Passageiros com celulares descarregados não poderão embarcar para os EUA

Aparelhos eletrônicos serão testados antes de entrar na aeronave para ver se contêm dispositivo explosivo

Passageiro faça pelo detector no aeroporto de Los Angeles. Foto: Divulgação
Passageiro faça pelo detector no aeroporto de Los Angeles. Foto: Divulgação

O temor de que a al-Qaeda tenha desenvolvido uma “nova geração” de bombas não-metálicas indetectáveis nos aeroportos fez com que os Estados Unidos endurecessem o controle de segurança em voos ao país. Com a mudança, passageiros com destino ao território americano poderão ter que deixar o celular ou o computador para trás ou serem impedidos de embarcar caso o aparelho esteja descarregado. As novas diretrizes foram anunciadas pelo Departamento de Transporte americano e devem começar a valer em poucos dias, no primeiro estágio aplicadas a voos provenientes de Europa e Oriente Médio.

Os aeroportos de Heathrow e Manchester, no Reino Unido, já advertiram aos passageiros que não será permitido o embarque de qualquer equipamento eletrônico com a bateria descarregada. Autoridades francesas e belgas também alertaram os usuários a preverem um tempo adicional no embarque, levando em conta as novas medidas. O objetivo é que os equipamentos possam ser testados, e assim se comprove que não seriam um dispositivo explosivo.

O temor dos EUA é de que terroristas com passaportes europeus que lutaram na Síria, por exemplo, possam embarcar com os dispositivos. E como eles não precisariam de visto para viajar para os Estados Unidos, levantariam menos suspeitas. A ameaça estaria sendo discutida na Casa Branca ao longo das últimas duas semanas. Segundo agentes de Inteligência americanos, membros da al-Qaeda na Síria (a Frente al-Nusra) e no Iêmen podem ter desenvolvido bombas implantadas em telefones, que teriam chance de burlar as medidas de segurança existentes. Na semana passada, celulares das marcas Apple e Samsung tiveram atenção especial durante as verificações de segurança para os passageiros de voos diretos com destino aos EUA, provenientes da África, Europa e Oriente Médio.

Triagem adicional

“Se o seu equipamento não ligar, ele não terá a entrada permitida na aeronave”, adverte o comunicado do Departamento de Transporte americano. “Durante o exame de segurança, os agentes também poderão pedir que os proprietários liguem alguns dispositivos, incluindo telefones celulares. O viajante pode passar por uma triagem adicional”.

A nota não esclarece o que será feito com os aparelhos retidos — se serão descartados ou armazenados no aeroporto, por exemplo — ou a duração da medida de segurança adicional, que deve entrar em vigor no domingo. Com isso, passageiros poderão ter inspeções extras a calçados e eletrônicos e passar mais vezes pelos detectores de vestígios de explosivos. Em alguns casos, também haverá mais uma etapa na triagem em portões de embarque.

Segundo o secretário americano de Segurança Interna, Jeh Johnson, a nova medida tentará reduzir os riscos em aeroportos no exterior. Por enquanto, elas não serão implantadas nos terminais domésticos americanos, e ainda não se sabe que outras regras poderiam ser estabelecidas para governos estrangeiros, companhias aéreas e empresas de segurança privada. Washington tem autoridade legal para incentivar governos estrangeiros a aumentarem os controles nos aeroportos, caso eles tenham rotas aéreas diretas para as cidades americanas.

“Nosso trabalho é tentar antecipar o próximo ataque, e não simplesmente reagir ao último. Continuamente avaliamos a situação do mundo, e sabemos que ainda existe uma ameaça terrorista aos Estados Unidos. A segurança da aviação faz parte disso”, afirmou Johnson.

Em outubro do ano passado, a Agência Nacional de Aviação dos Estados Unidos flexibilizou o uso de dispositivos eletrônicos portáteis a bordo de aeronaves durante a decolagem e pouso, até então proibida. A única exigência é de que os passageiros usem seus tablets, telefones e e-books em modo avião, o que impede as chamadas ou a conexão à internet.

Fonte: O Globo

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