Pacientes em macas e cadeiras lotam corredores do Hospital Deoclécio Marques de Lucena

Em meio à construção, pacientes são obrigados a ficar no corredor e conviver com barulho e poeira da obra. Foto: Heracles Dantas
Corredores lotados de pacientes em macas e cadeiras à espera de atendimento médico. O cenário comum ao maior hospital de urgência e emergência do Rio Grande do Norte, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, hoje também chega ao Hospital Regional Deoclécio Marques de Lucena, em Parnamirim, que é responsável por urgência e emergência de trauma-ortopedia e clínica médica. Na manhã desta terça-feira (8), 24 pacientes, sendo 12 de clínica médica e 12 de ortopedia, estavam nos corredores do Deoclécio. A situação ficou ainda mais complicada, pois os pacientes estão “internados” ao lado de onde está sendo realizada a reforma da sala de observação clínica e são obrigados a conviver, em meio à dor, com o barulho e a poeira da obra.
Além da superlotação, o Hospital Deoclécio Marques de Lucena também enfrenta outros problemas. Por falta de pagamento à empresa que é responsável pelo sistema de consultas, o Salux, a internet no Hospital foi suspensa desde esta segunda-feira (7). Pelo sistema são feitos os boletins de atendimento e os prontuários médicos, que hoje estão sendo feitos manualmente. No setor administrativo, a máquina de Xerox está quebrada. No final do ano passado, um impasse entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Parnamirim, suspendeu a entrada de pacientes na urgência e emergência clínica. O atendimento foi normalizado, pois os médicos do município retornaram a unidade, mas os técnicos de enfermagem não retornaram e o serviço está comprometido, pois os profissionais que a unidade dispõe estão trabalhando sobrecarregados.
O coordenador de Ortopedia do Estado, Jean Valber Rodrigues, disse que semana passada houve alguns problemas que interromperam a realização de cirurgias ortopédicas, pois a unidade teve problemas com o fornecimento de nitrogênio, que é importante para o funcionamento das furadeiras utilizadas nas cirurgias ortopédicas. “Hoje o atendimento está normalizado e oito cirurgias eletivas estão marcadas para o dia de hoje, além das cirurgias de urgência e emergência”, disse. Além dos doze pacientes no corredor, todos os leitos de enfermaria estão ocupados com 43 leitos ocupados.
No entanto, um antigo problema ameaça a realização das cirurgias no Deoclécio Marques de Lucena. Por falta de pagamento, que é de responsabilidade do Governo do Estado, a Lavanderia Sol ameaça recolher toda a rouparia. Hoje as cirurgias estão garantidas, pois a unidade dispunha de 30 campos (conjuntos de roupas necessárias para a entrada no centro cirúrgico). O Hospital encaminhou os campos para serem lavados na Maternidade do Divino Amor, em Parnamirim. A direção do Hospital trabalha para solucionar o problema, a fim de garantir a realização das cirurgias. Outro problema é que o Hospital Médico Cirúrgico também suspendeu a realização das cirurgias eletivas por conta de falta de repasse da Prefeitura de Natal. Apenas o Hospital Memorial está realizando as cirurgias.
A aposentada Maria das Dores da Silva, de 68 anos e do município de Montanhas, sofreu uma queda na manhã do domingo (6) e desde então aguarda atendimento em uma maca ao lado da sala de observação clínica que está passando pela reforma. Ela conta que além das dores, está sendo obrigada a conviver com o incômodo ocasionado pelo barulho da construção. “Além de termos que ficar numa situação incômoda como esta, sentindo dor, sem perspectiva de quando realizarei a minha cirurgia, não podemos nem dormir direito, pois o barulho é horrível e sem falar na poeira. A situação não está nada boa aqui e ainda dizem que o Walfredo Gurgel é ruim. Quem diz isso é porque não conhece isso aqui”, desabafou a aposentada.
O estudante Daniel de Freitas, 21 anos, sofreu um acidente de moto na última sexta-feira (4) e quebrou a perna em dois locais. Ele conta que ainda não marcaram a cirurgia, e teme que passe muitos dias para realizá-la. “As pessoas contam que as cirurgias aqui demoram muito, chegam a esperar até um mês, dependendo do caso. Meu medo é que essa situação piore e que dificulte cada vez mais a recuperação. Além disso, preciso retomar minha vida”, disse o estudante.
A enfermeira e assessora técnica da direção do Hospital, Elizabeth Carrasco, conta que a reforma dos leitos de retaguarda clínica do Deoclécio, que faz parte da portaria de urgência e emergência, deve ser concluída em 15 dias, para retirar os pacientes que estão nos corredores. Mas que a reforma geral, que deve abranger o setor de politrauma, porta de entrada do Pronto Socorro e a ampliação geral, só deverá ser iniciada no segundo semestre deste ano. Em relação à lavanderia, a diretora Nilzelene Carrasco se reunirá hoje à tarde com a direção da Lavanderia Sol para resolver esse problema.
As obras do Hospital Deoclécio Marques de Lucena fazem parte do Plano de Enfrentamento da Urgência e Emergência da Saúde do Rio Grande do Norte. Além do Hospital em Parnamirim, outras 12 unidades estão passando por reforma. A perspectiva do Governo é que no mês de março, a primeira fase das obras seja concluída. Ao todo, foram R$ 38 milhões investidos, sendo R$ 25 milhões do Ministério da Saúde e R$ 13 milhões do Governo do Estado, para reforma, restauração, ampliação e equipagem dos hospitais.
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