Os anos 60 numa Nikon

Quem viveu os anos do desbunde com o rock ‘n’ roll e fez ritos de passagem com as divas do…

Quem viveu os anos do desbunde com o rock ‘n’ roll e fez ritos de passagem com as divas do cinema, não esquece tão fácil as fotografias em preto e branco que estampavam o melhor do século passado em revistas como Rolling Stone, Cinelândia e Flor do Mal.

Lembram da primeira imagem dos Beatles na explosão de “Please, Please”? E aquela imagem angelical de Audrey Hepburn chapeando com as mãos a água de uma piscina? O lance da bunda de Brigitte Bardot, a apetitosa Rachel Welch crucificada, lembram?

As imagens inesquecíveis daqueles anos foram feitas, muitas delas, pela lente mágica de uma Nikon do fotógrafo Terry O’Neill, o inglês filho de irlandeses que iniciou a profissão em 1959, no quiosque de uma companhia aérea do aeroporto de Londres.

Ele apontou a câmera para um cidadão que acabara de dar uma cabeçada no balcão do terminal de Heathrow. O homem aparentava solidão e cansaço, mas quando a fotografia ficou pronta revelou o então influente primeiro-ministro britânico, Rab Butler.

No mesmo ano passou a trabalhar para o jornal Daily Sketch, e a primeira missão oficial foi fotografar o ator Laurence Olivier, que além do título de Sir já era considerado o maior artista de origem inglesa no mundo cinematográfico de Hollywood.

Ao entrar a década de 1960, O’Neill alcançou projeção e se tornou um dos mais importantes fotógrafos do show bizz, clicando os maiores ícones do rock e também as grandes estrelas do cinema. Até a família real inglesa posou para sua pequena Nikon.

Ele mostrou Frank Sinatra com um revólver na cintura e depois rodeado de guardas-costas; David Bowie vestido de cigano com um cachorro gigante; os Rolling Stones na rua diante de uma carroça; Clint Eastwood lendo jornal na cabine de uma lancha.

É dele aquela imagem de Eric Clapton fumando no mato, com o violão recostado na perna; Elizabeth Taylor e Richard Burton fitando a câmera, a diva segurando o marido para que não escape; e o famoso close duplo em Terence Stamp e Jean Shrimpton.

Uma marca em muitas das suas fotos é a essência da provocação sem pedantismo, uma beleza sem complacência, como se o observador tivesse sempre a preocupação de expor apenas o necessário, ele é o motorista da cena e que não permite maiores intimidades.

Prestes a completar 76 anos, ele está ganhando como aniversário de 60 anos de estrada uma enorme exposição em Londres, sua cidade. Chama-se “The Best of Terry O’Neill” e está em cartaz na famosa Little Black Gallery, como uma autobiografia gráfica.

“Já fui convidado repetidas vezes para escrever minha biografia, com argumentos de que eu vi o melhor e o pior dos famosos, mas não me interessa ganhar dinheiro comercializando segredos alheios”, declarou essa semana à imprensa londrina.

Ele diz que deseja que as suas fotos “contem uma história” e “não que vendam uma história”. É o mesmo espírito de observador da cena sem o interesse mesquinho, como naquela noite remota de 1959 quando apontou sua máquina para um desconhecido.

A exposição foi organizada depois que Terry O’Neill afirmou cansaço para continuar e anunciou aposentadoria. O desejo de contar história já foi realizado, desde que museus de toda a Europa adquiriram fotos suas, como a National Portrait Gallery de Londres.

Livros já foram editados sobre sua arte, mostrando a contemporaneidade da sua juventude com o espírito irrequieto e criativo dos anos 60. Aos novos fãs, ele costuma repetir: “Eu, os Beatles e os Rolling Stones fomos jovens ao mesmo tempo”. (AM)

Arapongagem
A decisão da Justiça em julgar a ilegalidade das escutas telefônicas feitas pelo MP na operação que provocou a invasão do apartamento do ex-senador João Faustino, chega confirmando a máxima do tardiamento nas coisas do universo da deusa Themis.

Arapongagem II
Mas, não é só setores do MP que agem assim, grampeando e escutando antes para só depois pedir autorização judicial de busca e apreensão. No livro de Romeu Tuma Jr., ele denuncia que isso virou expediente comum nas polícias Federal, Civil e Militar.

Tuma na página 108
“Por que não abrem os arquivos da democracia deles antes de mostrar os da ditadura? Criaram um bunker: junta relatório de inteligência, faz gravação, deduz o que quer, resume o que quer, pinça palavras, textos, e guarda para a hora em que precisam”.

Indenização
Fosse eu da família de João Faustino, ou parente de Eleonora Castim, entraria com uma ação de indenização contra quem tirou a saúde e o sossego, mas diria ao advogado para tentar focar o processo nos autores do crime e não no Estado, que somos nós mesmos.

Rogério
A saída de Rogério Marinho do governo Rosalba Ciarlini não significa apenas que esta perdeu mais um partido na sua base de apoio, no caso o PSDB. O governo perdeu um dos quadros políticos e administrativos mais preparados do nosso cenário partidário.

Café com leite
Nas rodas políticas e empresariais de São Paulo e Minas Gerais circula uma conversa de que o PSDB poderá marchar com uma chapa puro sangue (devidamente apoiada por outros partidos) com Aécio Neves e José Serra, para garantir força nos dois estados.

Bolsa-crack
“A cidade de São Paulo se torna, assim, o paraíso dos traficantes e continuará a ser o inferno dos dependentes – mas, agora, em fase de estatização. É isto: a sede estatizante do PT chegou ao crack”. Reinaldo Azevedo, em seu blog no site da Veja.

Investimentos
Com uma das maiores áreas urbana e rural do estado, além de ser um dos cinco maiores universos eleitorais, a cidade de Macaíba está sendo administrada com recursos próprios, sem aporte nenhum do governo federal e longe da nossa classe política.

Apoio
Não tem sido poucas as vezes que o prefeito de Macaíba, Fernando Cunha (PROS), buscou apoio das lideranças políticas locais, principalmente Henrique Alves (PMDB) e Fátima Bezerra (PT), ambos muito bem votados por lá nas últimas eleições.

Atraso
O prédio onde funcionava a Poty Livros, na Felipe Camarão, está hospedando uma igreja, seguindo a trise sina dos históricos locais em que existiam cinemas e livrarias. Ainda bem que na Europa é o contrário, as igrejas dão lugar a espaços culturais.

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