Onda de insegurança atormenta moradores de Cidade Satélite

Quem ainda não foi assaltado, conhece alguém que já foi

Crime virou rotina para os moradores do Conjunto de Cidade Satélite; ao lado a situação estrutural da delegacia da região, que recebe até 40 BO’s por dia. Foto: Divulgação
Crime virou rotina para os moradores do Conjunto de Cidade Satélite; ao lado a situação estrutural da delegacia da região, que recebe até 40 BO’s por dia. Foto: Divulgação

A crise no setor de segurança pública do Rio Grande do Norte é vivenciada diariamente pelos moradores do Conjunto Cidade Satélite, no bairro Pitimbú, zona sul de Natal. Além dos diversos arrombamentos a casas e assaltos; nos últimos 26 dias, quatro homicídios registrados na região chocaram a população. Segundo dados da 11ª delegacia de Polícia Civil, que é responsável por investigar os crimes no local, diariamente são realizados pelo órgão de 30 a 40 boletins de ocorrência.

Na manhã de hoje, na delegacia do bairro, em poucos minutos, quatro pessoas já estavam aguardando para prestar algum tipo de queixa. Atualmente no quadro da delegacia existem 10 policiais civis, um delegado e um escrivão, além de uma viatura, para prestar serviço a população. Para completar, a delegacia é responsável pelo bairro Pitimbú, parte do conjunto San Vale, bairro Planalto e Guarapes, sendo esses dois últimos localizados na região Oeste da cidade. São mais de 30 mil pessoas sob a responsabilidade de apenas uma delegacia.

Se na 11ªDP, o número de funcionários é insuficiente para atender a demanda da região; nas ruas a população sente a insegurança na pele. “Tem dia que não dá vontade nem para vir trabalhar”, disse uma funcionária e residente do bairro que não quis se identificar. Em um estabelecimento comercial, o farmacêutico que mora no bairro há 29 anos, afirma o quanto a violência cresceu nos últimos tempos. “Lá em casa portas e janelas são protegidas por grades, mas nos sentimos muito inseguros ainda. A violência aqui no Satélite cresceu muito, antigamente sentávamos nas calçadas e crianças brincavam na rua, hoje em dia é muito difícil isso acontecer”, afirmou o farmacêutico Valdiery Araújo.

Em uma parada de ônibus, que fica próxima a um matagal, (como muitas outras do conjunto), a opinião da população foi unânime: a insegurança é total. Quem ainda não foi assaltado, conhece alguém que já foi. Uma moradora antiga, que não quis se identificar, afirmou que na semana passada foi vítima de mais um crime. “Eu e mais quatro senhoras estávamos indo rezar na casa de uma colega aqui próximo, quando fomos abordadas por dois homens encapuzados e armados, além de levar nossos pertences, eles usaram de violência com uma de nossas colegas, puxando o cabelo dela e ameaçando atirar na cabeça dela, foi terrível. Agora nós estamos aqui, mas a qualquer momento pode sair alguém desse mato e assaltar a gente”, contou.

Crimes no bairro

Em menos de 26 dias, quatro crimes chocaram a população do bairro Pitimbú. O primeiro homicídio registrado na região vitimou João Maria Menezes, de 48 anos, morto a tiros no dia 23 de janeiro, na Avenida dos Xavantes em frente a uma padaria. A Polícia suspeita que a motivação do crime foi acerto de contas, uma vez que a vítima era ex-presidiário. Dois dias depois, uma grávida, identificada como Francisca Amara dos Santos Gomes, 31 anos, foi morta após ser assaltada, na avenida das Algarobas, 3ª etapa do conjunto Cidade Satélite.

Na manhã do dia 10 de fevereiro, o lutador de MMA e professor Luiz de França Trindade, 26 anos, foi morto a tiros quando saía de uma academia. O crime, até então, tem apenas um suspeito, o tenente da PM Iranildo Félix de Sousa. O homicídio também está sendo investigado pela inteligência da Polícia Civil. No dia 13 de janeiro, James Dean de Lima Assunção, foi morto com 23 tiros de pistola, em frente a uma lanchonete de açaí. A motivação do crime pode estar relacionada com acerto de contas por dívida de drogas.

No início da manhã do dia 13 de janeiro, A Polícia Civil do Rio Grande do Norte prendeu 10 torcedores do América, supostamente envolvidos com o crime que matou o torcedor abcedista, Flávio Augusto da Costa, 17 anos, no dia 15 de novembro de 2013, próximo a BR-101, no bairro de Neópolis, na zona Sul da capital. A operação denominada Clássico Rei cumpriu mandados de busca e apreensão em duas residências no conjunto Cidade Satélite, onde foram apreendidas armas e drogas.

Audiência Pública

Diante da insegurança que ronda a região, a Associação de Moradores do Cidade Satélite (Amocisa), vai realizar na próxima quinta-feira (20), às 19h, audiência pública para discutir a segurança pública no conjunto com representantes da segurança do estado e local, além da população. É esperada a presença do secretário estadual de segurança pública e defesa social Aldair da Rocha, o comandante geral da Polícia Militar, coronel Francisco Araújo, o titular da 11ª DP, Silvio Fernando, entre outros representantes da Polícia Militar da cidade.

A Associação fica localizada na rua das Nogueiras, 7820, 3ª etapa do conjunto Cidade Satélite, bairro Pitimbú, vizinho a 2ª companhia da Polícia Militar.

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