Orgulhosa, vítima de Abdelmassih voltou a beijar após seis anos

Vana contou que não dorme desde terça-feira quando ficou sabendo da prisão do médico

Vanuzia Lopes no aeroporto de Congonhas quando da chegada de Roger Abdelmassih. Foto: Divulgação
Vanuzia Lopes no aeroporto de Congonhas quando da chegada de Roger Abdelmassih. Foto: Divulgação

Cinco das vítimas do ex-médico Roger Abdelmassih fizeram questão de acompanhar a chegada do então foragido da Justiça à cidade de São Paulo, nesta quarta-feira, no aeroporto de Congonhas. Ele foi preso ontem em Assunção, capital do Paraguai, pela Secretaria Nacional Antidrogas paraguaia (Senad) em parceria com a Polícia Federal (PF). Na capital paulista, minutos antes da chegada de Abdelmassih, Vanuzia Lopes, 54 anos, afirmou que aos poucos está recuperando sua vida normal e que a partir de agora poderá sentir-se “completa”.

Segundo a PF, foi aplicado o procedimento de deportação sumária ao médico. Ele deu entrada no Brasil por Foz do Iguaçu (PR) e foi transferido para São Paulo. Em Congonhas, Abdelmassih passou por exame de corpo delito com um profissional do Instituto Médico Legal (IML) e está sendo transferido para o presídio de Tremembé. No momento em que chegou à Delegacia de Polícia de Atendimento ao Turista (Deatur) do aeroporto, ele recebeu insultos de populares e das vítimas.

Vanuzia foi uma das que mais se emocionou. Chorou bastante e chegou a cair no chão no momento em que Abdelmassih passou por dezenas de jornalistas e fotógrafos para entrar na delegacia. Amparada pelas amigas, a vítima deu entrevistas e acompanhou a ida do ex-médico até o Tremembé.

“Fiquei 6 anos, desde que denunciei Roger (Abdelmassih), sem beijar, porque a falta de libido veio e essa semana eu consegui dar um beijo. Hoje me considero completa, porque acredito que a vítima tem que mostrar o rosto para dar credibilidade a denúncia. Fomos estigmatizadas e agora estamos orgulhosas disso”, afirmou Vanuzia, com um largo sorriso no rosto.

A vítima fez questão de comparecer ao aeroporto para “receber” o médico e, segundo ela, “dar as boas-vindas ao inferno”. “Acompanhamos todos os processos e sem isso ele não estaria aqui. Acho justo vê-lo entrar. Somos vitimas e não coitadas. Sou uma mulher normal”, afirmou.

Vana, como é conhecida pelo grupo “Vítimas de Abdelmassih”, afirmou ter sentido muito medo e que ficou internada por dois anos por conta de uma síndrome do pânico.

“Tenho medo, mas só tem uma maneira de enfrentar o medo, que é fazendo o algoz ter medo de você. Ele ficou com medo de mim porque começou a me ameaçar. Fui pra Portugal com minha família e quando recebi o sinal verde eu voltei para o Brasil”, disse.

Vana contou que não dorme desde terça-feira quando ficou sabendo da prisão do médico. “Esses anos todos, nós sempre falamos que no dia que ele fosse preso íamos estourar champagne. Semana passada falaram para eu botar champagne para gelar e me ligaram ontem perguntando onde estava minha champagne e que eu poderia abrir. Não deu nem tempo de beber porque tive que ligar para 50 mulheres para contar sobre a prisão. Muitas vítimas estão aparecendo agora. Sete me procuraram nessa madrugada pois tomaram coragem e estão dispostas a mostrar o rosto”, contou.

Fonte: Terra

Compartilhar:
    Publicidade