OS QUARTOS DE ALUGUEL DE SEU MIRO… – Bob Motta

Queridos leitores e leitoras do Cantinho do Zé Povo: Hoje falo totalmente na linguagem matuta, das brenhas maravilhosas, onde Papai…

Queridos leitores e leitoras do Cantinho do Zé Povo: Hoje falo totalmente na linguagem matuta, das brenhas maravilhosas, onde Papai do Céu me deu a felicidade de “VIVER” durante trinta e três anos da minha vida. Isso é uma ripitição na manhincença dêsse sábo, mode qui sintí sodade do meu querido amigo Nairon Barreto, o Zé Lézíin da minha amada Paraíba. E é recontando-lhes a minha emoção quando abri um dos seus shows, no Teatro Alberto Maranhão; qui abrando um pôco a sodade do amigo; a quem cunfesso qui inda num fui a ninhum duis seus shows no Teatro Riachuelo; mais num vai fartá oportunidade… O distino, dizia meu sardoso “AMIGO E MESTRE”, cum letra graúda, sim sinhô; Ramiro Pereira da Silva, Ramiro Capitão, de Lages-RN; “é uma coisa danada”!… Do jeito qui ais vêiz “incoloca a gente numa camisa de sete vara”, ôtas vêiz “incoloca nóis na porta do céu”, in questão de sigundo… Foi o qui acunteceu cum eu, quando tive a felicidade de arrecebê um presente de Papai do Céu. Foi a oportunidade atravéis do Produtô Curturá Alexandre Maia e do Cumediante Nairon Barreto, nosso Zé Lezíin da Paraíba; de abri cum meus poema matuto, o seu show no Triato Aiberto Maranhão; isso, antes do Teatrom Riavhuêlo ser inaugurado… Ali, no mêrmo Páico, adonde pisei pura premêra vêiz atravéis duis meus amigo William Colier e do finado Ispanta, a emoção chegô no meu peito e no meu coração véi chêi de remendo, e “fêiz iguá a paiáço de circo tumara qui num chôva”; deu seu recado bem derêitíin… O fela da gaita do Zé Lezíin, sem cumbiná porra ninhuma mais eu, quando eu tava decramando uis Bares e Cabarés de Natá Nuis Ano Sessenta, entrô no páico, de supetão. Eu fiquei mêi cunstrangido, achando qui já era mode eu saí, mais “o tróço” quis testá o coração do poeta matuto, dizendo:

– Ôxente ?! Qui é isso, rapaiz ?!Num vim tirá você do páico não, meu fíi; vim foi lhe assistí!…

E dixe mais uma ruma de coisa cum eu, qui num deu mode me sigurá não; quem tava nais premêra fila, tenho certeza qui “viu meu coração pegando fogo e a fumaça saindo puro canto duis meus zóio”… Mais, minha gente tudo aquilo qui Zé Lezíin falô, foi fruito da bondade do seu coração; a inzempro do qui falaro Danni Pacheco, Thaísa Galvão, Silvinha de Dotô Máico e Daniela Freire. Cumo dizia o sardoso Câmara Cascudo, eu digo in fóima de agradecimento a todos vocêis:

– Tudo qui vocêis falaro e respeito d’eu e de meu trabáio, ” pode inté sê mintira; mais qui é gostoso de uví, lá isso é”!…

E aqui, findando nosso papo dêsse sábo, repasso a quem num teve a oportunidade de ir ao Show, a istóra de “seu Miro” pai do personage “Vicente”, dando o referido crédito ao seu autor, o comediante Nairon Barreto, no seu maravilhoso personagem, Zé Lézíin. Seu Miro cunstruiu no quintá de sua casa, na periferia de uma cidade do interiô, “quato quartíin cum banhêro”, mode alugá e cumpretá seu sustento, junto cum sua apusentaduria. E alugô àis rapariga de um putêro novo da cidade. No cumêço, era tudo nuvidade, ais quenguinha ganhando munto dinhêro, pagava tudo derêitíin. Mais quando o putêro dêxô de sê nuvidade, ais bichinha cumeçaro a se aperriá e a atrazá o pagamento. No tercêro mêis qui elas num pagava, seu Miro, no vigô duis seus oitenta e seis ano de idade, chamô elas prá uma cunversa séra, lá mêrmo no quintá de sua casa:

– Minhas fía, é o siguinte; vocêis pagava tudo derêitíin, mais de uns tempo prá cá, num sei o qui foi qui acunteceu, qui “vocêis tão mijando prá tráis qui nem vaca”, e quem tá sofrendo é eu, qui preciso cumpretá meu sustento, duis meu remédio e da iscola duis minino, lá na cidade grande. O qui é qui vocêis tem a me dizê ?

Uma dais quenga, mais sevéigonha do qui ais ôta, falô purelas tudo:

– Seu miro, o negóço tá rim e a “carne mijada tá in baixa”! Lá no beréu, tem noite qui nóis fica só oiando prá cara uma dais ôta. Mais se o sinhô quizé, falô piscando o ôio; “o sinhô sabe qui nóis tem cum qui lhe pagá, num sabe, seu danadíin” ?…

Aí, seu Miro deu um pinote:

– Sabê disso, eu sei, né, minha fííííía; mais num dá certo prá mim, não; qui nuis meus oitenta e seis ano, “vocêis tem cum o qui me pagá, mais eu num tenho cum o qui arrecebê”!…

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