Operadora da Fifa concentrou bloqueios nos dias de jogos em Natal

Resta aos hoteleiros correr atrás de mais ocupação

Em janeiro, ela começou a devolver os bloqueios justamente em dias sem jogos e, portanto, sem atrativos diretos para os visitantes. Foto: Ilustração
Em janeiro, ela começou a devolver os bloqueios justamente em dias sem jogos e, portanto, sem atrativos diretos para os visitantes. Foto: Ilustração

Marcelo Hollanda

hollandajornalista@gmail.com

 

A Match Services, operadora de turismo oficial da Fifa, concentrou a quase totalidade dos bloqueios de apartamentos em hotéis de Natal exatamente nos dias de jogos da Copa do Mundo – 13 de junho quando jogam México e Camarões; 16, quando entram no Arena das Dunas Gana e Estados Unidos; 19, com Japão e Grécia, e 24, quando Itália enfrenta o Uruguai.

Como a empresa credenciada pela Fifa tem até o próximo dia 20 de abril para devolver os restantes 50% dos bloqueios ainda em seu poder de um total de 10 mil leitos, os hoteleiros terão que pensar em fórmulas criativas para reter os visitantes por mais tempo na cidade. E um dos ingredientes principais dessa receita será baixando o valor das diárias.

“De certa maneira, isso quebrou as nossas pernas, mesmo assim nos deixou um investimento importante ter a Copa na cidade”, disse hoje a hoteleira Emanuelle Barreto, presidente do Natal Convention Bureau.

Por contrato com a Match, o setor só poderá pensar em alterar suas tarifas depois do dia 20 de abril, quando ocorrerá a devolução final dos apartamentos bloqueados para a Copa. Em janeiro, a empresa anunciou já ter vendido 30% do que havia reservado.

Em janeiro, ela começou a devolver os bloqueios justamente em dias sem jogos e, portanto, sem atrativos diretos para os visitantes.

Pela praxe da hotelaria, a March deveria devolver 50% dos bloqueios nos dias mais competitivos aos hoteleiros. Ao invés disso, vendeu 100% das reservas para os dias dos jogos, bloqueando apenas 25% nos dias sem jogos.

Isso, no entanto, não representou quebra de contrato, mas apenas uma maneira de tirar vantagem total do negócio, já que a Match abocanha 30% de toda a diária que vende – livres de taxas. E com um detalhe: só 72 horas depois de realizado o chekin do hóspede é que o hotel tem acesso ao dinheiro que fica numa conta aquário.

Mesmo assim, a presidente do Natal Convention Bureau sustenta que, como investimento futuro, foi um bom negócio para a cidade, que terá a oportunidade de trabalhar mercados que até então lidava mais timidamente, como o norte-americano e o mexicano, já que o forte – se é que se pode usar essa expressão – sempre foram os europeus.

“Ninguém se engane dizendo que a hotelaria vai tirar o pé da lama, mas sem dúvida é uma maneira de mostrarmos nossa cara para o mundo”, afirma Emanuelle Barreto.

No mês passado, surpreendendo muitos empresários do setor, a March havia comercializado seis mil apartamentos e dos quatro mil restantes deve devolver em torno de 3.800. No site da Fifa, estão listados os 47 hotéis em Natal para a Copa. Dos credenciados, 36 ficam em Natal e onze em Tibau do Sul, que chegou a ser um destino mais procurado do que a capital por causa da praia da Pipa – isso nos idos da década passada.

Segundo Emanuelle Barreto, o preço médio das diárias em Natal por ocasião da Copa ficaram em torno de R$ 600,00, variando entre R$ 276,00 a R$ 1.068,00, este teto no caso de hotéis padrão cinco estrelas, uma pontuação que não existe mais na Embratur, mas que ainda é muito usado informalmente. Dos 30% fixados sobre as diárias, a Match, 18% são para cobrir as despesas operacionais.

No mês passado, quando foram surpreendidos com as primeiras devoluções, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) anunciou que realizaria reuniões para apurar o tamanho do prejuízo e deliberar ações promocionais. Na falta de atrativos para hospedar as seleções na cidade durante a Copa do Mundo, como um Centro de Treinamento à altura das seleções visitantes, restará à hotelaria de Natal exercitar muita criatividade, já que no quesito planejamento todas as entidade públicas e privadas que participaram da vinda da Copa do Mundo deixaram a dever.

Compartilhar:
    Publicidade