Os idos traídos – Vicente Serejo

Nunca, Senhor Redator, um velho brocardo – o da pressa como inimiga da perfeição – caiu tão bem naquela hora…

Nunca, Senhor Redator, um velho brocardo – o da pressa como inimiga da perfeição – caiu tão bem naquela hora em que alguns dos maiores nomes do jornalismo brasileiro, soprados pelos ventos da euforia e da servidão voluntária, resolveram reunir em livro seus ensaios sobre o Golpe Militar de 64. Mal sabiam que, mais alguns meses depois daquele março, o que parecia uma vitória cívica sobre o perigo comunista se transformaria numa ditadura a prender, torturar e arrebentar até eles mesmos.

Quem tem na sua estante um exemplar do livro ‘Os idos de março e a queda em abril’, edição José Álvaro, Rio, impresso em maio de 1964, há exatos cinquenta anos – aqui está um deles – sabe facilmente entender o fato de ser raridade neste meio século depois. E compreender as circunstâncias, mas sem ser possível esconder um triste espanto diante dos textos de Alberto Dines, Antônio Callado, Carlos Castelo Branco, Cláudio Melo e Souza e Wilson Figueiredo, cantando loas ao golpe de 64.

Para medir e pesar, ainda que se desconte o excesso de rigor, é bom caminhar nas 153 páginas do livro de Juremir Machado da Silva, doutor em sociologia pela Sorbonne, lançado agora – ‘1964, golpe midiático-civil-militar’. O estampido provocado por sua análise, cinquenta anos depois de tudo, e diante de mortos ainda desaparecidos, mexeu com a paz de alguns dos seus autores, alguns vivos e atuantes, a ponto de provocar uma reação inquieta de Alberto Dines, ícone do jornalismo brasileiro.

Juremir não perdoa. Foi aos arquivos de jornais, retomou os dois mais raivosos editoriais do Correio da Manhã – Basta! e Fora! – reconheceu que depois o grande jornal carioca percebeu o erro que cometera quando viu que os generais não respeitariam as liberdades democráticas, mas expõe os textos com toda crueza diante da História. Mostra o papel do governo norte-americano financiando o golpe com instituições misteriosas garantidas por eles, cofre que pagou a derrubada de João Goulart.

‘Os idos de março e a queda em abril’ é um livro de quatrocentas páginas que reúne ensaios de Alberto Dines, Antônio Callado, Araujo Neto, Carlos Castelo Branco, Cláudio Mello e Souza, Eurilo Duarte, Pedro Gomes e Wilson Figueiredo. Tem um prefácio consagrador – acredite, leitor – de Otto Lara Resende para um livro que defende e justifica o Golpe de 64 e confere autenticidade por ter nascido num jornal, ‘no lugar adequado’ – e repete – ‘na redação de um jornal’, o Jornal do Brasil.

No seu ensaio, amparado por uma bibliografia testemunhal e histórica, Juremir Machado leva ao leitor não a acusação contra os apressados ensaístas daqueles ‘Idos de Março e a queda em abril’, mas não deixa de dissecá-los com o requinte de um bisturi afiado que expõe o desenho dos seus rostos ao sol da História. E mesmo ressalvando o arrependimento de alguns, a prisão de outros, a decepção de outros mais. Naquela hora a imprensa legitimou o golpe e do grande erro não pode fugir.

AVISO

Em 2013, pelo IBGE, população de Natal alcançou 850 mil habitantes. Se até 2016, ano das eleições municipais, chegar a um milhão, o plenário da Câmara Municipal passará de 29 para 31 vereadores.

CRISE

A reação de Agnelo Alves mostrou que o PDT pode ser o grande prejudicado no acordão do PMDB. É devastador, embora bem dissimulado, o avanço do PSB e PR nas bases garantidas a Agnelo Alves.

TEMOR

A presença do DEM, adversário do Planalto e onde já está o PSDB, é considerado por algumas fontes o erro mais danoso para caracterizar o acordão, mas há o compromisso antigo e formal de Henrique.

AGENDA

Ficou para este fim de semana a conversa do PMDB com o PSB numa mesa que vai tentar contornar a crise da traição velada contra o partido do prefeito Carlos Eduardo Alves. Uma conversa definitiva.

HISTÓRIA – I

O advogado e escritor Carlos Gomes conta a história de vida do seu irmão, o arquiteto Moacir Gomes da Costa. De quando pegou o Ita no cais da Tavares de Lira e só retornou a Natal já como arquiteto.

DETALHES – II

Autor de vários projetos, poucos sabem que na sua juventude, no Rio, ele foi lutador de teleket, aluno do matemático Malba Tahan, vizinho de Ataulfo Alves e conheceu bem o poeta Joaquim Cardozo.

ARENA – III

O livro também conta a história do Machadão, demolido, da Arena das Dunas com os dois inquéritos, hoje arquivados, e mais alguns bons detalhes que a opinião pública talvez não tenha tomado ciência.

DATAS

Em junho, há 90 anos, falecia Manoel Dantas; há 130 anos nascia Pereira Simões, engenheiro das obras do porto de Natal; e ainda há 130 anos nascia professor Celestino Pimentel, diretor do Atheneu.

ACORDO – I

Até o Tribunal de Contas fez um acordo com redução de valores para pagar atrasados da gratificação chamada ‘paletó’ a conselheiros aposentados, quando pagou aos da ativa na íntegra e de uma só vez.

DESIGUAL – II

Como direito, o ‘paletó’ tem gerado efeitos incompreensivelmente desiguais como ocorre no caso de procuradores aposentados que estão sem receber. O TC acaba não dando um bom exemplo de contas.

SOLIDÃO

José Maria Mayrink reuniu em livro as grandes reportagens que escreveu no início dos anos oitenta sobre a solidão nas ruas de São Paulo. A megalópole onde cerca de 300 mil pessoas vivem sozinhas.

CARTILHA

Publicado no Brasil ‘As idéias Conservadoras explicadas a revolucionários e reacionários’, ensaio de João Pereira Coutinho, o colunista da Folha. São oito capítulos escritos com erudição e simplicidade.

LUTA

Saiu, numa edição de bolso pela L&PM, as ‘Memórias do Esquecimento’, de Flávio Tavares, prêmio Jabuti em 2000 e considerado magistral por José Saramago, além de consagrado por Ernesto Sábato.

SEXO

Já nas bancas a edição especial da Super Interessante sobre ‘sexo, química, psicologia e sacanagem’. Um dossiê ousado que revela: a paixão tem o efeito de cocaína, mas o amor é de apenas um Rivotril.

ATENÇÃO

Deu na Super Interessante sobre sexo: prefira os franzinos, pois são mais leais e generosos na relação amorosa. E tenha medo dos atléticos. Muito medo. Eles são muito menos saudáveis do que se pensa.

GRAÇA

A edição de maio de Playboy sugere um tour gastronômico em Paris e revela a nudez de Amanda, a BBB que além de portentosa da cabeça aos pés não temeu mostrar ao mundo toda a sua graça. Ruiva.

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