Para castigar alunos, escola proíbe beber água e ir ao banheiro por 4 horas

Os fatos vieram a público por meio do ex-chefe da Divisão de Infância e Juventude da cidade Leandro Amaral

Alunos eram obrigados a fazer a limpeza da sala. Foto:Divulgação
Alunos eram obrigados a fazer a limpeza da sala. Foto:Divulgação

A Prefeitura de São Carlos abriu sindicância para apurar a denúncia de que alunos do Centro da Juventude do bairro Cidade Aracy cumpriam castigos como não poder beber água, comer ou ir ao banheiro por períodos de até quatro horas. Pais de alunos confirmam a denúncia e o Conselho Tutelar da cidade também investiga o caso.

Os fatos vieram a público por meio do ex-chefe da Divisão de Infância e Juventude da cidade Leandro Amaral. Ele publicou, nas redes sociais, videos onde as crianças aparecem sentadas, de castigo. As imagens foram gravadas entre maio de dezembro do ano passado. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, o caso foi enviado à corregedoria e está sendo investigado. O prazo para resolução é de 30 dias.

Indignados, pais de alunos afirmaram à reportagem que os filhos relataram que foram impedidos de beber água e ir ao banheiro por períodos de até quatro horas. “Meu filho, que tem sete anos, me contou que, por não ter feito a lição de casa, foi impedido de beber água, comer e ir ao banheiro por três horas. Achei um absurdo”, diz a mãe de um dos alunos da escola, que preferiu não ter o nome divulgado.

Um dos alunos atendidos pela escola, de dez anos, afirmou que nada era capaz de tirar os alunos do castigo. “Eles diziam que, se estivesse muito apertado, poderia fazer na calça mesmo. Tenho dois amigos que fizeram”, disse.

Apurações

O Conselho Tutelar foi notificado sobre as denúncias e informou que irá enviar ofício ao Ministério Público para pedir que a situação seja apurada. De acordo com a coordenadora do Conselho, Marisa Demarzo, informações apontam que pais de alunos confirmaram as denúncias sobre os castigos.

“Estamos elaborando um relatório para pedir informações à prefeitura e oficiar o Ministério Público. Vamos à escola e verificar a situação e tentar entender o método pedagógico utilizado”, informou Demarzo.

Procurada, a direção da instituição afirmou que só iria se pronunciaria através da assessoria de imprensa. A assessoria informou que a situação está sendo investigada, mas reiterou a confiança na capacidade dos profissionais da educação da cidade. O Ministério Público confirmou o protocolo de um pedido de investigação, feito por Amaral hoje, mas afirmou que o caso ainda não foi analisado pelos promotores.

Exoneração

Segundo Amaral, ele resolveu tornar os vídeos públicos depois de denunciar o caso à prefeitura da cidade que, segundo ele, não tomou providências. “Eu tive uma reunião com o prefeito, no começo de novembro, e coloquei todos os problemas. Denunciei os castigos e problemas de estrutura no prédio da escola”, conta.

Segundo ele, a administração pediu dois meses para resolver o problema, mas, desde então, nada foi feito. Ele informou ainda que resolveu publicar o vídeo, enquanto ainda era funcionário, na primeira semana de janeiro, justamente por conta do descumprimento do prazo. Assim que o material foi ao ar, ele afirma ter recebido uma ligação da administração exigindo que o material fosse retirado do ar, colocando como consequência a exoneração.

“Eu disse que eles podiam me mandar embora, mas que as crianças precisavam ter aqueles problemas resolvidos”, conta. A exoneração dele foi publicada no Diário Oficial na terça-feira passada.

Fonte:Uol

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