Pacientes internados no Setor de Reanimação do Walfredo Gurgel esperam vagas na UTI

Pouca coisa mudou um dia após a interdição ética do setor de reanimação do Pronto Socorro Clóvis Sarinho do Hospital…

Pouca coisa mudou um dia após a interdição ética do setor de reanimação do Pronto Socorro Clóvis Sarinho do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, feita pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (Cremern), para o recebimento de quem precisa de leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Dos seis pacientes que estavam internados ontem, quatro ainda permanecem na Unidade de Emergência à espera de uma vaga em leitos. O diretor técnico do Hospital, João Batista de Souza Rabelo, concordou com a intervenção ética do setor e disse que irá publicar, ainda hoje, uma portaria proibindo o internamento de pacientes que necessitem de cuidados de UTI no setor de Reanimação.

“Desde ontem, quando fomos notificados, estamos nos reunindo com os diversos setores do Walfredo Gurgel e estudando algumas medidas para serem tomadas com o objetivo de minimizar os efeitos dessa interdição. Concordamos com a intervenção do Conselho e acatamos a decisão. O problema é que continuamos sem diretor geral, diretor clínico e diretor de pronto socorro, mas mesmo assim estamos tentando solucionar os problemas e já publicaremos a portaria estabelecendo algumas medidas que serão tomadas”, destacou João Batista de Souza Rabelo.

Dentre as medidas que serão tomadas, o diretor técnico conta que já entrou em contato com o coordenador do Samu Metropolitano, Luiz Roberto Fonseca, que também é coordenador estadual de Urgência e Emergência do RN, para que seja feita a triagem, cada vez mais rigorosa dos pacientes, para que o Samu não envie mais pacientes entubados ao Hospital sem a garantia de vagas.

“É necessário que seja feita uma triagem cada vez mais rigorosa, para que o paciente não venha pro Walfredo Gurgel. Isso não resolve o problema em definitivo, mas dá uma melhorada. Muito se fala em vaga zero, quando qualquer paciente com qualquer patologia, de urgência e emergência como é o caso do Walfredo, tenha que ser atendido na instituição de saúde, mas não consigo entender vaga zero sem assistência”, disse.

Além disso, João Batista de Souza Rabelo irá conversar com o presidente do Cremern, Jeancarlo Fernandes, para solicitar que os pacientes que já estejam internados no Hospital e tenham o quadro de saúde complicado, precisando de cuidados de uma “mini UTI”, possam permanecer na sala de reanimação enquanto não surja uma vaga de UTI. “Vou pedir que a Unidade de Gerenciamento de Vagas do Hospital me encaminhe diariamente, por escrito, porque o paciente está lá e de onde ele é, para que possamos ter ainda mais controle sobre a situação. Enquanto isso, estamos procurando leitos de UTI para fazer a transferência”, conta o diretor. Caso descumpra a decisão do Cremern, será aberto um processo ético disciplinar contra o diretor técnico do Hospital Walfredo Gurgel, João Batista de Souza Rabelo.

Por decisão do Cremern, o setor de Reanimação não poderá receber novos pacientes e acomodá-los em leitos improvisados de UTI. A Resolução 003/12, do Cremern, que estabelece a interdição ética do exercício profissional no setor de reanimação do Pronto Socorro Clóvis Sarinho foi  aprovada na noite de segunda-feira (7) e encaminhada ontem à tarde, à secretária interina da Saúde Pública Estadual, Dorinha Bularmaqui, ao diretor Josenildo Barbosa, e às promotorias de Justiça da Saúde, do Ministério Público Estadual.

Na resolução, o Cremern determina providências a serem adotadas na Unidade de Emergência, entre elas, manter médicos qualificados na unidade para dar assistência nas 24 horas, reparar ou adquirir camas específicas para substituir as sucateadas, manter reserva de, no mínimo, dez por cento dos equipamentos e reabastecer a unidade de medicamentos, principalmente de antibióticos.

Com a decisão do Cremern, a Sesap terá que providenciar, nos próximos dias, leitos de UTI, seja na rede pública ou privada, para a transferência desses pacientes, e passar a utilizar a Unidade de Emergência para seu fim específico, que é a reanimação do paciente. “Em momento algum, essa unidade era para ter pacientes graves com necessidade de UTI internados. A rigor ela não deve ter leito de internação, ainda mais se não tem médico 24 horas ou mesmo um técnico”.
A assessoria de imprensa da Sesap informou que técnicos da Secretária estiveram na manhã de hoje no Hospital para começar o processo de readequação da Sala de Reanimação e providenciar o abastecimento de insumos para que as atividades do setor não tenha descontinuidade.

Compartilhar: