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Pão e circo

Data: 05 março 2013 - Hora: 18:00 - Por: Vicente Serejo

Só dois nomes petistas poderiam disputar de verdade as eleições majoritárias do ano que vem: Fátima Bezerra e Fernando Mineiro. Mas, em ambos, o fantasma é o mesmo: não disputam pondo em jogo o exercício do mandato. O PMDB, principal aliado petista, sabe disso. E é por isso mesmo que só com Garibaldi ou Henrique Alves para o governo um deles arriscaria disputar a vaga do Senado. Tem sido assim ao longo das eleições municipais. Vão às ruas, mas com o mandato guardado na gaveta.

O PT pode até explicar esse medo que domestica seus ímpetos e abranda seus arroubos, mas no fim é a causa de sua atrofia. Ao longo de vinte anos é um partido de dois nomes com caudatários que aqui já formam uma massa de razoável magnitude. Ainda assim, se atrofiam na medida em que nunca o partido oferece alternativa com chance real. Aninhou-se sob as asas dos seus dois deputados como se fossem seus donos ou gerentes distribuindo o bônus de cargos federais e estaduais aos mais íntimos.

Algum petista mais obediente há de dizer que esse modelo não é diferente dos outros partidos. É uma verdade. No PMDB o senador Garibaldi Filho elegeu o pai, o filho e um sobrinho, e indicou um irmão e um cunhado para altos cargos no Tribunal de Contas, pra não citar o exemplo mais copioso, e nem por isso deixou de ter mais de um milhão de votos na sua mais recente recondução ao Senado. E tudo isto diante de um país em ebulição política renovando os métodos, costumes, vícios e tradições.

Parece até que o coronelismo apenas mudou de rosto e rejuvenescido sem se renovar, voltou às suas práticas oligarcas de grupos familiares. Na política provinciana quem detém o mando também detém a capacidade de reprodução desse mando, mas com perdas de qualidade. Filhos não são sucessores naturais, mas herdeiros de um espólio. Por isso chegam à vida pública despreparados para o exercício dos mandatos, mas é como se filho de poderoso tivesse que ser poderoso a qualquer preço.

Daí o empobrecimento do quadro político como é o caso do Rio Grande do Norte que depois da oligarquia Albuquerque Maranhão caiu num novo jogo de sobrenomes e do qual não se liberta há mais de cinquenta anos. Não há renovação, mas simples troca de guarda. O método se mantém o mesmo, com os mesmos cacoetes, gerando ou alimentando as mesmas riquezas nascidas de negócios estatais e não da conquista por competência, para não falar nos contratos concedidos no campo da politicagem.

Desta vez, pois, não há terra à vista como viu a esquadra de Pedro Álvares Cabral diante dos sinais de um achamento que seria a descoberta do novo mundo chamado Brasil. Estamos confinados à mediocridade dos nossos próprios limites, e não há o que fazer. Tem sombra, água fresca, floresta com homens e bichos, num paraíso dionisíaco. Se nos proibiram o olhar apolíneo e nós sequer notamos, paciência. Agora é esperar que um dia venha a exaustão desse pão e desse circo que nos dão de comer.

 

MODELO – I
O PT é um partido feito para os cientistas entenderem: de um lado quer expulsar os petistas que estão na equipe do prefeito Carlos Eduardo Alves, mas de outro lado leva José Dirceu para visitar o alcaide.

ALIÁS – II
Segundo o olho de gato de alguns leitores desta coluna, se o corpo fala, não pareceu tão confortável assim o prefeito Carlos Eduardo Alves recebendo no gabinete a visita de um condenado do Mensalão.

PANO – I
A reativação do chamado conselho político, na reunião de Brasília, não reativou no PMDB, segundo as fontes rosalbistas, nenhum espírito altruístico de servir ao Rio Grande do Norte e ao seu pobre povo.

ESPAÇO – II
Os pemedebistas dizem que não, mas querem espaço. No governo, há a tese de que a manchete do JH inibiu os aliados quando expôs que eles desejavam recursos hídricos, agricultura e o programa do leite.

MAIS – III
O governo, por sua vez, topa ceder convencido de que ao longo do ano terá liberação dos empréstimos junto aos bancos Mundial e do Brasil, somando quase dois bilhões e dando-lhe elevado poder de fogo.

JOGO – IV
O governo acha também que Henrique Alves deseja ser candidato à reeleição para a renovação de mais dois anos como presidente da Câmara e que o senador Garibaldi Filho não pretende voltar ao governo.

SERÁ? – V
Aliás, os rosalbistas são muito mais simples e diretos do que se pensa em matéria de argumento para a convicção de quem ouve: se o governo estiver forte com poder econômico recuperado o PMDB recua.

BRASIL
As belas pernas da atriz global Ísis Valverde, num short curto e muito sensual, causaram frisson num barzinho do Rio. Houve quem defendesse tombamento pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

CERTEIRO – I
O vereador Hugo Manso discute amanhã, quarta, às 10h, em audiência pública, na Câmara Municipal, a criminalização e a violência policial dos movimentos sociais. Como no caso do carnaval da Redinha.

ABAFAR – II
Apesar da escancarada determinação de nada apurar, a agressão policial no episódio do bloco ‘Baiacú na Vara’, disparou a atenção de Hugo Manso. Antes que a impunidade vire uma garantia da repressão.

PRESSÃO
É dos cardeais brasileiros, segundo afirma o jornal El País, a maior pressão para o Vaticano revelar ao mundo os segredos do relatório de trezentas páginas confiado, sob segredo pontifício, ao futuro Papa.

ANTES…
No princípio o verbo se fez poder na granja Emaús e no estilo curial. Era a ‘Manhã de recolhimento’. Depois, passou ao restaurante Camarões com o nome de Clube do Poivre, modelo Ulisses Guimarães.

…HOJE
As reuniões estão muito mais discretas e protegidas pelo silêncio do Seminário São Pedro. É lá a nova sede do ‘Pentágono’, sob a presidência de D. Heitor Sales, arcebispo emérito. Todas as quartas-feiras.

LIVROS
Quinta-feira Natal terá dois lançamentos agitando a cidade: no Solar Bela Vista Paulinho Araújo lança o seu ‘Como se fossem letras’. E na Saraiva do Midway Francisco Cavalcanti autografa O Violoncelo.

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