Dentistas em greve protestam por melhores condições de trabalho

Servidores municipalizados estariam de fora da negociação salarial

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Roberto Campello

Roberto_campello1@yahoo.com.br

O único Pronto Socorro Odontológico de Natal, o Centro de Referência Odontológica 24 horas Dr. Morton Mariz, responsável por atender pacientes de todo o Rio Grande do Norte, está com o atendimento comprometido em função da greve dos servidores municipais e dos odontólogos que paralisaram as atividades desde o dia 15 de abril.

A unidade realiza uma média de oito mil atendimentos, mas com a greve, só está funcionando com apenas 30% do efetivo. Na manhã desta terça-feira (29), os servidores que trabalham na unidade realizaram um protesto em frente à unidade reivindicando a exclusão dos municipalizados nas negociações de aumento salarial e do salário base, bem como reforma na estrutura do prédio.

O presidente do Sindicato dos Odontologistas do Estado do Rio Grande do Norte (SOERN), Ivan Tavares, disse que os profissionais aderiram à paralisação, decisão tomada de forma unânime, em busca de aumento salarial, melhores condições de trabalho, segurança, luta por um plano igualitário de carreira, que atualmente se encontra parado, pleiteia aumentar as gratificações da Estratégia Saúde da Família (GESF), gratificações de Especialidade Odontológica (GEO) e as gratificações dos plantões. A categoria reivindica reajuste de 18,32%, cálculo realizado pelo Dieese, levando em consideração as perdas salariais desde 2013, mas a Prefeitura de Natal ofereceu um reajuste de apenas 2%.

“O grande problema é a questão dos municipalizados. É um grupo de mais de 200 profissionais que são do Estado e estão à disposição do município, portanto é uma força máxima do eventual municipal, pois sem eles o município não funciona, mas estão esquecidos das negociações. Não é a primeira vez que isso acontece. Mas dessa vez veio com força, porque tanto Estado quanto Município esqueceram dos municipalizados. Não podemos aceitar o reajuste apresentado, tampouco deixar esses profissionais de fora das negociações”, afirmou o presidente.

Ivan Tavares disse que os servidores aderiram em massa a greve e que a unidade está funcionando apenas 30%, respeitando a Lei de Greve, com em todas as unidades de urgência e emergência. A unidade conta com 68 odontologistas. “Hoje está o maior vazio, porque reduzimos o número de atendimentos. Aqui é responsável por atender a demanda de todo o Rio Grande do Norte”, afirmou.

“A insatisfação dos profissionais gerou essa greve. Mas, além disso, esta unidade, que é referência para todo o estado, está de pé por causa de uma ação nossa juntamente com o Conselho Regional de Odontologia, pois ele estava impraticável e conseguimos reabrir. Mas agora está voltando a ficar do jeito que estava antes, sem as mínimas condições de trabalho. Falta material de consumo para atendimento, como papel para esterilização de material. O aparelho de raio X é inadequado. O Centro de Especialidades Odontológicas trabalha de forma inadequada. Os banheiros não funcionam a contento. O instrumental é precário. Enfim, estamos em péssimas condições de trabalho. Tudo isso resulta na frustração profissional”, denunciou o presidente do Sindicato, Ivan Tavares.

Para o representante do Conselho Regional de Odontologia do RN (CRO-RN), Gláucio de Morais e Silva, a situação do Centro de Referência Odontológica Morton Mariz é a mesma das unidades básicas, que são a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). “Estamos vivendo uma situação que não difere muito da que tínhamos na administração passada, pois nada que foi prometido foi cumprido. A situação do Morton Mariz é pior, porque ela reflete diretamente a inoperância das unidades básicas, pois as pessoas que não conseguem atendimento nas unidades básicas procuram socorro no Morton, que não consegue atender a contento essas pessoas, pois já conta com uma estrutura precária, que nem parece que foi feito uma reforma”, afirmou Gláucio Morais.

Para Sônia Godeiro, líder da oposição ao Sindsaúde-RN, disse que a situação do Morton Mariz é um reflexo da saúde no município. “A saúde de Natal está em situação de penúria. Aqui a situação está ruim, mas já esteve pior. Queremos um compromisso sério do prefeito com a saúde de Natal, pois a situação não pode continuar da forma como está”, afirmou a médica.

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