Para Sinduscon, tombamento do Hotel Reis Magos é um “absurdo”

Insegurança jurídica causada por decisão preocupa

Sinduscon apresentou nova pesquisa sobre indicadores da construção civil em Natal, durante coletiva de imprensa. Foto: Heracles Dantas
Sinduscon apresentou nova pesquisa sobre indicadores da construção civil em Natal, durante coletiva de imprensa. Foto: Heracles Dantas

Marcelo Hollanda

Hollandajornalista@gmail.com

O presidente do Sindicado da Indústria da Construção Civil no Rio Grande do Norte (Sinduscon-RN), Arnaldo Gaspar Júnior, considerou nesta terça-feira, o tombamento provisório requerido pela Fundação José Augusto das ruínas do antigo Hotel dos Reis Magos ”um absurdo, especialmente quando já existem decisões de primeiro e segundo graus na Justiça já autorizando”. Ele fez essa declaração durante a entrevista coletiva para divulgar o segundo relatório trimestral “Indexadores do Mercado Imobiliário”, organizado pela Consult Pesquisa, por encomenda da entidade.

O relatório, criado para dar transparência às informações do setor e mostrar a velocidade de vendas dos lançamentos imobiliários, deu aos jornalistas oportunidade para expandir suas perguntas sobre o mercado e o atual patamar de preços praticados pelo mercado imobiliário em Natal.

Sobre a demolição dos Reis Magos, solicitada pelo Ministério Público acolhendo a provocação de uma entidade de preservação ambiental da cidade, Arnaldo Gaspar Júnior não entrou no tema espontaneamente. Respondeu a uma pergunta do JH depois de ter mencionado a insegurança jurídica como um dos entraves para o crescimento do mercado em todo o país.

Sobre isso, o dirigente acrescentou que não considera o Reis Mago como um imóvel com valor de tombamento, especialmente nas condições em que se encontra. E se disse perplexo que decisões de um juiz e um desembargador sejam desconsideradas dessa maneira, criando impedimento para que uma área venha ser beneficiada com investimentos novos, beneficiando todos os moradores do lugar – no caso as praias do Meio, do Forte e dos Artistas.

Sobre o mercado imobiliário de Natal, Gaspar evidenciou a importância dos relatórios trimestrais realizadas pela Consult dentro de ações conjuntas da entidade que ele preside. E, sobretudo, por colocar em prática um indicador como o IVV – Índice de Velocidade de Vendas – que permitirá um plano de lançamentos mais racional por parte das construtoras.

Gaspar reconheceu ainda que a presença de grandes incorporadores nacionais com ações em Bolsa trouxe uma grande contribuição para as empresas locais, mas não deixou de ressaltar uma certa distorção nos preços dos imóveis causada pela urgência de algumas dessas incorporadoras em “permorfar” o mercado às necessidades de seus acionistas.

Segundo ele, esse cenário forçou valores para cima em áreas em que tradicionalmente isso não deveria acontecer, mas que agora o mercado já voltou a seu equilíbrio. “Hoje, estamos entre as capitais com o menor preço de metro quadrado do país, na faixa média de R$ 4 mil a R$ 4,5 mil nas regiões mais nobres, com exceção de um ou outro empreendimento de alto padrão na Avenida Rui Barbosa”, acentuou.

Analisando o relatório que foi produzido com dados colhidos em 33 das mais de 100 construtoras filiadas ao Sinduscon-RN e que, sozinhas, representam mais de 90% do mercado potiguar, Gaspar qualificou os números na pesquisa como esperados.

“Eles (os números) não revelam qualquer problema sério: produção registrou uma ligeira queda, a velocidade de vendas também, o número de postos de trabalho teve uma queda pequena em relação ao último trimestre pesquisado, mas nada que não represente uma acomodação de mercado regido pela Lei da Oferta e da Procura”.

Outro ponto que Arnaldo Gaspar Júnior fez questão de esclarecer foi sobre a confusão que se faz do tamanho do estoque de imóveis ainda não comercializados, que atualmente é de 4.300 unidades.

“Quando falamos em estoque, eles não se referem apenas aos imóveis prontos, mas incluem todos aqueles lançados e na planta, em construção e entregues”, explicou.

Tomando como base o ano de 2009 para cá – acrescentou – o fechamento no trimestre anterior de 80 ou 90 vagas na construção civil que emprega hoje mais de 40 mil trabalhadores, é cosmética se comparada à situação em 2009. Nessa ocasião, o país ainda vivia sob o impacto da crise imobiliária americano do ano anterior, precedendo a monumental recuperação de 2010, que só aconteceu no Brasil com a ajuda de programas como o Minha Casa, Minha Vida.

Perguntado sobre a razão dos preços considerados baixos dos imóveis lançados em Natal, Arnaldo Gaspar Júnior lançou mão de uma inversão lógica da pergunta: “Imagine se nós parássemos de produzir algo e dentro de 20 meses zerássemos nosso estoque, imagine quanto não estaria custando o metro quadrado”.

A implantação do Índice de Velocidade de Vendas (IVV), que já existe há mais de 20 anos nas principais capitais do país, é uma obra inacabada do ex-presidente do Sinduscon/RN, Silvio Bezerra, concretizada por Arnaldo Gaspar Júnior, um representante da chamada construção pesada, de obras públicas.

Ao assumir, Gaspar prometeu que faria o IVV e cumpriu. Mas para dar consistência à medida, vem divulgando o relatório elaborado pela Consult a cada trimestre, apesar dos IVV só passar a ter sentido para fins de planejamento quando completar uma série histórica de dois anos. Mesmo assim, para mostrar aos demais empresários sua eficácia, Gaspar vem se dispondo a rebocar explicações a toda a apresentação do relatório. Dados setoriais repetidos trimestralmente tendem a se esvaziar.

Mas Arnaldo Gaspar Júnior, com esse trabalho de mídia, encontrou o equilíbrio ao investir em mídia institucional para alavancar os negócios do setor como um todo. Hoje, ele comentou que essa iniciativa de mídia deu todos os resultados que ele esperava e o pico dessas vendas ocorreu em outubro do ano passado. De lá para cá, os números vêm apresentando uma queda esperada para o setor que ele lembrou ser dinâmico por essência: um dia pode estar desaquecido e no outro pode estar fervendo.

 

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