Ônibus usados no combate à violência contra mulher estão parados

As unidades móveis de acolhimento à mulher serviriam para aquelas que moram no campo e sofreram ou sofrem algum tipo de violência

Integrantes da Fetarn dizem que Governo não providenciou documentação, nem equipe. Foto: Wellington Rocha
Integrantes da Fetarn dizem que Governo não providenciou documentação, nem equipe. Foto: Wellington Rocha

Desde novembro de 2013, as mulheres que moram na zona rural do Estado ganharam o auxílio de duas unidades móveis de acolhimento. Mas esses ônibus que ajudariam no combate à violência contra a mulher nunca funcionaram. Nesta quinta-feira (10) pela manhã, trabalhadoras do campo se manifestaram para cobrar do governo do Estado que esses veículos caiam na estrada Rio Grande do Norte adentro.

Conforme a secretária de mulheres da Federação dos Trabalhadores Rurais do Rio Grande do Norte (Fetarn), Antonia da Silva Dantas, as unidades estão paradas por falta de regularização documental. “É essa documentação do Detran que não deve custar mais de R$ 3 mil”, avaliou. Convém ressaltar que o Detran é órgão da própria administração estadual.

De fabricação Volkswagen, os ônibus são climatizados, possuem duas salas de atendimento com mesa, duas cadeiras, impressora, uma cabine dianteira com seis lugares, incluindo o do motorista. Também há uma copa com purificador de água, cafeteira, frigobar e pia, além dos banheiros e uma pequena sala de máquinas.

Na parte externa, há um suporte para abrir uma tenda e fazer atendimento preliminar ali mesmo. Toda essa estrutura está montada e completamente paradas no centro administrativo. Os ônibus estão sinalizados com adesivos do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e com o número de telefone nacional para denunciar violência dessa espécie (180).

As unidades móveis de acolhimento à mulher serviriam para aquelas que moram no campo e sofreram ou sofrem algum tipo de violência. “Tem mulher que só vem à cidade de mês em mês. O acesso a esse tipo de serviço é muito difícil”, declarou a secretária de mulheres da Fetarn.

Além disso, no tratamento das mulheres em delegacias não especializadas ainda impera o machismo. “Quando a mulher chega para prestar queixa o delegado diz assim: “Quem vai dar de comer a esses meninos? Amanhã a senhora vai estar na porta da Prefeitura”, disse Antonia Dantas, lembrando que a atitude da autoridade estimula a resignação da mulher.

Os veículos foram conquistados depois da Marcha das Margaridas em Brasília segundo contou a Antonia Dantas. Ainda conforme ela, o governo federal também se comprometeu com a manutenção e o combustível por dois anos. “O governo estadual entraria com a equipe que vai trabalhar [delegada, assistentes sociais, motorista e outros]” disse. Mas nem isso foi providenciado cinco meses depois.

A representante da Fetarn também luta por centros de referência que ofereçam apoio social às mulheres e seus filhos depois de serem vítimas de violência doméstica. A Federação aproveitou um seminário de enfrentamento à violência contra a mulher, que reuniu cerca de 50 mulheres camponesas de todo o Rio Grande do Norte, para realizar o protesto contra a situação de paralisia do governo.

Além da manifestação, as mulheres também queriam se reunir com a governadora Rosalba Ciarlini. “Provavelmente, como sempre, ela não vai nos receber”, previu Dantas. Nossa equipe de reportagem tentou entrar em contato com a coordenadora de política para as mulheres do Estado, Carmosita Nóbrega, para falar sobre o caso, mas nossas ligações telefônicas não foram atendidas.

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