Pai de santo acusado de pedofilia diz que estava “possuído”

Ele alegava ter mantido relações sexuais e afetivas com elas em encarnações passadas

Na delegacia, o acusado negou os crimes e disse que nem tinha ciência dos fatos. Foto: Reprodução / TV Record Brasília
Na delegacia, o acusado negou os crimes e disse que nem tinha ciência dos fatos. Foto: Reprodução / TV Record Brasília

O pai de santo de 47 anos preso nesta segunda-feira (24) acusado de pedofilia dizia às vítimas que era “possuído por uma entidade”, segundo informações da delegada Valéria Martirena, chefe da DPCA (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente), onde o caso está registrado.

O homem é acusado de estuprar duas meninas, uma delas com menos de 14 anos. As vítimas frequentavam os rituais religiosos que eram realizados na casa dele, no Guará (DF). De acordo com as investigações, o pai de santo se aproximava das jovens com a desculpa de que eles teriam tido relações em vidas passadas.

— Ele usava o artifício da religião. Dizia que essas meninas eram Wilcas e que ele era possuído por uma entidade que teve relacionamento sexual e afetivo com ela em encarnações passadas e em razão disso elas teriam que manter as relações sexuais nesta encarnação.

Os estupros aconteciam em horários diferentes das reuniões. Um dos casos ocorreu na própria residência da vítima. Para a delegada, os abusos eram cometidos desde 2012.

— Nós temos a denúncia de várias vítimas. Algumas não chegaram a confirmar a violência sexual sofrida por temerem a reação das entidades e por acreditarem no que esse pai de santo pregava, de que elas poderiam sofrer algum mal por isso.

A polícia chegou ao agressor depois que a mãe de uma das vítimas descobriu os abusos. As adolescentes passaram por exames no IML (Instituto Médico Legal), que confirmaram que os estupros eram antigos.

O acusado foi preso na casa onde mora com a mulher e dois filhos. Ele vai responder por estupro de vulnerável, no caso da vítima menor de 14 anos, e estupro mediante fraude pela vítima de 17 anos.

Somadas, as penas podem chegar aos 21 anos de prisão. Na delegacia, o pai de santo negou as acusações.

— Não fiz nada de errado. Não tinha nem ciência desse fato.

Mas essa afirmação não convenceu a delegada, que acredita ter provas o suficiente para comprovar os crimes.

— Os estupradores sempre negam. Eles quase nunca confessam porque sabem que é um crime que tem uma repulsa social muito grande.

 

Fonte: R7

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