Óculos ou mostarda

Seu Rodrigo Castanheira passou arrependido o restante do domingo e a segunda-feira. Chegou a chorar igual à criança quando a…

Seu Rodrigo Castanheira passou arrependido o restante do domingo e a segunda-feira. Chegou a chorar igual à criança quando a mãe lhe nega o sorvete de flocos. O lamento do auxiliar de arbitragem sinônimo de tormento de nada vai adiantar para o Vasco, prejudicado por um dos maiores absurdos da história do futebol.

Pela fotografia ou repetições em vídeo, o vigilante de trave, invenção criada para tirar dúvidas em lances duvidosos, demonstra toda necessidade de procurar um oculista ou um médico para o intestino. Ele está agachado, quase um goleiro na marca do pênalti, em visão livre e privilegiada do chute de Douglas que ultrapassou 33 centímetros da linha de gol.

Quando digito oculista, é lógico. Seu Rodrigo deve estar com um grave problema ocular. Agravado pelo fato de ter sido o segundo. Em 2011, do mesmo jeito, deixou passar um gol do Botafogo contra o Fluminense. Quando escrevo um gastroenterologista é porque a fotografia pode ter mostrado um instante de aperto terrível.

Seu Rodrigo Castanheira, 15º jogador do Flamengo – o Vasco enfrentou os 11, os bandeiras, ele e o outro pastorador de baliza, parece estar se espremendo. Parece necessitar de um remédio para prisão de ventre. Se confirmado, ele merecerá atenuante, pois agonia intestinal só deve ser menos desagradável do que um tiro de fuzil no meio do peito.

Erro de arbitragem de futebol é um dos raros tipos de delito sem punição prevista. Decidiu Copa do Mundo. Em 1966, os ingleses tomaram a taça dos alemães num gol mais que ilegal. O Seu Rodrigo Castanheira recebeu solidariedade irrestrita do presidente da Comissão de Arbitragem que lhe garantiu total apoio e a certeza de nenhuma penalidade. Ele será, ao contrário, preservado psicologicamente.

O Vasco, penalizado, que se dane. O Vasco que sofre esse tipo de safadeza por culpa dos seus dirigentes que o transformaram num Olaria moral. O Vasco não é mais respeitado feito o time grande que um dia foi. O Vasco que também foi beneficiado escandalosamente prejudicando o ABC na Copa do Brasil de 2011 ganhando na tunga.

O caso de Seu Rodrigo Castanheira manchou uma rodada em que os homens do apito jogaram como artilheiros. Um sujeito de má intenção fraudou o América em Alagoas e, com ele, também nada acontecerá. O clichê “juiz ladrão” está fora de moda. Que se aplique em gente despreparada ou sem escrúpulos, gotículas de mostarda. Mostarda é uma suavidade para qualquer olho.

 

Semana difícil

O ABC enfrenta uma semana difícil enfrentando o Alecrim e o América. O jogo contra o Alecrim é amanhã e o América é o adversário de domingo. Depois do intervalo permitido com o adiamento do jogo contra o Baraúnas, o alvinegro parte para duas verdadeiras batalhas.

 

Alecrim

O Alecrim está em boa fase, assumiu a liderança do campeonato e vai tentar se aproveitar da agonia do ABC, sem vitória e sempre vivendo na corda bamba dos seus problemas internos.

 

Sem trégua

O ABC é um clube sem trégua. A simples volta do lateral Patrick pela direita ajuda, mas não será fator decisivo para assegurar a reabilitação. Até porque se o tal do Rayro jogar, irá desfazer na esquerda o que Patrick construir pela direita.

 

Lúcio Curió

Lucio Curió, a principal contratação do ABC, se estiver em forma mesmo e regularizado, deve jogar logo contra o Verdão. Se existe alguém que não pode se dar ao luxo de esperar é o ABC. O seu ataque não vem produzindo e a formação de uma dupla de Lúcio com Gilmar pode melhorar a situação ofensiva.

 

Meia

O que falta ao ABC e não há dinheiro para contratar é um cara capaz de desequilibrar, é um meia-atacante, é o homem que faça a função bem feita pelo contundido Júnior Timbó, que só deverá voltar na Série B. Lúcio Flávio é o melhorzinho e melhorzinho não nasceu para jogar no ABC, onde até Júnior Xuxa é absoluto hoje em dia. Suélinton e Bruno Perrone, reforços trazidos agora, soam como soaram Diego Rosa e afins.

 

Globo

O América também trabalha em duas frentes complicadas. Pelo Estadual, ninguém pense que será moleza encarar o Globo em Ceará-Mirim amanhã. O Globo quer retomar o primeiro lugar e é um time enjoado, bem armado pelo técnico Higor César. O América retorna ao Barretão, estádio de más recordações no Estadual do ano passado, perdido para o Potiguar.

 

CRB

O estado de espírito americano também está dolorido pelas falhas do árbitro em Alagoas. A vitória do CRB por 2×0 causou um senhor prejuízo e a diferença pode ser tirada. Mas a vantagem dos alagoanos é considerável, graças à colaboração nada cívica da “excelência” do apito.

 

Brocador

Tão bisonho quanto o árbitro auxiliar que não viu ou fez que não viu o gol de Douglas do Vasco foi o atacante Hernane, o “Brocador”. É um dos nomes cotados para a lista de Felipão para a Copa do Mundo. Surgiu outro, tão assombroso quanto ele: Alan Kardec, um centroavante parecido com um poste. Mas para quem já foi obrigado a ver Grafite e Serginho Chulapa em Copa, tudo é possível.

 

Crimes e dúvidas

Há crimes tão espalhafatosos e estranhos que pedem a volta de alguém com tino de repórter e detetive, de jornalista com olhar desconfiado e jogador de quebra-cabeças. Há situações muito óbvias passando na cara de todo mundo e sequenciadas por mistérios típicos de gibi. Percival de Souza, o grande Percival, adoraria trabalhar em certos casos por aqui.

 

Era medieval

Na falta de um hidrante exigido pelo Corpo de Bombeiros, vão usar um carro-pipa nos jogos do Estádio Nogueirão (Mossoró), liberado “parcialmente” para apenas 3.500 torcedores. O carro-pipa é um dos maiores entulhos da vergonha que é a falta de respeito com quem sofre na seca.

 

Taça Cidade do Natal

Pela Taça Cidade de Natal de 1973, o ABC venceu o Alecrim por 2×1 no Castelão, dia 18 de fevereiro, gols de Baltasar e Alberi com Chiquinho descontando. Público: 8.929 pagantes.

 

Times

ABC: Erivan; Sabará, Edson, Quelé e Anchieta; William, Marcílio e Danilo Menezes; Petinha, Alberi e Baltasar. Alecrim: Franz; Edson, Ticão, Válter Cardoso e Brito; Varela, Talvanes e Pedrinho; Zezé, César e Maia (Chiquinho).

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