Ouvido não é pinico

É ponto comum, virou clichê atemporal, a assertiva de que a música é a linguagem universal (com a devida vênia…

É ponto comum, virou clichê atemporal, a assertiva de que a música é a linguagem universal (com a devida vênia dos matemáticos). A melodia, por tão invasiva, dispensa o verbo e o idioma e nos faz acatar auditivamente qualquer canção com letra medíocre.

Mas, a remota teoria está sendo contestada após a publicação no renomado jornal científico “Current Biology” de um estudo concluindo que a música não sensibiliza todo mundo, que há pessoas capazes de não sentir o menor prazer em ouvir uma melodia.

Segundo as pesquisas realizadas na Universidade de Barcelona, há bastante gente por aí que sempre prazer de diversas maneiras, mas não com música, uma condição recém detectada por cientistas e descrita como uma anedonia específica do gosto musical.

Anedonia, segundo o dicionário Houaiss, é a incapacidade de ter prazer ou divertir-se. Tal sintoma também está presente na neurastenia e na esquizofrenia. Por exemplo, eu conheço pessoas que não sentem prazer em pagar em dia o funcionalismo público.

Para o cientista espanhol Josep Marco-Pallarés, um dos responsáveis pelo estudo, a identificação desse tipo de indivíduo pode ser muito importante para entender as bases neuronais da música e ajudar na compreensão das notas que provocam emoções.

Pallarés e seus companheiros de pesquisa já haviam encontrado pistas sobre esta forma de anedonia após desenvolver um questionário para examinar as diferenças individuais nas preferências musicais, o que revelou alguns com baixa ou nenhuma sensibilidade.

Os estudiosos dizem que há várias explicações possíveis para tais insensibilidades musicais, como, por exemplo, o fato de que algumas pessoas não gostam de uma música porque sentem dificuldade em entendê-las, uma carência de nome técnico “amusia”.

Lendo hoje cedo a reportagem sobre a pesquisa dos cientistas catalães, eu não considerei tanto ineditismo no tal estudo. Meu argumento para tal reação é estritamente particular: porque simplesmente o colunista que aqui escreve também tem anedonia.

Caríssimos leitores, eu não estou mentindo nem inventando. Não sou blogueiro progressista, vocês sabem disso. Mas, nas últimas três décadas, eu não estou sentindo qualquer estímulo emocional ao ouvir os principais cantores e bandas da nova MPB.

Desde quando enterramos o rock nacional nos túmulos de Cazuza, Renato Russo e dos garotos do Mamonas Assassinas, uma produção assombrosa de coisa ruim baixou na indústria musical e jogou a MPB na vala comum do mau gosto e do som indigente.

Os primeiros sintomas da minha ausência de prazer na audição das “paradas” surgiram quando parei de ouvir rádio FM, ali por volta de 1989, na explosão do axé music das micaretas baianas e nos lamentos sertanejos das duplas oriundas de São Paulo e Goiás.

De lá para cá, meus ouvidos adquiriram um filtro sanitário e não deixam passar para o cérebro qualquer acorde dos hits que dominam os auditórios da TV aberta e os palcos e tendas das barulhentas festas que contratam essa legião de artistas popularescos.

Não compreendo essa marmanjada cantarolando e dançando ao som de Anita, Claudia Leite, Vanessa Camargo. Acho que seria mais proveitoso colocar tampões de ouvido e contemplar apenas as curvas das três, os peitos e bundas dignos de uma libido solitária.

Lembram daquele dia em que metade do Brasil telefonou e postou mensagens de texto em favor do cearense Sam Alves, no programa The Voice Brasil? Pois é, eu não vi a menor graça na voz e na postura de palco do moleque. Aliás, cadê o sucesso do rapaz?

Minha anedonia crônica anula espasmo emocionai positivo diante do forró plastificado parido no Ceará e que contaminou o Nordeste inteiro, numa violação musical ao legado de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Elino Julião, Sivuca e Dominguinhos.

O prazer é zero diante dos grupos de pagode que rebolam em palcos televisivos do Faustão, Gugu, Eliana, Raul Gil e similares. Emoção congelada ouvindo os babacas do funk e do hip-hop, aliás duas bostas que se confundem nas letras idiotas e incultas.

A Música Popular Brasileira vive uma crise de qualidade e inteligência há uns trinta anos. Os artistas que dominam a mídia, os preferidos pelo povo brega do Brasil, são de uma mediocridade esférica. Restam uns poucos, que a TV ignora na sua ignorância nacional. (AM)

 

Desvios

Quando é que o pessoal do Ministério Público irá dar uma melhor atenção às movimentações financeiras das Ongs que atuam no RN, principalmente aquelas na esfera da Grande Natal? Há grandes somas passando pelas contas bancárias de algumas.

 

Tráfego

É preciso que o MP fique de olho também nas generosas emendas parlamentares aprovadas em nome das Ongs. Pode haver mão dupla na verba pública, uma rotatória pecuniária que faz parte do dinheiro público voltar às mãos de políticos e partidos.

 

Voto desvinculado

O jornalista Ricardo Rosado pôs por terra a velha tese na imprensa local de que numa chapa majoritária um candidato menos popular puxa o companheiro para baixo. Desde 1986 (exceto 1998) nunca ambos venceram ou perderam, o eleitor sempre separa.

 

Amanda

O staff de Wilma de Faria (PSB) torce para que a vereadora Amanda Gurgel (PSTU) forme chapa com Robério Paulino (candidato ao governo pelo PSOL). A professorinha tem tudo para roubar valiosos votos de Fátima Bezerra nos movimentos sociais.

 

Sem risco

Uma candidatura ao Senado pode ser um bom exercício de avanço popular para Amanda Gurgel, já que não corre o risco de ficar sem mandato numa eventual derrota. Em recente pesquisa, seu nome apareceu com dois dígitos, logo atrás de Fátima (PT).

 

Federal

O jornalista Sávio Hackradt (PDT) é mesmo candidato a deputado federal com o apoio do prefeito Carlos Eduardo. Atual chefe de gabinete da prefeitura, SH tem tudo para navegar na onda de credibilidade do chefe, que tem mais de 70% de aprovação.

 

Federal II

Ninguém pense que Rogério Marinho (PSDB) está perdido no meio do tiroteio das alianças que estão sendo formadas. Como Aécio Neves será o opositor direto a Dilma Rousseff, RM correrá sozinho como representante número 1 do candidato mineiro.

 

Federal III

Quem testou a popularidade além das fronteiras de Natal foi o vereador Rafael Motta, candidato a deputado federal pelo PROS. Esteve nas principais folias do estado, onde comprovou que é um dos favoritos a ganhar um novo gabinete, agora em Brasília.

 

Luto

Jornalistas de diversos veículos, além dos independentes, prestaram solidariedade pelas redes sociais ao colega Dinarte Assunção, repórter político do Portal No Ar, que perdeu o pai num acidente automobilístico em Mossoró. O sepultamento foi ontem.

 

Inflação

Pelo cálculo do Natal Shopping, a inflação no Brasil realmente perdeu o prumo. O empreendimento aumentou em 25% o valor do estacionamento, que foi de R$ 4,00 para R$ 5,00. O Midway, maior shopping do estado, continua não cobrando o serviço.

 

Futebol

Mais uma rodada pelos campeonatos estaduais, quarta e ontem, registrando pela enésima vez um fiasco de público e renda em todo o Brasil. Nem a televisão consegue a velha audiência transmitindo as inúteis peladas dos obsoletos e ridículos torneios.

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    • Francinete Amorim

      Alex, eu não sabia o que é anedonia. Aprendi agora com você. Também ”sofro” dela! A única coisa que diferencio de você, são nas curvas e demais ”predicados” das cantoras.