Os Pestanas e o terrorismo do PT – Alex Medeiros

Por Reinaldo Azevedo Aloizio Mercadante, ministro da Casa Civil, confessou a esta Folha, em entrevista publicada na quarta-feira, que o…

Por Reinaldo Azevedo

Aloizio Mercadante, ministro da Casa Civil, confessou a esta Folha, em entrevista publicada na quarta-feira, que o governo segura as tarifas para controlar a inflação. Chamou tal prática de “política anticíclica”, o que certamente deixou de cabelo em pé economistas gregos e troianos, guelfos e gibelinos, liberais e desenvolvimentistas, carnívoros e herbívoros. A originalidade de seu pensamento econômico sempre foi assombrosa. Estou certo de que, ao fazer a revelação, experimentou no cérebro o mesmo frêmito que Pestana, a personagem de Machado de Assis de “Um Homem Célebre”, experimentava na ponta dos dedos quando sentia que a grande obra estava a caminho – a definitiva, aquela que o alçaria ao panteão dos gênios… E, no entanto, coitado do Pestana!, lá lhe saía mais uma polca. Seguiu até o fim da vida condenado a fazer… polcas!

O Pestana da Dilma julgou que estava tendo uma grande ideia: “Agora levo as oposições para o ringue, faço-as defender a correção de tarifas de combustíveis e energia, e a gente, em seguida, as acusa de inimigas dos pobres e de defensoras da inflação”. Ninguém caiu no truque porque é óbvio demais. E ainda restou a suspeita de que Mercadante estava no conto errado de Machado. Teria ficado melhor no papel de Simão Bacamarte, o médico de loucos, que não batia bem dos pinos. Quem teve de contestá-lo foi Guido Mantega, que, para incredulidade geral, negou que os preços estejam represados. A que extremos nos leva o petismo, não é mesmo? Entre a verdade indecorosa e a mentira decorosa! Nos dois casos, os propósitos não são bons. É um concerto de Pestanas.

No mesmo dia em que Mercadante derramou sua falta de sabedoria sincera, o PT levou ao ar uma peça publicitária infame, opondo um presente que não há a um passado que não houve: na gestão tucana, a fome, a miséria, o abandono e a desesperança resumiram o Brasil; no governo companheiro, o contrário. Uma voz cavernosa alerta: “Não podemos deixar que os fantasmas do passado voltem e levem tudo o que conseguimos com tanto esforço. Nosso emprego de hoje não pode voltar a ser o desemprego de ontem. Não podemos dar ouvidos a falsas promessas. O Brasil não quer voltar atrás”.

Eu poderia me estender aqui sobre o caráter essencialmente fascistoide desse entendimento da política, que busca excluir o outro do mundo dos vivos – Lula chegou a dizer que a “reeleição de Dilma será a desgraça da oposição” –, mas acho que esse aspecto perdeu relevância.

Depois de quase 12 anos no poder, o PT não tem futuro a oferecer. Por mais que o filminho de João Santana tenha as suas espertezas técnicas, a verdade é que a peça terrorista revela o esgotamento de uma mitologia, e tenho cá minhas desconfianças se o vídeo não será contraproducente, ainda que peças assim sejam submetidas previamente a pesquisas qualitativas.

A linguagem e a estética de esquerda repudiam, por natureza, o presente. Sem os amanhãs sorridentes, o dia que virá, a Idade do Ouro, como cobrar o sacrifício do povo, a sua mobilização, o seu ímpeto revolucionário, suas paixões sanguinolentas? Nas campanhas petistas de 2002, 2006 e 2010, o passado era demonizado, sim, mas o eixo estava num presente que mirava o futuro. Jamais me esquecerei daquelas grávidas descendo uma colina ao som do “Bolero”, de Ravel, cena que chamei, então, de “A Marcha das Rosemarys” – sim, referia-me ao filme de Roman Polanski. Na peça publicitária terrorista que foi ao ar na quarta, o eixo está num presente que contempla o passado, faccioso e fictício como sempre. Restou ao governo Dilma o discurso reacionário. O que aquelas grávidas tinham a dar à luz está aí.

Estou a antever a derrota de Dilma? Ainda não. Apenas evidencio que o PT não tem mais nada a oferecer. Se emplacar mais quatro anos de mandato, o país ficará refém da capacidade de planejamento e de administração de gestores e estrategistas como Aloizio Mercadante e Guido Mantega. Se a presidente for reeleita, são eles os portadores da utopia. E isso parece pavoroso. (RA, na Folha de S. Paulo)

Escândalo

O Estadão publica hoje que o relator da CPI da Petrobras, o petista José Pimentel, recebeu doação de R$ 1 milhão da empreiteira Camargo Corrêa, que está construindo a refinaria de Abreu e Lima (PE), aquela sob suspeita de superfaturamento nas obras.

Picaretas

É incrível a cara de pau do PT na prática constante de corrupção e nos esquemas anti-republicanos para tentar safar seus dissimulados dirigentes e cúmplices. Enquanto a CPI vira pizza, a publicidade enganosa da Petrobras queima milhões dos cofres do povo.

Peso

Ao dizer que Josef Blatter e Jerome Valcke são um peso em suas costas, a presidente Dilma Rousseff deveria endereçar melhor a reclamação. Afinal, foi seu guru, Luiz Inácio, quem insistiu com a FIFA para que realizasse a Copa do Mundo no Brasil.

Bate-boca

Não chamem para o mesmo café, pelo menos nas próximas 48 horas, os deputados Getulio Rego (DEM) e Kelps Lima (SDD). O primeiro descascou em cima do segundo, ontem, e com ironia o lançou candidato a governador, já “que tudo sabe resolver”.

Vergonha

A jornalista Thaisa Galvão publicou hoje cedo em seu blog que o médico Paulo Xavier, diretor do Hospital Infantil Varela Santiago, anunciou o fechamento da UTI neonatal, pela ausência de habilitação para receber verbas do SUS. Como diz Boris Casoy…

Desistência

Em sendo verdade que Fátima Bezerra poderia desistir da candidatura ao Senado para buscar a reeleição, a decisão não seria nada boa para o colega e aliado Fábio Faria (PSD). A coligação precisaria centrar força na chapa federal para eleger os dois.

Rejeição

O PMDB precisa agir diante dos comentários sobre supostos números que indicam alta rejeição ao nome de Henrique Alves. O boca à boca entrou pelas redes sociais com ares de veracidade. Nada melhor que uma pesquisa oficial para sepultar disse me disse.

Maluf e o PT

O Supremo determinou a repatriação de US$ 53 milhões que Paulo Maluf teria desviado da prefeitura de São Paulo para os EUA. Enquanto a grana não chega, o velho Salim prepara o anúncio do apoio ao petista Alexandre Padilha, como fez com Haddad.

Espião ilegal

Imaginemos uma instituição eficiente, de conduta ilibada e republicana, que nomeia para um cargo de extrema responsabilidade técnica e ética um profissional condenado exatamente por ferir a ética e sua missão técnica, num crime de falsidade. Aconteceu.

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