Para esconder o mar? – Vicente Serejo

O que o planejamento urbano de uma cidade deve fazer quando tem o privilégio de ter um mar e, diante…

O que o planejamento urbano de uma cidade deve fazer quando tem o privilégio de ter um mar e, diante dele, uma avenida aberta como um gigantesco janelão? Deve deixar a cidade assim, derramada à beira-mar, e que nada venha impedir a visão livre. Aqui, não. Aqui, Senhor Redator, a primeira coisa que se faz, é construir grandes ou pequenos monstrengos, de preferência uns bem colados aos outros, de tal maneira que, vistos de frente ou, tanto pior, em diagonal, fechem a visão do mar como um paredão.

E a quem reclamar, se os arquitetos e urbanistas oficiais querem assim, e o prefeito aprova nas suas vistas quando, garboso, sente orgulho de tudo? Da vez passada foi assim fizeram com a praça do Conto do Mangue. Rebaixaram o piso e, como se fosse pouco, elevaram o muro com uma falsa cerca de estacas finas sobre a alvenaria. E resultado: esconderam o rio e o seu por do sol, aquele mesmo que, de tão bonito, fazia o prefeito Sylvio Pedroza algumas tardes chamar Câmara Cascudo para contemplarem.

Não é que os quiosques não possam conviver com a paisagem. Podem. Convivem no calçadão de Copacabana, para citar o exemplo de uma das mais famosas avenidas do mundo. Mas com harmonia. Jamais numa concentração de edificações a ponto fechar a visão da belíssima amplidão sem fim que só o mar proporciona a quem passa. Há de ser livre, pois, e assim mantido, na linha de visão de quem anda ou percorre de carro. Ou não é, no olhar dos nossos urbanistas oficiais, uma boa lição de arquitetura?

Alguns deles, mais impávidos talvez, argumentariam que a opção de concentrar os quiosques na faixa mais larga é uma forma racional de agrupá-los num só trecho, livrando o resto da avenida. Não, não é. Melhor seria distribui-los, se possível nem tantos, evitar a formação de uma cortina, deixando que o mar fosse alcançado pelos olhos de quem passa. O calçadão, mesmo que a modernidade lhe tenha dado outros nomes e outros fins, ainda guarda o sentido exato da nomenclatura antiga – passeio público.

Teria o prefeito andado por lá, ele que caminha ali todas as manhãs? Avaliado com seu próprio olhar o amontoado de quiosques? Seria bom que ele consultasse João Maurício de Miranda, professor de arquitetura, nosso maior estudioso da história urbana da cidade, da evolução, mas também da involução muitas vezes patrocinada pelo poder público. Ou, tanto mais grave, pela omissão de quem é remunerado para defendê-la, ele que lança hoje, na Capitania das Artes, a segunda edição de sua bela foto-história.

Seria bom. Muito bom. Aliás, o ideal seria tê-lo como um consultor, ele que foi secretário dessa área quando Garibaldi Filho era prefeito de Natal. Seu acervo reúne imagens que formam um referencial histórico que se não serve para corrigir – é tarde, muito tarde! – pode evitar novos erros que deformem a fisionomia de uma cidade tão bonita que se já não é mais aquele vale branco entre coqueiros, dos versos do poeta Ferreira Itajubá, ainda pode ser, entre os morros, o rio e o mar, um belo lugar para se viver.

MODELO – I

O próximo governo será responsável por três das quatro parcelas do aumento da Polícia Militar que terá a primeira no valor de 9% dos 32% pactuados. Assim vai acontecer com mais algumas outras categorias.

 

ALIÁS – II

Em matéria de herança, o governador eleito em outubro ou novembro deste ano vai ter sobre a mesa a dívida de R$ 3,5 bilhões, soma de três grandes empréstimos. E um funcionalismo lutando por aumento.

COPA – I

Uma coisa é certa: as quatro seleções que jogam em Natal durante a copa encontrarão uma cidade suja, degradada em alguns pontos pelas chuvas e com uma das decorações mais cafonas de toda sua história.

COM… – II

Um risco a mais para o governo e a prefeitura: se durante os jogos da Copa a segurança, a urgência do Walfredo Gurgel e os serviços urbanos funcionarem bem, será uma prova de que é possível mantê-los.

HOJE

Na Capitania das Artes – um projeto que nasceu na sua prancheta – o arquiteto e professor João Maurício de Miranda autografa a bela segunda edição do seu livro ‘Natal Foto-Gráfico’. É um livro-documento.

PARIS – I

Ficou bonito o ensaio do professor Américo de Oliveira Costa – ‘Imagens e Itinerários de Paris’. Pelas fotos, as belíssimas ilustrações de Arthur Silveira, sobretudo pelo projeto gráfico do melhor bom gosto.

HOJE – II

O texto é o mesmo da conferência do professor Américo de Oliveira Costa em 1958, quando passou um mês em Paris e publicada inicialmente na revista Cactus. Será lançado hoje na Aliança Francesa às 17h.

PILÃO – I

Amanhã, sábado, das 9 ao meio dia, encontro no Sebo Vermelho, na Av. Rio Branco, no lançamento da segunda edição do ensaio de Raimundo Nonato de 1961: ‘Em casa está batendo no mato está calado’.

DEPOIS – II

No outro sábado, o Sebo Vermelho lança a pesquisa de Paulo Gastão, o homem que estuda o cangaço no Rio Grande do Norte, com frases de Lampião que formam quase uma autobiografia do Rei do Cangaço.

BRASIL

É justo que a deputada Fátima Bezerra festeje a regulamentação da profissão de historiador, mas é bom não esquecer que o historiador neste Brasil vai ser reconhecido depois de dezenas de outras profissões.

JAPÃO

Nossas autoridades médicas fizeram certo bem recebendo com esmero a comitiva dos médicos do Japão. Resta saber o eles vieram aqui. Como se saúde pública ou o que não deve fazer com a saúde do povo.

SOM

Domingo, primeiro de julho, às 16h30, no Bosque dos Namorados, o show do Som da Mata será com do Humberto Luiz Trio. Com sua mistura de samba, frevo, jazz e muita improvisação, informa Sá de Paula.

CORAIS

Pirangi é agora também uma das áreas de preservação da reserva de corais do litoral brasileiro dentro do Plano de Ação Nacional na defesa das grandes reservas. A vitória é da ONG Oceânica que levou a luta.

COMO?

É verdade que o Abrigo Juvino Barreto precisa ir às portas da Justiça para receber o que lhe é devido, do governo e da prefeitura? Então estamos diante de um espetáculo sórdido que já bate todos os recordes.

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