Diabéticos convivem com falta de insulina no Centro Clínico José Carlos Passos

Abastecimento está irregular há mais de seis meses e, no momento, faltam medicamentos e insumos

Além da insulina, não tem lanceta, fita, algodão e o álcool específico. Foto: Arquivo
Além da insulina, não tem lanceta, fita, algodão e o álcool específico. Foto: Arquivo

Fernanda Souza
fernandasouzajh@gmail.com

Em plena preparação para a Copa do Mundo, onde a cidade virou um verdadeiro canteiro de obras, o cenário é de desolação na saúde pública do município. Mesmo com o decreto de calamidade pública na saúde por parte da Prefeitura do Natal – o que permite a contratação direta dos profissionais necessários à continuidade dos serviços e dispensa de licitação para os contratos de prestação de serviços e obras – na manhã desta terça-feira (7), no Centro Clínico José Carlos Passos, na Ribeira, diversas pessoas em busca de medicamentos, insumos e fraldas geriátricas voltaram para casa com mãos abanando, mas com indignação de sobra.

O funcionário público Nuremberg de Sousa é um dos exemplos de cidadãos já cansados com o descaso que vivem os dependentes da saúde pública.  Desde o início do mês, ele está em busca de insulina para a filha de 10 anos, que tem diabetes, mas não consegue a medicação. “Há três anos ela sofre de diabetes e recebemos o remédio pelo SUS. Desde junho do ano passado está faltando aqui um medicamento ou outro, e algum insumo, mas este mês não tem nada para diabetes. Além da insulina, não tem lanceta, fita, algodão e o álcool específico. Minha filha precisa tomar diariamente o Lantus”, disse.

Segundo o funcionário público, será necessário entrar na Justiça para conseguir a medicação. “Hoje mais uma vez não tem. Pedi uma declaração para levar ao advogado e eles não deram o documento, mas assinaram aqui a caderneta de controle dizendo que não consta o produto. O kit que minha filha precisa custa em média uns R$ 250 e só o refil de Lantus é mais de R$ 88. Tenho que recorrer ao 13º salário para tentar viabilizar, quando poderia dar um lazer para ela. É um sentimento de indignação. Vi na imprensa que a Prefeitura saldou suas dívidas, mas parece que estão tirando é dinheiro da saúde para usar nas obras da Copa do Mundo. Obras são para o cidadão da casa e não para inglês ver”, desabafou.

Já a aposentada Cilene de Silva também saiu do centro sem a insulina para sua filha de 23 anos, mesmo com uma liminar expedida pela Justiça. “Recebia o Lantus em refil, mas também já não recebo agulha há muito tempo. O que dão para a gente é uma seringa para puxar o refil, o que não é adequado. Há um ano também não recebo o Humalog. A primeira vez que entrei na Justiça foi há 15 anos, mas depois de um tempo acabaram perdendo a liminar e parei de receber a medicação. Minha filha chegou a ficar hospitalizada e ficou em pré-coma. Hoje mandaram eu procurar a Secretaria de Saúde ou vocês aqui da reportagem para tentar resolver. Disseram que não tem é nada e estou indo para casa com as mãos vazias”, disse.

A auxiliar de limpeza Cláudia Marcelino estava em busca de fraldas geriátricas para o esposo, mas também não conseguiu levar nenhuma unidade do produto. “Todo mês pego fralda para o meu marido, ele fez uma cirurgia. Pego vários pacotes, mas hoje não tem nenhum e vou ter que me virar. O custo mínimo desta fralda é R$ 10. Como cidadã me sinto lesada e tenho certeza que várias pessoas também”.

A reportagem d’O Jornal de Hoje tentou entrar em contato com o setor de distribuição de medicamentos e insumos do Centro Clínico José Carlos Passos, mas não foi autorizada a entrada da equipe. A assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde também foi procurada, mas até o fechamento desta edição não deu retorno às nossas solicitações.

Compartilhar: