Operadoras ampliam pontos de Wi-Fi para desafogar rede 3G e 4G

A operadora também adotou a estratégia de permitir acesso gratuito, por até 15 minutos, a usuários de outras operadoras

Os investimentos para a instalação de pontos de Wi-Fi são até 10 vezes menores que os necessários para a instalação de redes 3G e 4G. Foto: Divulgação
Os investimentos para a instalação de pontos de Wi-Fi são até 10 vezes menores que os necessários para a instalação de redes 3G e 4G. Foto: Divulgação

Com o objetivo de descongestionar suas redes móveis, as operadoras de telefonia no Brasil pretendem ampliar em 2014 o número de pontos de acesso à internet que utilizam a tecnologia Wi-Fi, como forma de melhorar o serviço em um ano em que preveem aumento do uso de dados devido à Copa do Mundo.

Os investimentos para a instalação de pontos de Wi-Fi, os chamados hotspots, em lugares públicos e privados são até 10 vezes menores que os necessários para a instalação de redes 3G e 4G, segundo analistas. No entanto, por terem cobertura limitada, essas redes são vistas como complementares aos serviços de internet móvel das operadoras, e não como substitutas.

A Claro, do grupo América Móvil, pretende ampliar a sua rede de hotspots lançada em maio de 2013. A empresa tem atualmente 6 mil pontos de conexão no país, segundo o diretor de serviços de valor agregado da operadora, Alexandre Olivari. Todos estão localizados em lugares públicos de grandes centros urbanos.

“Devemos ampliar os investimentos em hotspot este ano, mas daremos agora foco maior em Wi-Fi indoor do que outdoor”, disse Olivari, citando como exemplo aeroportos, restaurantes e shoppings centers. “O Wi-Fi serve como um complemento para a falta de espectro no 3G e 4G”, completou.

Para a Copa do Mundo, a Claro negocia acordos com operadoras internacionais para que visitantes estrangeiros tenham acesso às redes sem fio no Brasil. A Claro também instalará em parceria com concorrentes redes Wi-Fi em mais da metade dos 12 estádios que receberão jogos durante o Mundial.

Rede pequena
Apesar do recente interesse das operadoras, a rede Wi-Fi brasileira é considerada pequena se comparada a outros países. Números da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de dezembro de 2013, citados pela Consultoria Teleco, apontam 158,9 mil hotspots no Brasil.

A Oi responde por quase 96 por cento dos hotspots do país, com 152,5 mil pontos, ainda segundo números da Anatel citados pela Teleco.

A empresa, no entanto, afirma ter encerrado 2013 com 500 mil hotspots – saindo de 27 mil em 2012 – e que irá atualizar os dados junto à Anatel neste mês. A empresa não deu previsões para este ano por estar em período de silêncio devido à fusão com a Portugal Telecom.

A Oi foi uma das primeiras a investir no segmento, em 2011, e atingiu a liderança principalmente devido à parceria com a FON, uma comunidade global com 12,3 milhões de usuários que compartilham conexão pela rede sem fio.

A operadora também adotou a estratégia de permitir acesso gratuito, por até 15 minutos, a usuários de outras operadoras. “A Oi está expandindo sua rede de Wi-Fi, implantando novos pontos de conexão gratuitos em bancas de jornais do Rio de Janeiro”, disse a operadora em comunicado.

Procurada, a Vivo não informou sua rede de hotspots. Já a TIM Participações disse ter encerrado 2013 com 719 pontos de conexão sem fio, tendo iniciado o ano com apenas 50. “Em 2014, a companhia vai continuar a expansão de forma ainda mais acelerada.”

Investimentos
Em um cenário em que as operadoras são pressionadas pelos reguladores e pela crescente demanda por dados a investir em suas redes 3G e 4G, o Wi-Fi serve para melhorar o serviço, segundo Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco.

“O Wi-Fi por si só não é uma fonte de receita, mas acaba sendo uma maneira de reforçar o 3G”, disse. “É uma maneira de melhorar as avaliações de desempenho na Anatel.”

Para alguns especialistas, contudo, a melhor forma de massificar o uso da Web móvel no Brasil é por meio de Wi-Fi público e grátis, já que os pacotes de dados ainda são considerados caros por boa parte dos usuários.

Na opinião de Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC e integrante do Comitê Gestor da Internet, os governos podem financiar redes sem fio nas grandes cidades — como está sendo feito pela prefeitura de São Paulo, com o projeto Wi-Fi Livre, que tem como meta chegar a 120 pontos de conexão.

“O poder público pode ter interesse de pagar, junto com empresas, em troca de publicidade. Há um caminho a ser pensado”, disse Amadeu.

Para Lucas Pinz, gerente sênior de tecnologia da Promon Logicalis, que fornece equipamentos de rede sem fio para as operadoras, o desafio do wireless ainda é a expansão nacional. “Os hotspots ainda estão muito concentrados em Rio e São Paulo, há um potencial enorme de crescimento.”

Segundo os dados mais recentes da Anatel, o país encerrou novembro com 88,4 milhões de acessos via 3G, aumento de 4,22% sobre outubro, e 923,3 mil acessos via 4G, aumento de 26,4 por cento em relação ao mês anterior.

 

Fonte: Reuters / Terra

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