ODE AO BAIRRO DA GUARITA… – Bob Motta

É isso aí, minha gente! A sodade bateu forte; e cum uma fôrça tão bixiguenta, qui o véio coração remendado…

É isso aí, minha gente! A sodade bateu forte; e cum uma fôrça tão bixiguenta, qui o véio coração remendado dêsse véio trovadô; cumo dizia meu sodosíssimo Mestre Zé Cavalcante; Seu Zé; Ex-Prefeito da cidade de Patos-PB; “pegô fogo e a fumaça saiu aos pingo, puros canto duis zóio”… E p’rú falá in meus zóio, fechei uis bicho; e pura minha mente, passô uma espécie de “longa metrage” da minha infânça; quando EU ERA FELIZ E SABIA… De repente, me ví na calçada do véio curtume, num finá de tarde; cum meu irmão Clóvis Motta (pai do Dep. Ricardo Motta) roubando umas dez tainha qui o Véio Ulisse, tombém cunhincido cumo O Véio Fulêro; tinha comprado na bêra do Potengí, de um pescadô qui pescava detráis da Oficina do Curtume. O Véio Fulêro comprô ais tainha e foi dêxá in sua casa, adonde a sodosa Dona Maria, sua espôsa; incolocô in riba da mesa para tratar adispôi… Só, qui o peste do Zé Buchudo, chefe da Oficina; viu quando o Véio comprô uis pêxe e foi dêxá in casa… E apôis ?!… Zé Buchudo procurô Clóvis no Curtume tôdíin e “passô o siiviço”… Clóvis; de imediato, chamô Ulisse e mandô qui êle fôsse perpará a canoa mode irem pescá adispôi do expediente. E o pobre do Véio Ulisse, inucente de pai e mãe, foi fazer o que Clóvis havia lhe pedido. Enquanto isso, Clóvis; “rim qui só a palavra têje prêso”; foi a casa de Ulisse, qui era vizinho ao curtume. Quando lá chegô, a premêra coisa qui viu, foi ais tainha in riba da mêsa; e se fêiz de zangado:

– Mais Maria; essas tainha inda tão assim, sem tratá ? Eu comprei lá detrás do curtume e pedi para Ulisses vir lhe pedir o favor de tratar e fritar, prá a gente comer com cachaça, lá na Budega de Pêdo Galo (Que era tio do nosso querido Otorrino Laringologista, Dr. Paulo Xavier Trindade…).

E a pobre da Dona Maria:

– Oh! Meu Deus; Ulisse num tem jeito não; ô hôme inrresponsáve! Ispere aí, Dr. Clóvis, qui eu vou fazer isso agoriinha!

Tratou as tainhas caprichosamente e já ia se encaminhando para fritar, quando Clóvis, com medo de Ulisse voltar logo; refugou:

– Não precisa fritar não, Maria; eu levo e peço prá Dona Dica de Pêdo Galo fazer isso; você já fêz demais…

– Tá certo; se o sinhô quer assim…

E Clóvis, se espremendo para não soltar uma gargalhada bem escandalosa; levou as tainhas, que Dona Dica de Pêdo Galo se pôs a fritar…

Equanto isso, Ulisses, que já tinha preparado a canoa, procurou falar com Clóvis:

– Clóvis, a canoa já tá pronta; rumbora ?

– Vô não, Véio; ramo deixar para amanhã; que Dona Dica mandou me convidar para comermos uns peixes fritos, lá na budega.

E passando a mão pelos ombros do Véio Fulêro, atravessou a linha do trem, acompanhado de mais “um rebanho de biritêro”!… Ulisses, nem era com êle; comeu as tainhas fritas com batata doce e cachaça; e quando terminaram aquela mini farra foram todos prá casa… No outro dia de manhã, quando Clóvis chegou no curtume; o Véio “barreu da kenga” cum êle:

– Má impregado um ané de dotô na mão de um cabra qui nem você; isso era coisa qui você fizesse ? Cumí uis meus pêxe qui paguei e você robô ?! E quando cheguei in casa, inda levei nome de bêbo irresponsáve ?! Irresponsáve é você, seu safaaaaado!

E Clóvis só fazia rir com a indignação do Véio Fulêro!

Mais teve forra; e sábo qui vem, vô contá A VINGANÇA DO VÉIO FULÊRO!… É purisso qui jamais te isquicí e qui te amo tanto, MEU VÉIO BAIRRO DA GUARITA!…

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