Ordens do holandês

O Brasil pode enfrentar a Holanda logo na segunda fase da Copa do Mundo. Claro, se passar da primeira e…

O Brasil pode enfrentar a Holanda logo na segunda fase da Copa do Mundo. Claro, se passar da primeira e irá. A Holanda é calo. Nas mãos do goleiro Júlio César então, nem se fala. O titularíssimo de Felipão ficou distante do chute de curva e da cabeçada do cracão Sneijder na virada de 2010.

A Laranja eliminou o Brasil com tanta facilidade quanto desclassificou o timeco de Zagallo em 1974, Cruijff enfadado de girar sobre Valdomiros e Mirandinhas. Brasil x Holanda é confronto sempre enjoado, imprevisível.

O Brasil levou a melhor em 1994, naquele petardo de Branco ao cobrar falta e a bola quase triscando na bunda de Romário antes de entrar. E quatro anos depois, nos pênaltis, Taffarel garantindo a vitória pelas semifinais.

Em campo, os jogadores resolverão, na disputa leal. A Holanda até pode ser primeiro lugar de sua chave e no caso a teoria aponta o Brasil duelando com a Espanha, campeã mundial e ressentida pelo olé na Copa das Confederações. São hipóteses, que ao trilhar do apito final, pouco ou nada significam no sacramento do resultado.

Antes de a bola rolar nos gramados, Natal recebeu a visita de um holandês cheio de banca. O pomposo representante da equipe de proteção de marcas da Fifa, Auke-Jan Bossenbroek. Agradável como um torno mecânico, veio comunicar aos comerciantes da cidade o que eles podem ou principalmente estão proibidos de fazer nas áreas consideradas restritas durante o Mundial.

Míster Bossenbroek, em seu terno bem cortado, careca parecida com à do versátil René van de Kerkhof em fim de carreira, falou grosso. René e seu irmão gêmeo Willy eram diferentes. .

Espalhavam alegria fazendo do futebol um carrossel, na Copa de 1974. Ambos resistiram e também integraram o time vice-campeão quatro anos depois. A Holanda é o Vasco da Gama das Copas. Disputou três finais, foi vice nas três.

A presença dele selou a supremacia da Fifa sobre a soberania brasileira. Acho até que pisão é um termo mais adequado do que supremacia. Logo a Fifa, entidade conhecida pela rigidez dos seus padrões éticos e pelo aspecto franciscano e despojado dos seus chefes. Duvida? Leia algum livro do jornalista Andrew Jennings, descobridor de alguns fatos pouco republicanos desde os tempos de João Havelange.

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Diante da plateia de empresários, gente que gera emprego e paga imposto(muito imposto), o Míster Bossenbroek aboletou-se para dar informações. O tipo de instrução que recebem refugiados quando vão ser encaminhados às suas masmorras. Do tipo, não faça isso nem aquilo que você vai ser punido assim, assim e assado.

Até mesmo pode ser preso – com o devido consentimento das autoridades brasileiras constituídas -, o atrevido que botar placa de cerveja que não seja patrocinadora da Copa em seu estabelecimento, esteja ele instalado, ou sufocado, nas imediações da Arena das Dunas ou do local da festa seleta, nas proximidades da Fortaleza dos Reis Magos, aliás, palco de outra contenda entre brasileiros e holandeses.

A frase mais enigmática do Míster Bossenbroek, da equipe de Blatter e Valcke, merece ser esculpida em pedra de bronze e colocada para a eternidade no Grande Ponto, centro de Natal. “As pessoas poderão continuar com suas atividades normalmente. O que vamos combater é o marketing de emboscada na ARC”. ARC é a sigla de Área de Restrição Comercial.

Para o Míster Bossenbroek chegar com essa cancha maior que a do velho Bossa do Pandeiro do Bar Café Nice no Alecrim , o Governo Federal editou a Lei Geral da Copa, de número 12.663, que deveria ser chamada de Lei das Pernas Abertas. Acima do direito de ir e vir estabelecido pela Constituição Federal rasgada.

O posudo dirigente da Fifa está respaldado pela lei do Palácio do Planalto e de lei ele conhece, pois é jurista formado pela Faculdade de Direito da Universidade de Maastricht, em seu país de origem. Quem está no prejuízo ou chegando perto da falência mantendo estabelecimentos no entorno do estádio, cuidado com o homem. É seguir caladinho as suas ordens para não entrar em mala de camburão.

Patrulheiros insistem que há radicais contra a Copa do Mundo. Não há. Todos querem a Copa. Os jogos, o turismo incrementado. Existem apenas algumas pessoas que repelem a distorção de prioridades e a submissão, a subserviência a quem chega de fora querendo e mandando. Exercem o direito de penar diferente, que é livre, legítimo.

O Brasil atropelou sua soberania, segundo o filósofo Jean-Jacques Rousseau, “inalienável e indivisível, devendo ser exercida pela vontade geral e popular.” Rousseau morreu em 1778, não havia Fifa, a interventora geral dos subdesenvolvidos. Seis meses depois da Copa do Mundo, Míster Bossenbroek distante e se lixando para Natal, saberemos quem emboscou quem.

 

Zé Teodoro

Quem quiser saber o que é o subsolo do futebol é só não tentar compreender o técnico Zé Teodoro, contratado pelo ABC. No ano passado, Zé Teodoro acertou, deu sua palavra e deixou o alvinegro a lhe desferir impropérios. Foi embora para o Náutico sem dar maiores satisfações.

Borracha

Como a vida de verdade não contempla borrões em ofensas e na quebra de palavra, ABC e Zé Teodoro se reencontram como autênticos noivos. Quem respeita quem, é dilema que o tempo resolve.

Comportamento

Nem se discute o talento de Zé Teodoro como técnico. Bom lateral ele foi. Estranho é quando a conveniência e a cegueira geram incoerência indesculpável. A torcida – ou boa parte dela – reagiu mal. Talvez para tumultuar, como cantam os beatos da adulação.

Sensatez

Retirados os dois processos do Alecrim contra o narrador Marcos Lopes e a TV Ponta Negra. Sensatez. Se alguém foi injustiçado e botou a cara pra valer foi Marcos Lopes na maldita noite da humilhação de jornalistas em São Gonçalo do Amarante. A história de paz e alegria do Alecrim agradece.

Clássico

É como um clássico passional que se encara o América x Globo de amanhã.

Globo

Acusado de denegrir a arbitragem potiguar e ameaçado de punição por três meses, o presidente do Globo, Marconi Barreto deve estar entendendo como são tortuosos os caminhos dos bastidores boleiros. A sensação é de que ele incomoda.

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