Padre Nunes: “População está cansada de baixaria na política do Estado”

Pároco de Neópolis condena postura de agressão na campanha eleitoral

Padre Nunes afirma: “Queremos saber o que cada um deles vai fazer, quais as propostas, se são viáveis e concretas”. Foto: Divulgação
Padre Nunes afirma: “Queremos saber o que cada um deles vai fazer, quais as propostas, se são viáveis e concretas”. Foto: Divulgação

Vem sendo frequente durante o processo eleitoral, políticos, correligionários e até mesmo parte dos eleitores agindo de forma radical ao trocar o debate pela troca de acusações e baixaria. Contudo, para algumas lideranças religiosas e influentes da cidade, o pleito de 2014 terá de adquirir novos contornos para conseguir mobilizar a população. “População está cansada da baixaria na política. O que nós esperamos é que não usem um discurso de acusações e parem de ficar olhando no retrovisor para os erros do passado”, diz o padre Antonio Nunes de Araújo, pároco de Neópolis e um dos mais atuantes sacerdotes da capital.

Para o Padre Nunes, o que interessa durante as eleições é a discussão das propostas, a apresentação de ideias viáveis e concretas e não a troca de acusações e a baixaria. “Queremos saber o que cada um deles vai fazer, quais as propostas, se são viáveis e concretas, onde buscar recursos e esse tipo de questão. Quando você está à frente de uma comunidade, você sente o clamor da população por algo novo e não pela troca de acusações de sempre. O povo quer a palavra com credibilidade”, complementa.

Um dos motivos, na perspectiva do sacerdote, para o desencanto com a política por parte da população, principalmente dos jovens, é a repetição de disputas recheadas de radicalismo e troca de acusações. “O que percebemos é um descrédito cada vez maior da política frente ao povo, aos jovens, por conta da repetição desse tipo de briga que só interessa aos políticos e não se avança na discussão das questões básicas para a população, como saúde, educação, segurança, etc”, lamenta.

O padre Nunes acredita que uma eleição é um momento de esperança, um momento para discutir o futuro da comunidade. “A eleição é um momento de esperança e é aí onde entra a dimensão da fé. Não podemos ficar presos ao passado, trocando acusações sobre família a, b ou c. Podemos fazer diferente”, acredita, dizendo em seguida que o passado precisa ser encarado com sabedoria e não com grosseria. “O que tiver havido de errado no passado é preciso ser encarado como um degrau para o acerto, para uma melhoria, para avançar”, aconselha.

Um olhar diferenciado precisa ser direcionado, segundo o padre, para as redes sociais. Em muitos momentos, a saudável discussão em meio como twitter e facebook acaba virando baixaria e troca de grosserias. Nesses espaços, muitas vezes, militantes dos partidos e candidatos publicam discursos radicais e grosseiros, de ataque aos adversários. Esse é um uso, para Padre Nunes, errado de uma ferramenta capaz de trazer benefícios para a democracia.

“Esses novos meios têm um potencial enorme para formar a consciência crítica. São ferramentas importantes para a política e para a democracia e por isso não podemos utilizar esses espaços para ficar jogando pedras”, aponta. E acrescenta: “Eu totalmente abomino a utilização das mídias sociais para a grosseria, para a fofoca, para qualquer tipo de agressão”.

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