A patética profissão

Apenas vinte e quatro horas depois do anarcocapitalista Ugo Vernomentti publicar aqui o textículo defendendo um reality show literário chamado…

Apenas vinte e quatro horas depois do anarcocapitalista Ugo Vernomentti publicar aqui o textículo defendendo um reality show literário chamado THE JOYCE BRASIL, o jornal mais importante do mundo chamou de patética a profissão de escritor jeca.

O diário norte-americano The New York Times publicou no fim de semana que ser escriba no país de Paulo Coelho e Thalita Rebouças é “a mais patética de todas as profissões”. Mesmo com tantos saraus estatais, é uma carreira desprezada no país.

Antes que os blogueiros progressistas e os redatores similares caiam de cacete no jornal dos gringos, devo informar que a reportagem foi escrita por uma jovem brasileira, por sinal escritora de profissão e vencedora de prêmios literários: Vanessa Bárbara.

Sua matéria começa avisando que os escribas tupiniquins vivem participando de encontros e festivais literários pelo mundo, como alguns recentes na Alemanha, Itália e Suécia, mas, mesmo assim, a atividade não é reconhecida pelo público da aldeia.

Com ironia, o texto de Vanessa diz: “se for ao Brasil, não conte a ninguém sobre seu real ofício”, e prossegue quase com crueldade: “não apenas irão rejeitar seu cartão de crédito na mercearia, e certamente eles irão rir de você e ainda questionar?”

Mas, segundo o The New York Times, os escritores não estão sozinhos no barco à deriva. E cita a última edição do ranking Global Teacher Status Index (Indicador Global de Professores), referente à qualidade de vida dos educadores pelo planeta.

Como o Brasil é um dos últimos na lista de 21 países analisados, a situação dos nossos mestres é desesperadora, recebendo por ano R$ 43 mil, o que equivale em 18,5 mil dólares, longe da média nos EUA, por exemplo, de R$ 104 mil, ou US$ 44,9 mil.

Calma, estão achando que os anos Lula/Dilma tornou menos ruim a vida docente? Os dados anteriores não se referem aos nossos sofridos professores da rede pública. Estes percebem apenas R$ 18,6 mil/ano, uma ninharia universal igual a míseros US$ 8 mil.

Agora vem a parte mais vergonhosa ainda do quadro desenhado pela escritora/jornalista Vanessa Bárbara. Ela diz que um dos problemas centrais na desgraça literária é o fato do brasileiro ler apenas quatro livros por ano, dois deles de forma apenas parcial.

Ou seja, o país inteiro é a regra que pariu Luiz Inácio e sua dislexia de leitura limitada à página 17 dos poucos livros que o X9 de Romeu Tuma folheou na vida. O brasileiro não Lê por falta de tempo (53%), falta de interesse (30%) e por outras opções (21%).

Numa outra pesquisa, anterior ao levantamento da Global Teacher, realizada aqui no país pelo Ibope e chamada de “Retratos da Leitura no Brasil”, o percentual dos que não gostam de livros ultrapassa 45%, oposto aos que preferem ver televisão, que são 77%.

Os altos preços dos livros também pesam na indiferença literária da nação, apesar do sucesso de vendas para romances adolescentes de efeito “blockbuster”, como Harry Potter, Jogos Vorazes, Percy Jackson ou Katy Mackenzie. A média é de US$ 15.

E quando a matemática deixa a perspectiva do possível leitor para entrar no bolso do escritor, aí é que a tese da profissão mais patética se consagra. Quem não vende como Paulo Coelho tem que se contentar com as migalhas dos 5% destinados ao autor.

Vanessa conta na reportagem que em 2008 ganhou um prêmio literário e seu livro chegou a vender 3 mil exemplares. Ela recebeu R$ 1,34 por cada volume e ao término de quatro anos (sem contar um ano que levou escrevendo) acumulou R$ 5.220,00.

O que não consta na matéria é o dado principal do Ibope: dos 14% que disseram ter tempo para ler, 27% citaram revistas e 20% citaram jornais. Tem razão Vanessa ao concluir pateticamente seu texto: “deveria ter doado meu corpo para a ciência”. (AM)

 

Improbidade
Depois do meio milhão de reais gastos pelo Ministério Público com malhação e ginástica (nem vou citar a compra de carros blindados), parece que apareceu mais desperdício do dinheiro público na instituição. Dinarte Assunção está apurando.

Panamá
É impressionante a longevidade da folha criminal do mensaleiro Zé Dirceu. Quando pensamos que suas falcatruas encerraram, eis que se descobrem outras, como o laranja e a razão social no Panamá. Desde 1968 que esse cara vem fazendo m… no Brasil.

Destaques
Já que o papa Francisco é a personalidade do ano no mundo e o ministro Joaquim Barbosa é a personalidade do ano no Brasil, o colunista sugere que o Snowden seja o dedo-duro do ano em âmbito mundial e Lula o X9 do ano caráter nacional.

Mossoró
A tradicional e histórica temperatura diária da cidade oestana nem de longe é mais quente do que os fatos políticos, jurídicos e policiais dos últimos meses. Mossoró não será mais a mesma depois que tudo for devidamente apurado e concluído.

IstoÉ
Apesar da reportagem destacando uma denúncia de 2006 que aponta caixa 2 na campanha eleitoral do DEM do RN, a edição da revista IstoÉ não atraiu a curiosidade dos natalenses. As vendas continuam no patamar minúsculo da Carta Capital.

Pintas
Como eu vinha alertando, a baderna realizada no interior de shoppings em São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Natal é um movimento com orientação partidária e ideológica, nada tem a ver com uma reação juvenil contra atos de preconceito.

Polícia
A sociedade precisa apoiar a PEC 361/2013 que pretende dotar o Brasil de uma nova Polícia Federal, mais aproximada da realidade das demais PF do mundo moderno, onde existe a carreira policial de cargo único, sem obrigação do diploma de Direito.

Livro
Não está fácil adquirir um exemplar do livro-bomba do ex-delegado e deputado Romeu Tuma Jr., onde revela a participação de Lula no DOPS pelas mãos de seu pai. As edições que chegam às livrarias do país mal conseguem atender as encomendas.

Artilheiros
Parece um duelo entre Clint Eastwood e Lee Van Cleef a disputa de gols entre Diego Costa e Cristiano Ronaldo na liga espanhola. O atacante do Atlético de Madrid (líder ao lado do Barcelona) chegou a 19 gols e o craque do Real Madrid agora tem 18.

Artilheiros II
O atacante Pedro só não fez chover na virada do Barcelona sobre o Getafe, marcando três gols e cavando o pênalti para a conversão de Fábregas nos 5 x 2. É o artilheiro do time com 10 gols, seguido por Messi e Alexis (8 cada) e Fábregas, com 7 gols.

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    • Francinete Amorim

      Sou leitora assídua. Acho o preço dos livros muito caro, mas compro nos sebos e também sou sócia da Biblioteca do SESC. Normalmente leio dois livros por mês. A desculpa usada ‘que não lê porque os livros são caro’ não é desculpa!