Padronização das feiras livres da capital potiguar caminha lentamente

Produtos são mal acondicionados e não têm refrigeração

esmo em período de Defeso, o caranguejo Uçá continua sendo vendido livremente na Feira do Alecrim. Foto: Wellington Rocha
esmo em período de Defeso, o caranguejo Uçá continua sendo vendido livremente na Feira do Alecrim. Foto: Wellington Rocha

Marcelo Lima

Repórter

A padronização das feiras de Natal avança, mas a passos lentos. Pelo menos, é essa a impressão da maior parte dos feirantes e consumidores. Um dos impasses gira em torno da refrigeração de peixes, carnes e frios, já que os comerciantes dizem não poderem pagar por balcões refrigerados. Ao lado deles, os clientes reclamam da falta de higiene.

Mais de dez anos como feirante foi tempo suficiente para Ivanete da Silva ouvir diversas promessas de melhoria das feiras de Natal. Ela trabalha em quase todas como vendedora de carne – exceto nas feiras das quintas e sextas-feiras. “Agora o balcão é só conversa. Mas seria uma bênção. Você ver que só em mudar essas lonas já aumentou o movimento de pessoal”, analisou.

No entanto, a Prefeitura diz não poder arcar com esses custos. “Eles falaram que a gente tem que se organizar para comprar, mas a gente não tem dinheiro nem meio de transporte para ficar levando e trazendo esse balcão pras feiras”, comentou a feirante de 55 anos de idade.

A atual gestão da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) elevou o nível de padronização das feiras. Na gestão anterior, a simples colocação de lonas para proteger clientes e comerciantes da chuva e sol já era o suficiente para ser considerada uma “padronização”.

No Alecrim, a feira conta com pórtico de entrada, limpeza freqüente, corredores de alimentos sinalizados e banheiros, desde 2013. Mas para Ivanete, ainda há muito o que melhorar. “No início era mais organizado, mas começaram a bagunçar”, disse apontando para a banca ao lado que vendia feijão e não deveria ficar próxima às carnes e peixes. “Tem lugar aqui que a gente trabalha entre uma banca de roupa e outra. Está ficando muito desorganizado”, acrescenta a feirante.

A vendedora de carnes diz que a feira possui fiscais da Semsur circulando, mas não vê resultado da ação deles. “Tem aquele pessoal com carro de som que fazem poluição sonora. Até já veio uma pessoa falar com a gente sobre isso aqui, mas foi mesmo que nada. Eles não respeitam nem os fiscais”, contou.

A dona de casa Maria da Luz, de 50 anos, é cliente antiga da feira do Alecrim. Apesar de comprar carne no lugar, não gosta da higiene. “Costumo comprar há muito tempo numa banca só. Uma vez eu quis trocar porque a carne estava com mal cheiro e o feirante fez confusão pra trocar”, disse, explicando a estratégia para não ser vitimada por um produto estragado. No corredor das carnes, peixes e frios as moscas e o mau cheiro chamam mais atenção do que os preços dos produtos.

Os comerciantes do Mercado das Rocas passam por uma situação ainda pior. De terça a domingo, eles estão alojados no espaço da feira das Rocas ao lado do mercado. Não há banheiros químicos nas proximidades. Segundo o comerciante Francisco Xavier de Oliver, também não há limpeza nem segurança no local. “Nunca veio um vigia olhar isso aqui. Colocaram o banheiro e depois tiraram. O cabra tem que mijar escondido”, reclamou.

De acordo com a assessoria de comunicação da Semsur, as bancas refrigeradas começaram a ser instaladas na feira das Quintas dentro do prazo de 60 dias. Ainda segundo a assessoria, a implantação desses equipamentos foi recomendação do Ministério Público. Os aparelhos serão pagos pelos banqueiros (donos das bancas alugadas para os feirantes). O valor unitário de cada um será R$ 1.800.

CARANGUEJOS PROIBIDOS SÃO VENDIDOS

Mesmo em período de Defeso, o caranguejo Uçá continua sendo vendido livremente na Feira do Alecrim. O ponto de concentração dos comerciantes é o cruzamento da Avenida Presidente Quaresma com a Rua dos Caicós. É por lá que o comerciante Francisco Targino Filho vende sua mercadoria conseguida em Arez e Canguaretama.

Embora ele diga ter uma “ordem” do Ibama para vender, o comerciante não a apresentou para nossa equipe de reportagem. Embora a espécie ainda não esteja em extinção, há um excesso de capturas do caranguejo da natureza. Além da captura ser proibida no período do defeso, o transporte, comercialização e estoque ou beneficiamento tem restrições como a largura da carapaça e a restrição de fêmeas – só pode ser feito com uma declaração do órgão de defesa ambiental. O período de defeso, que foi divido em quatro ciclos, começou no mês de janeiro e segue até cinco de abril.

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