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Passeio no Rio

Data: 01 fevereiro 2013 - Hora: 18:00 - Por: Vicente Serejo

Os livros, e só agora vejo, Senhor Redator, também são caminhos, ruas, becos e praças. Por isso fiz outra vez aquele passeio pelos velhos sebos do Rio de Janeiro, como nos anos noventa, ao lado de Oswaldo Lamartine. Nem sei dizer se mais alguém teve esse privilégio. Nas viagens ao Rio guardava sempre algumas tardes para seguir os seus passos. E aprender com ele o ofício da busca e da descoberta, visitando algumas livrarias antiquárias que hoje, de tão encantadas, não existem mais.

Tinha que ser logo depois do almoço, sem direito ao sono reparador. Oswaldo era sertanejo, mas um notívago que vencia as noites em longas leituras. Para cada novo livro, uma ficha com notas que amanhã pudessem interessar para alguma consulta. Era amoroso com os livros. Sabia manejá-los, cuidar do pudor de sua velhice, e da fragilidade de suas páginas aciduladas e acidificadas pelo tempo. Seus olhos percorriam todos os detalhes, dominam as ilustrações, seu feitio e suas singularidades.

Saíamos cedo da mesa do almoço, servido por sua cozinheira mineira sob o olhar de D. Ludy, depois do café que ele tomava com um pedaço de rapadura. E pé no mundo. Primeiro pelas ruas do Catete e depois seguindo de metrô até o Largo da Carioca. Duas vezes consegui inverter o programa e comecei almoçando com ele no Bar Luis – costeleta de porco defumada, chucrute e chope escuro. Comia pouco. Preferia feijão, arroz e carne, um café forte, e ainda sentia muita falta do seu cigarro.

Não lembraria tão vivamente essas imagens se não tivessem saltado das páginas da História das Livrarias Cariocas, de Ubiratan Machado. Conhecia sua grande pesquisa sobre os selos das livrarias, espécie de ex-libris que os livreiros antigos usavam para marcar os volumes que vendiam. Mas nunca imaginei a história como um passeio prazeroso pelas ruas do Rio. E que reencontraria a cada pequena estação um rosto conhecido que um dia a memória guardou como uma herança afetiva.

Estão todos lá, aqueles amigos de Oswaldo que carrego nos olhos. Como Margareth Cardoso, da Livraria Kosmos, na Rua do Rosário, parada final dos passeios. Ela foi a melhor aluna de Walter Geyerhahn, o maior livreiro internacional que o Brasil teve. A Kosmos fechou. No mesmo endereço funciona a Livraria Rio Antigo que hoje pertence a Margareth. Como no tempo em que, ainda jovem, via chegar, no carro oficial, o governador Carlos Lacerda para olhar livros raros que encomendava.

E o velho Osmar Müller, da Livraria Brasileira, onde o poeta e bibliófilo Alexei Bueno um dia encontrou uma primeira edição de Proust, valiosíssima, que comprou calado como se fosse uma edição comum, e só depois disse a Osmar? Uma tarde Oswaldo chegou e ele tirou da estante de livros reservados o Dicionário das Injúrias, em francês, de Albert Edouard. E foi dizendo: para aquele seu amigo nordestino que gosta de dicionários. Oswaldo pagou, mandou pelo correio e está aqui até hoje.

Tem Walter Cunha, cabelos brancos, o riso no risco lábios, da Livraria Antiquária, depois na Rua da Assembléia, onde Oswaldo passava toda tarde, cumprindo a lenda de que o livro procurado aparece e desaparece a cada instante. E Carlos Santos Vieira que sabia tudo que existia naqueles dois andares da velha São José, sebo, livraria e editora? Depois desfeita, dividida entre sócios, separando livros, títulos e prédios, uma morte que os funcionários evitaram assumindo o desafio de mantê-la?

Vejo as fachada das livrarias Camões, onde um dia vi o poeta Lêdo Ivo, sisudo, olhos fixos na leitura; e da Padrão, no Edifício Avenida Central. Na porta, a figura de Alberto Mathias, amigo de Oswaldo. A seu pedido, ajudou a encontrar um exemplar do ‘La Vie des Insetes’, de Fabre, o célebre entomologista francês que influenciou Câmara Cascudo ao escrever ‘Canto de Muro’. Onde estão todos? Onde está Oswaldo? E essa saudade que pagou o sol da manhã nesta janela diante do mar?

 

AVISO
O comandante da Polícia Militar, coronel Francisco Araújo, sabe que tem sobre a mesa um problema: o governo não pagou as diárias dos soldados no Carnatal e não tem previsão de pagar as do carnaval.

PERGUNTA
O que aconteceu com o secretário adjunto da segurança, Silva Júnior, hoje demissionário? Sofreu um desprestígio como Kércio Pinto? Ou tudo não passa de mais uma intriga urdida lá nas teias oficiais?

CRISE
Na visão dos juristas o governo pode cometer um novo erro se contestar na Justiça uns e outros não dos planos de cargos e salários. Tornaria revogar o que pagou às polícias militar, civil e professores?

CRATERA
Pode chegar a R$ 500 milhões o débito da Prefeitura de Natal. O levantamento chegou a R$ 451, mas ainda não cobre o que resta para descobrir nas gavetas municipais. Todo dia aparece uma novidade.

MANHA – I
Manhosa a nota da deputada Fátima Bezerra desmentindo a sua candidatura ao Senado. Ela sabe que não é improvável uma chapa PMDB-PT e que hoje o seu nome é o mais estadualizado do seu partido.

MAIS – II
E sabe – desde que almoçou na enseada de Jacumã – que também para o PMDB, hoje com ministro e favorito para presidir a Câmara, o PT é o aliado mais forte. Uma chapa que pode nascer imbatível.

ANOTEM – I
O secretário chefe da Casa Civil, Sávio Hackradt, cumpre missões do prefeito Carlos Eduardo Alves, mesmo aquelas que desagradam e parecem suas. É da natureza política e discreta do cargo que ocupa.

ALIÁS – II
O vereador Raniere Barbosa pode até ser muito bom cuidando das praças, dos jardins e canteiros da cidade, como demonstrou. Mas não tem a densidade e a capacidade de articulação políticas de Sávio.

DESEJO
O governo está convencido, depois da pesquisa Consult, que o atual vice-governador Robinson Faria é o candidato ideal para a governadora Rosalba Ciarlini tentar renovar o mandato na lutas de 2014.

COMO
Com uma baixa rejeição em todas as regiões do Estado e dono de um partido aliado do Palácio do Planalto, Robinson precisa reunir aliados de peso. Uma musculatura forte, principalmente em Natal.

SILÊNCIO
Já foram mais prazerosas as conversas do senador José Agripino com o seu amigo Carlos Augusto Rosado. Hoje prefere evitar certos assuntos. Principalmente sobre a atuação de Rosado no governo.

RUÍDO
O prefeito Carlos Eduardo Alves pode ter problemas na área de obras mais cedo do que pensa. Pode ser surpreendido com soluções fora do padrão. A Internet, mesmo ainda de forma anônima, já avisa.

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