Os zumbis e os canibais
Por Bráulio Tavares
Escritor, poeta e compositor
Desde o manifesto antropofágico de Oswald de Andrade, na época das Semana de Arte Moderna de 1992, essa história de antropofagia passou a ser o argumento preferido de quem lida com a invasão da cultura estrangeira no Brasil.
O que dizia Oswald, em síntese? Que a melhor maneira de combater o inimigo não é apenas matando-o, mas matando-o e comendo-o. Não basta destruir; é preciso assimilar, pois NÃO podemos permitir que o inimigo desapareça sem nos deixar uma herança, um ganho substancial.
Essa metáfora veio recebendo diferentes leituras ao longo do século 20, e duas que me tocaram de perto foram a do Tropicalismo nos anos 1960 e a do Movimento Antropofágico da FC (formulado por Ivan Carlos Regina) nos anos 1980.
O problema é que quando dizemos que é preciso devorar e digerir a invasão estrangeira há quem imagine que a gente deva se transformar em consumidores compulsivos dela, engolindo tudo que o mercado nos oferece nas livrarias, nos cinemas, na TV. Nada disso, amigos!
Um canibal (leiam Hans Staden!) é o sujeito mais gastrônomo que existe. É mais exigente do que enólogo principiante, e mais detalhista do que gaúcho servindo churrasco para estrangeiros. Quem devora indiscriminadamente o que lhe chega ao alcance das mãos não é o canibal. É o zumbi.
O canibal escolhe o que vai devorar; não é qualquer prisioneiro que cumpre os requisitos. Os índios não devoravam os covardes, os que fugiam da batalha, os que se acovardavam e perdiam o amor próprio.
Faziam prisioneiros e os cultivavam durante semanas ou meses, não apenas para um ritual de engorda, mas também como uma preparação espiritual para o pseudo-combate (pois a execução implicava muitas vezes num desafio verbal entre o carrasco e o condenado).
Devorar o inimigo era absorver suas qualidades, sua bravura, seu caráter. Só se comia alguém a quem se admirava. Dizem que uma das coisas que salvaram a vida de Hans Staden foi o fato de que ele de vez em quando chorava e pedia para não ser morto.
O canibal escolhe, vai em busca, captura, guarda, devora ritualmente, faz uma festa. Sabe exatamente quem está devorando, e por quê. Rejeita uma vítima, se ela não lhe for apetecível.
Ou seja: ao “antropofagizarmos” o rock estrangeiro, a ópera, a arte de vanguarda, a ficção científica ou o que quer que seja, temos que ser igualmente exigentes, críticos, “gourmets”, porque o canibal é assim.
Já o zumbi é o contrário disso, ele mastiga e engole o que lhe aparecer pela frente. É o fã eufórico e ciumento, consumidor compulsivo, o imitador feliz, o re-comprador eterno, o acumulador de bugigangas, o mastigador de best-sellers. Canibal é outra coisa. (BT em sua coluna do Jornal da Paraíba)
O candidato do PT
Quando Renan Calheiros se declara candidato de José Dirceu e promete uma gestão ética no Senado Federal, é equivalente a um assaltante de banco ingressar numa quadrilha de traficantes prometendo que não vai enrolar maconha com cédulas de 100.
Sem obras
Todas as doze sedes da Copa 2014 não terão mais qualquer obra de mobilidade ligando os aeroportos aos estádios, tais como metrôs e VLTs, tão comentados em discursos demagógicos dos políticos que usaram o evento para amealhar votos em eleições.
Aeroporto
Não existe qualquer possibilidade do aeroporto de São Gonçalo estar pronto para receber voos durante a Copa 14, todas as promessas cairam no hangar das mentiras. A Infraero já alertou os comerciantes do Augusto Severo que lá será a porta das torcidas.
Pesquisa
É impressionante como jornalistas e políticos passam a tratar como verdade absoluta uma aferição temporã sobre eleições, quando os números que interessam mostram que 80% da sociedade não estão nem um pouco interessados no assunto.
Favoritismo
Comentário de um experimentado leitor de pesquisas, ontem numa roda à beira-mar: “Qualquer pesquisa hoje que não mostre o ministro Garibaldi Filho com mais de 20 pontos à frente do segundo colocado é apenas uma estatística de palpite”.
Aposentados
O ministro Garibaldi Filho é destaque na edição de hoje do Diário de S. Paulo, na reportagem sobre o aumento real acima da inflação para os aposentados no início de 2014, diferente dos 6,2% de aumento em 2013 equivalentes aos índices da inflação.
Nas redes
O caquético e folclórico ator José de Abreu, agora candidato a deputado pelo PT, recebeu o que merecia ao provocar o deputado e delegado da PF Fernando Francischini no Twitter. Abreu passa o dia inteiro defendendo as roubalheiras dos petralhas.
Pancada
E quando perguntou, com ironia, o que fazia da vida o deputado paranaense, recebeu de volta o seguinte post: “20 anos tirando droga das ruas e 2 anos combatendo gente como você”. Abreu andou em Cuba, onde foi bajular de perto o capo Luiz Inácio.
Estratégia
O deputado petista Paulo Pimenta (RS) está aproveitando estrategicamente a posição de vítima nos boatos sobre a Boate Kiss para o redimir no caso do encontro com o Marcos Valério numa garagem e que o fez renunciar à vice-presidência da CPI do Mensalão.
Chupada
O novo pôster oficial da Copa 2014 está recebendo críticas de publicitários e artistas gráficos, por exagerar nas “referências” com a logomarca da Unilever. O caso lembra a logo do governo Wilma, uma chupada feita em Pernambuco a partir de um catálogo.
Super-heróis DC
Em entrevista à revista Variety, o novo CEO da Warner Bros., Kevin Tsujihara, e o presidente Jeff Robinov deixaram claro que o sucesso do novo filme do Superman, dirigido por Zack Snyder, será determinante para a gravação de “A Liga da Justiça”.


