Os efeitos da bebida alcoólica em pó e suas consequências no organismo

Álcool em pó para consumo não é novidade. A primeira patente de que se tem notícia data de 1964

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Guardar no bolso da camisa uma dose do drinque cosmopolitan, consagrado pelas quatro amigas do seriado Sex and the city, e carregá-lo para qualquer lugar sem risco de vazamento será possível dentro de poucos meses. Rum, vodca pura, margarita e mojito também serão lançados em versão de bolso. Essa é a ideia do Palcohol, mistura de álcool em pó com sabor, criada por um empreendedor britânico. Para preparar coquetéis coloridos, basta misturar o pó a uma garrafinha d’água, e chacoalhar com vigor. O gelo é opcional.

A venda da bebida em pó foi aprovada no Reino Unido e nos Estados Unidos no fim de abril. Desde então, a discussão em torno dos drinques está acalorada, principalmente entre os americanos. Alguns Estados tentam vetar a entrada do produto. Transformar uma bebida alcoólica em algo tão portátil e discreto, como um envelope com pó, é perigoso para todos, afirmam. Adolescentes podem querer cheirá-lo. Torcedores carregarão seus sachês de Palcohol para os estádios e, a cada gol, o risco de uma combustão nas arquibancadas aumentará. O Palcohol poderá ser usado para turbinar drinques sem o conhecimento do dono do copo, que ficará embriagado s sem se dar conta. A lista de preocupações é vasta.

O enólogo e empreendedor Mark Phillips teve a ideia de criar o Palcohol numa das trilhas de bicicleta que gosta de fazer. “Quando finalmente chegava a meu destino, queria relaxar com meus amigos, beber algo. Mas não dá para levar outra garrafa fora a de água”, diz. “Quis criar algo fácil de carregar.” Phillips buscou um químico para desenvolver uma fórmula de bebida alcoólica em pó instantânea. Para vender a mistura, criou a empresa Lipsmark. O bafafá foi tamanho que a Lipsmark publicou, em sua página da internet, uma lista de respostas para as dúvidas e contra-argumentos para os riscos apontados pelos americanos. “O barulho em relação ao Palcohol é absurdo. Ele segue todas as regras e restrições de outros produtos alcoólicos”, escreveu Phillips.

Antes de responder às críticas, Phillips tomou o cuidado de alterar a composição do produto. Aumentou a quantidade de pó misturado ao álcool, para eliminar um risco real: o Palcohol ser inalado. “Quem se aventurar a cheirá-lo queimará as narinas e, para conseguir o efeito similar a uma dose da bebida, levará uma hora inalando a substância”, diz. “É inviável.”  Toda a controvérsia gira em torno do Palcohol como produto para consumo direto. A invenção, no entanto, pode ter outras aplicações, da indústria farmacêutica à de automação.

Álcool em pó para consumo não é novidade. A primeira patente de que se tem notícia data de 1964. Foi registrada pelo americano Harold Bode. O produto não chegou a ser vendido. A americana General Foods (hoje Kraft Foods) foi mais longe. Sua versão do álcool em pó ficou nas gôndolas entre 1972 e 1974, quando parou de ser fabricada. De acordo com a própria Kraft, o pó produzia uma versão viscosa e doce demais das bebidas que tentava imitar. Exigia ainda uma quantidade grande de carboidrato para fixar o álcool. Isso comprometia ainda mais o sabor e a aparência da bebida. Os japoneses fizeram sua incursão pelo mercado do álcool em pó com o SureShot, em 1977. Ele era produzido pela empresa de chás Sato. Chegou a ser vendido em países europeus. A moda não pegou e, em cinco anos, o SureShot deixou de ser fabricado. O BoozToGo foi a versão em pó de álcool para beber que obteve maior sucesso na Europa. Criado por três estudantes holandeses de tecnologia, tinha teor alcoólico reduzido, de 3% (destilados como a vodca chegam a 40% de álcool por litro da bebida). Um envelope para o preparo de 200 mililitros saía por € 1. O mercado eram os adolescentes, até então liberados na Holanda para consumir álcool, a partir dos 16 anos. Hoje, o limite mínimo no país é de 18 anos. O site da BoozToGo está desativado, mas ainda há sachês à venda no site de leilões eBay.

Nos últimos anos, alguns produtos com base em ingestão de álcool por meio de vapor foram submetidos ao crivo da agência regulatória dos EUA. O Vaportini, uma espécie de martíni inalável, foi aprovado. Máquinas de vapor foram vendidas. Mas, antes de ser distribuídas, a aprovação foi revogada.

Depois de mais de 20 anos, o Palcohol é a primeira bebida alcoólica em sachês a chegar tão perto das gôndolas americanas. Por enquanto, a TTB, entidade americana que regula esse tipo de produto, recuou apenas em relação à embalagem. Faltavam informações nutricionais. Nada que chegue a retardar, ao menos até agora, a chegada do Palcohol a supermercados e lojas de conveniência em setembro. No próximo outono do Hemisfério Norte, o Palcohol já poderá aquecer americanos, ingleses e viajantes brasileiros.

 

Fonte: Época

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