Para jamais esquecer

O ex-lateral-esquerdo Roberto Carlos está preocupado. Ele teme que um eventual hexacampeonato conquistado pelo Brasil faça o povo esquecer o…

O ex-lateral-esquerdo Roberto Carlos está preocupado. Ele teme que um eventual hexacampeonato conquistado pelo Brasil faça o povo esquecer o penta de 2002, do qual ele participou com brilho. “Não esqueçam a gente”, implorou, comovido. Depois de Rivaldo e Ronaldo, Roberto Carlos foi o principal jogador daquele time sem magia e bem disciplinado às ordens de Felipão.

Roberto Carlos jamais será esquecido. O cantor, por exemplo, é imortal em suas músicas dos primórdios do iê-iê-iê, tempos em que era terrível não podia parar, lembrava da sua Cachoeiro do Espírito Santo, batia em frente ao portão e encontrava um cachorro latindo e sorrindo.

O Rei de milhares de fãs é único até na capacidade de fazer um cachorro demonstrar saudade abrindo-lhe os dentes em gargalhada espalhafatosa. Hoje, levaria uns bons cascudos de Titia Amélia, ofendida por descobri-lo um censor de biografias sem autorização, como se a sua vida não fosse pública e notória. Ele que fala em Jesus Cristo sem pedir permissão.

O Roberto Carlos lateral-esquerdo de bombas a 110 quilômetros horários também será lembrado pelos seus chutes de curva e de alta potência. Fez um gol bombástico. Contra a China. A Copa da Ásia foi a única Copa admirável de Roberto Carlos. Se Roberto Carlos chutava a 110, Pepe, ponta-esquerda do Santos, chegava a 122 quilômetros por hora, desmaiando goleiros e esbanjando simpatia com os fãs.

Ele também será eternamente lembrado – nem precisa se preocupar – por lambanças decisivas. Em 1998, errou ao furar uma bicicleta desnecessária dentro da área permitindo o gol de Laudrup da Dinamarca pelas quartas de final.

Mais uma vez, Rivaldo quebrou o galho e saiu desfilando como dançarino de frevo até chutar no canto do goleiro: 3×2 e classificação para as semifinais. Pelas costas de Roberto Carlos, um dos gêmeos De Boer cruzou e Kluivert empatou no finalzinho, Brasil 1×1 Holanda e Taffarel quebrando o galho em sua frieza dos iglus nos pênaltis.

Ainda em 1998, inesquecível Roberto Carlos ao chutar, nervoso, a bandeirinha de córner, gerando o escanteio que terminou no primeiro gol de cabeça de Zidane, no primeiro passeio francês, a final dos 3×0 inéditos e até agora únicos em decisões de Copa do Mundo. Contra Zidane, ninguém quebrou o galho também em 2006.

Roberto Carlos ajeitava o meião, talvez coçando uma picada de muriçoca alemã , furiosa e impiedosa como infante e deixou o atacante Henry sossegado para marcar França 1×0 Brasil e eliminação. A derrota acabou tirando do Mundial quem sabe a mais mascarada seleção brasileira de todos os tempos.

Somente um sujeito superdotado em autoflagelação para juntar num time só Roberto Carlos, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Robinho, Adriano Imperador e Kaká, o Tony Ramos da Bola. Dois aviões seriam insuficientes para transportar a delegação e o ego dos inflacionados de rebolado e pés de barro.

Onde você estiver, Roberto Carlos, ninguém te esquecerá, plagiando o seu xará. Pelo bem e pelo mal. Os tricampeões de 1970 não se incomodaram com o tetra de Romário nem com o penta. Um time escalado do meio-campo à frente atravessando a passarela milenar: Clodoaldo e Gerson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivelino.

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Enquanto Roberto Carlos pede para ser lembrado, Felipão faz uma lista de boleiros atuando no exterior para tentar se livrar do lateral-direito Maicon, maduro, porém seguro, testando Rafinha, do Bayern de Munique, e dando chance a Fernandinho, um volante carrapateiro, corredor, porém mais ágil que o queridinho Lucas Leiva.

Júlio César, o goleiro desgarrado, está garantido. Felipão, ao chamá-lo, mandou um recado de que ele é intocável e estará entre os três.

Jéferson do Botafogo deverá ser convocado na relação dos brasileiros. O terceiro nome ficará mesmo para a convocação final, embora Vítor do Atlético (MG) tenha o estilo sóbrio que o treinador aprecia.

O mais chato foi a ausência do meia Hernanes. O único capaz de criar no meio-campo brasileiro, de arriscar uma jogada de classe e ousadia, ainda que seja mais jogador de clube.

Na carência atual do futebol brasileiro, Hernanes seria indispensável para imprimir cadência quando fosse necessário e capacidade de organização ao time. Felipão não engole habilidosos e há que se retratar ao chamar os 23.

Na chamada dos que atuam no Brasil, sairá o nome para a vaga de Fred, um drama freudiano às vésperas da Copa. Fred é o titular esperado pelo técnico até com uma perna só, tão imensa a falta de opções.

Só não venha com Hernane do Flamengo, Felipão. Trocar criador (Hernanes), por Brocador (Hernane) é tornar mais feio o que já não é espelho desde os tempos de Telê Santana.

Nota que faltou

Por problemas técnicos, deixou de sair segunda-feira a nota complementar sobre a entrevista do conselheiro Gláucio Uchoa na Rádio Globo, assumindo a cara da oposição no ABC. Ontem, eu passei batido.

Resolver em casa

Faltou a nota em que eu dizia que todo referente ao clube deve ser resolvido no clube. Procurar o Ministério Público foi desnecessário e imputou sobre cabeças decentes a espada da desconfiança. Em qualquer lugar, há os bons e ruins, mas o ABC é maior que todos juntos.

Copa do Nordeste surra estaduais

Entre os campeonatos regionais do Brasil, a Copa do Nordeste é o torneio com maior média de público. A competição atingiu o número de 6.217 pessoas por jogo, número bem acima do Estaduais do Sudeste. O Campeonato Paulista é o segundo na lista, com média de 4.313 torcedores por partida. O Estadual do Rio tem 3.066 pessoas, e o Mineiro, 2.233. Os números contabilizam apenas público pagante.

Motivação

A motivação nos estaduais de hoje, ruins de doer e longe do charme de antes, é exatamente conseguir vaga na Copa do Nordeste do ano seguinte.

Max e Isac

O América perde suas duas referências de área por contusão. Isac fora do Estadual e da Copa do Brasil. Jogador de capacidade de finalização e de segurar os zagueiros.

Sina

Max, o artilheiro dos gols de pedra e decisões históricas como a do acesso para a Série A, parece viver uma sina entre a glória e o ocaso. Entra, faz gols, define os jogos e, de repente, algo grave corta seu barato. Primeiro o doping, agora a contusão.

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