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Paralisação dos vigilantes deixa caixas eletrônicos sem dinheiro

Data: 04 fevereiro 2013 - Hora: 15:16 - Por: Portal JH

Segue sem perspectiva de negociação a falta de entendimento entre os vigilantes patrimoniais  e os empresários, que se recusam a pagar os 30% referentes ao adicional de periculosidade da categoria. E após a última paralisação de advertência, realizada na última sexta-feira (1), a população natalense sentiu na pele as conseqüências que uma possível greve pode gerar.

Além do Sindicato dos Bancários aderir e apoiar o movimento, fechando as portas de algumas agências durante a paralisação, a distribuição de dinheiro – feita pelos vigilantes do Sindicato dos Empregados em Transportes de Valores, Carro Forte, Escolta Armada, Carro Leve, Trabalhadores do Caixa Forte e Tesouraria Bancária do Rio Grande do Norte (Sindforte) – não foi realizada e muitos caixas eletrônicos ficaram sem dinheiro durante o final de semana, apesar da paralisação ter durado apenas um dia.

Hoje pela manhã, na agência do Banco do Brasil, localizada na avenida Rio Branco, no centro da cidade, as filas estavam enormes, com pessoas esperando para sacar dinheiro nos caixas, já que faltavam cédulas na maioria dos caixas de autoatendimento.

Segundo a pedagoga Maura Maciel, a falta de dinheiro nos caixas eletrônicos gerou muitos transtornos aos usuários. “Essa situação é muito complicada, pois a maioria dos caixas está sem dinheiro e temos que sair procurando algum que dê para sacar. Além do tempo que é gasto, muita gente ainda não consegue sacar a quantia desejada. É início de mês, temos muitas contas a pagar e sem dinheiro, fica difícil”, disse Maura.

Para a aposentada Elisama da Silva, a situação reflete o desinteresse e desrespeito das empresas para com os vigilantes e  a sociedade. “Eles trabalham para a nossa segurança e os patrões estão negando algo que é direito deles. Infelizmente quem sofre é a população, mas eles devem continuar essa luta, pois só assim, os patrões vão perceber a gravidade da situação”, disse Elisama.

De acordo com o presidente do Sindforte, Tertuliano Santiago, esses transtornos ainda são reflexo da paralisação das atividades na última sexta-feira (1). “Ficamos apenas um dia fora de atividade, e no sábado, o serviço voltou ao normal. No entanto, apesar da distribuição voltar a ser feita normalmente, houve um atraso, decorrente do dia da paralisação. Isso é um reflexo dos problemas que esse tipo de greve pode gerar, pois já se pode ver os transtornos. Mas infelizmente, essa situação pode se repetir se não houver acordo com os empresários”, afirmou Tertuliano.

Os vigilantes já realizaram outras mobilizações, mas a cada dia o movimento ganha mais força. A reivindicação da categoria pelo adicional de periculosidade é uma reivindicação antiga, que já dura quase 10 anos, mas que no final do ano passado, poderia ter chegado ao fim, quando a presidente Dilma Roussef sancionou a lei nº 12.740/2012 em 10 de dezembro, determinado o pagamento adicional de 30% ao salário dos profissionais. No entanto, mesmo após a determinação, algumas empresas permanecem descumprindo a lei, se recusando a efetuar o pagamento devido aos vigilantes.

Segundo o presidente do Sindforte, Tertuliano Santiago, a entidade sindical tentará mais uma negociação e há possibilidade de uma greve ser deflagrada. “O Sindforte está dando uma semana, esta do Carnaval, para que o sindicato patronal agende uma reunião conosco e entre em negociação. Caso eles permaneçam irredutíveis, realizaremos uma assembléia geral após o Carnaval, e deflagraremos uma greve geral, que pode acontecer em todo o Brasil, pois estamos lutando por um direito nosso, e não abriremos mão disso”, afirmou Tertuliano.

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