Pais esperam por justiça antes do encontro com o assassino da filha

Jovem foi assassinada brutalmente pelo marido na frente da filha de apenas 3 anos. Acusado é conhecido como 'monstro da colônia'

Os pais, ao lado do irmão da vítima imploram por Justiça. Eles temem que o crime fique impune. Foto: Wellington Rocha
Os pais, ao lado do irmão da vítima imploram por Justiça. Eles temem que o crime fique impune. Foto: Wellington Rocha

Um crime brutal que abalou uma família e que agora está próximo de ter um desfecho. No dia 18 de novembro de 2013, Karla Patrícia Mesquita foi morta dentro de casa, na Colônia de Pium, em Parnamirim, por golpes de faca. A filha do casal, de 3 anos, presenciou toda a cena. O acusado pelo assassinato é Leandro Félix Ferreiro, ex-marido da vítima, que teria cometido o ato por não aceitar a separação de Karla.

Nesta quarta-feira (9), acontecerá a primeira audiência do caso, que terá Henrique Baltazar como juiz. Nas vésperas de ficarem frente a frente com Leandro pela primeira vez desde a morte da filha, o pai de Karla, Francisco Damião Holanda, de 40 anos, espera por justiça. “O que nós queremos é que ele não fique impune. Queremos justiça. Ele destruiu a nossa família e queremos que ele pague por esse ato”, afirmou. A mãe de Karla, Maria Jorge Mesquita, de 39 anos, que sempre se emociona ao lembrar da filha, espera que o acusado pegue a pena máxima. “Eu espero que ele fique na cadeia pelo resto da vida. A minha filha era meu tudo. Ela era meus braços e minhas pernas. Ele destruiu minha vida”.

Além de ter matado Karla Patrícia, Leandro Ferreiro também teria tentando assassinar o irmão da vítima, Diego Mesquita, de 18 anos, que estava no local onde tudo ocorreu. “Quando ele apunhalou a minha irmã, ele saiu correndo e veio para cima de mim. Ele ainda tentou me apunhalar, mas eu consegui desviar. A faca ainda rasgou a minha camisa. Um amigo meu, que estava lá, também me ajudou e eu consegui escapar”. Também emocionado, Diego lembra bem do momento em que viu a irmã toda ensanguentada. “Quando o Leandro fugiu, eu tentei correr atrás dele. Porém, minha irmã me chamou e disse que eu não fosse correr atrás dele. Que eu deveria ficar lá para ajudá-la, pois ela estava morrendo”.

Leandro conseguiu fugir do local e se entregou cinco dias depois. Dia em que a família descobriu que ele já vinha ameaçando Karla há mais tempo. “Ela tinha feito uma denúncia contra ele, pois ele a estava ameaçando. Nós não sabíamos disso. Mas já suspeitávamos”, lembrou Francisco Damião. A suspeita da família era principalmente por alguns machucados que Karla costumava apresentar. “Ela nos falava que tinha caído da escada, essas coisas. Nunca nos falou que era ele que batia nela. Depois do ocorrido, pessoas próximas de Karla nos falaram que ele sempre ameaçava ela. Principalmente depois da separação. Ela tinha se separado anteriormente, mas tinha voltado”, disse Maria Mesquita.

A mãe ainda recordou a última conversa que teve com a filha, quando “pressentiu” que algo ruim iria acontecer. “Ele me ligou perguntando se eu tinha sentido alguma coisa estranha, pois ela tinha sentido alguma coisa. Ela disse que iria me encontrar no final do expediente. Mas ela não veio. Eu logo soube que ele (Leandro) tinha matado minha filha. Aquilo é um monstro”.

Além da filha que está próxima de completar quatro anos e que presenciou toda a cena de Leandro matando Karla, a vítima também deixou um filho de pouco mais de um ano. As crianças agora são criadas pelos avós e são uma lembrança constante de Karla. “A menina, que vai completar quatro anos, se parece muito com ela. Ela está sendo atendida por uma psicóloga. Ela fala que a mãe está no céu. Nós sabemos que ela entendeu tudo o que aconteceu. Ela está traumatizada, tanto que ela nunca pergunta do pai. É muito difícil para nós, mas sabemos que precisamos ser fortes por eles”, finalizou Francisco.

Compartilhar: