer teatro marcadamente na contramão e provam que conseguem contornar e sobreviver fazendo e promovendo arte.
Depois de cinco anos de intensa atividade, o Coletivo Atores à Deriva realiza o “Occupy à Deriva” que marca o início das comemorações dos 5 anos do grupo que, logo depois desta mini temporada na Casa da Ribeira, também fará a ocupação do Teatro Glauce no Rio de Janeiro dentro do projeto Visões Coletivas promovido pelo Coletivo Angu de Teatro de Recife. “Manter um repertório vivo com um trabalho diário de ensaios e pesquisa é nossa principal conquista nestes anos de coletivo,” disse Doc Câmara, ator e presidente do Atores à Deriva.
O Coletivo Atores à Deriva ocupa a Casa da Ribeira neste fim de semana com três atividades artísticas: o workshop LABOR-atório (sábado, dia 19, das 14h às 18h); a estreia da peça “O Cobrador” (domingo, dia 20, às 18h) e a reapresentação da peça que deu origem ao Coletivo: “A Mar Aberto” (sábado, dia 19 e domingo, dia 20, sempre às 20h).
“O objetivo é apresentar ao público potiguar os frutos do trabalho do nosso núcleo de pesquisa, que ao investigar novos pontos de partida em criação cênica e dramatúrgica, descobrimos novos procedimentos de criação e de formação de platéias, entre outros, destaca um dos fundadores e criadores do Coletivo Henrique Fontes.
Coletivo Atores à Deriva surgiu no dia 14 de Janeiro de 2008 onde pela primeira vez os atores se reuniram, motivado pelo diretor Henrique Fontes que tinha como objetivo provocar uma troca de conhecimentos entre os artistas que vinham de diferentes vivências teatrais. A troca aconteceu em torno do Texto A Mar Aberto de autoria do próprio Henrique que teve sua estreia em Abril de 2008.
“É incrível!!! Apesar de ser apenas 5 anos de trabalho, parece que temos mais tempo de trabalho. Somos um grupo de 27 atores que não para nunca. Durante esse tempo a produção teatral foi bastante satisfatória, sem contar a repercussão aqui e fora. Estreamos com o espetáculo A Mar Aberto e depois da primeira temporada decidimos continuar a pesquisa e assim surgiram novas produções, como: Corte Sem Casca (2009); Flúvio e o Mar (2010) e Recomendações a Todos (2011)”, lembra Fontes.
O Grupo hoje mantém A Mar Aberto e Flúvio e o Mar em repertório e já circulou por quase todos os estados nordestinos, além de ter participado de festivais no sudeste e sul do país (POA em Cena e Caxias em Cena/RS; Festival de Itajaí/SC e Festival de Presidente Prudente/SP). Neste mês de Janeiro, o Coletivo aporta pela primeira vez no Rio de Janeiro onde apresentará entre os dias 24 e 27/01 a peça A Mar Aberto e realizará uma oficina. O convite para esta participação veio do Coletivo Angu de Teatro(PE) que realiza a ocupação do Teatro Glauce Rocha da FUNARTE com o projeto “Visões Coletivas – Nordeste Contemporâneo”.
A estreia deste fim de semana é o espetáculo solo “O Cobrador” que foi construída a partir do texto de Rubem Fonseca publicado originalmente em 1979 (ano da Anistia) e narra a história de um homem tomado pelo ódio à sociedade consumista e de valores superficiais. Onde num dia de fúria ele começa a sua batalha solitária, banhando as ruas de sangue e cobrando o que a injustiça social lhe negou desde o nascimento.
O Cobrador que faz única apresentação dia 20, às 18h, é o primeiro resultado do Núcleo de Pesquisa do Coletivo Atores à Deriva e os atores Bruno Coringa e Doc Câmara compartilham a direção; Tházio Menezes assina a iluminação e Bruno Coringa faz sua primeira atuação solo.
“O Workshop LABOR-atório é o resultado de seis meses de trabalho, onde vai ser compartilhado os processos de criação e a pesquisa do coletivo, onde os atores Bruno Coringa e Doc Câmara vão mostrar e fazer uso de parte dos procedimentos utilizados no processo de criação da peça O Cobrador”, disse Henrique Fontes.
A peça A Mar Abertoque deu origem ao coletivo Atores à Deriva volta em cartaz nos dias 19 e 20, sempre às 20h. O texto escrito por Henrique Fontes conta a história de José Hermílio, um pescador com mais de 30 anos de vida no mar que se vê enredado por um desejo inesperado em plena pescaria. Suas lembranças de Júlio de Joana, a culpa de um amor que “deve vir do demo” e as tormentas que enfrenta em alto-mar amarram a trama desta obra livremente inspirada em “Grande Sertão: Veredas” de João Guimarães Rosa.
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