Paralamas faz show hoje no Riachuelo comemorando 30 anos da banda

Em excursão pelo país, Paralamas do Sucesso mostram 30 anos de carreira para natalenses em show nesta sexta-feira (15), no Teatro Riachuelo; mesmo após acidente com Herbert Vianna, em 2001, banda continua com vigor e feliz por apresentar tantos clássicos do rock nacional

Foto: Divulgação
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Conrado Carlos

Editor de Cultura

 

É costume dizermos que filmes, novelas e bandas (até mulher) de antigamente eram melhores. Lamento pela turma que batalha hoje em dia, mas concordo. Sobretudo no rock, o desenvolvimento da tecnologia esbarrou em uma geração que frequenta várias mídias, sem dominar nenhuma delas. Exemplos são diversos – inclusive em Natal. Até onde minha memória consegue chegar, Raimundos, Chico Science, O Rappa, Charlie Brown Jr. surgiram nos 90s. Desde então, downloads e tatuagens a fole, e som legal que é bom nada. Cansei de seguir resenhas elogiosas a um novo grupo e esbarrar em porcaria. Por isso prefiro escutar o que existia antes das Diretas Já (1984). Tem tanta coisa incrível perdida no passado que soa um desproposito perder minutos com CDs descartáveis. E nesse revival, a produção nacional também revela vasto campo de pesquisa.

Ou, pelo menos, garantirá horas de boa nostalgia. Caso de reouvir Paralamas do Sucesso. Como deve saber o leitor desatento, eles tocarão hoje à noite no Teatro Riachuelo (21h). É o show comemorativo dos 30 anos de carreira – na verdade o primeiro álbum, “Cinema Mudo”, é de 1983. Mesmo com a drástica redução da famosa energia que Herbert Vianna despejava no palco, em virtude do acidente que sofreu em 2001 com um ultraleve, a presença dos três integrantes de uma das mais importantes bandas brasileiras faz com que a sexta-feira ganhe coloração festiva, digna de entrar para a lista de especiais na vida de quem for vê-los em ação. De uma época em que o rock fazia parte da cultura contestatória e de autoafirmação nacional, os Paralamas têm clássicos para encher uma semana de apresentações.

Se você não tem disco deles, vale uma fuçada no Youtube em busca dos trabalhos iniciais. Do supracitado “Cinema Mudo” ao seguinte “O Passo do Lui” (1984), a evolução nas composições, na perfeita junção do que tínhamos então para mesclar o que vinha de fora com a ‘tropicaliência’ interna pode ser percebida facilmente. “Há algo errado no Paraíso”, canta Herbert em “Fui eu”, um dos temas que tocaram à exaustão durante aquela década. O disco funciona no carro, na praia, com solteiros e casais apaixonados. Logo na abertura, “Óculos” e “Meu erro” transformaram os garotos de 20 e poucos anos em astros no país – e lembrar que rock nacional tocava com sucesso, com perdão pelo trocadilho, nas rádios natalenses. E pensar que no verão de 1986, “Selvagem?” aumentou a fama do grupo liderado pelo paraibano.

“Melô do marinheiro”, “Alagados” e os covers de “Você”, de Tim Maia, e “A novidade”, de Gilberto Gil, agitaram muita festinha em garagens por aí. Daqui a poucas horas, se não todas, algumas dessas trilhas de nossas vidas (falo para quem tem mais de 35 anos, ok?) voltarão com um apelo diferente, após três decênios de envelhecimento da carcaça. Herbert está em uma cadeira de rodas, impossibilitado de agitar enquanto toca (bem) seus riffs e solos que estão na ponta da língua de muita gente boa. Talvez, em termos fonográficos, produtividade e qualidade tenham se separado em 1996, com “Nove Luas” (disco que abriga o ‘clássico’ “Loirinha Bombril”). Pouco importa. No mínimo, são nove discos bacanas, antes de começar a mesmice. Para quem pensa em sair de casa nesta sexta em que o vento amarrota a cortina da sala com mais vigor, o suficiente para duas horas de sorrisos.

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