Pau e circo – Danilo Sá

Nelson Motta Colunista d’O Globo ‘Macaco que muito mexe quer chumbo” é um velho e sábio ditado mineiro sobre os…

Nelson Motta

Colunista d’O Globo

‘Macaco que muito mexe quer chumbo” é um velho e sábio ditado mineiro sobre os perigos da superexposição e do exibicionismo, mas certamente nem passou pela cabeça de Lula e Ricardo Teixeira quando fizeram o diabo para trazer a Copa do Mundo para o Brasil, imaginando os benefícios políticos e comerciais e esquecendo os riscos e consequências de se colocar no centro das atenções do mundo como sede de um evento dessa grandeza. E veio chumbo grosso.

Recebidas como ofensas ao país, as críticas internacionais foram respondidas com bravatas grandiosas e apelos ao patriotismo paranóico, como se os estrangeiros só revelassem as mazelas e precariedades que estamos cansados de conhecer por maldade, inveja e má-fé, ou talvez por tenebrosas conspirações para atrapalhar a nossa Copa. É reserva de mercado: só nós podemos nos esculachar.

Mas, depois de sete anos, das 167 intervenções urbanas prometidas, só 68 estão prontas e 88 atrasadas, e Lula explicou tudo: “Vai levar alguns séculos para a gente virar uma Alemanha.”

O complexo de vira-latas também se caracteriza pela incapacidade de reconhecer erros, de responder a críticas e de tentar disfarçar o sentimento de inveja e inferioridade com a força bruta de hipérboles, bravatas e rosnados. Quando Nelson Rodrigues disse que a vitória na Copa de 1958 nos livrou do complexo de vira-latas, ao contrário de Dilma, não entendi que havíamos nos tornado cão de raça ou mesmo cachorro grande, mas que nos livrávamos do complexo porque nos assumíamos como vira-latas bons de bola.

Sim, a vira-latice étnica e cultural é uma de nossas características mais fortes, para o bem e para o mal, e isso não há Copa nem metáfora genial que mude. Nesse sentido, ninguém é mais vira-latas do que os americanos, que também são os cachorros grandes do mundo.

Outra expressão atual da vira-latice é a ostentação, como o novo estilo de funk que celebra a riqueza e o exibicionismo, com orgulho e sem vergonha. É a trilha sonora perfeita para o Brasil ostentação da propaganda oficial que nos mostra no melhor dos mundos e fazendo a Copa das Copas.

Macaco que muito mexe… (Publicado n’O Globo 31/05/2014)

ANTES TARDE…

Pronto, finalmente o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante entrou em funcionamento. E agora? O que será do Rio Grande do Norte? Será que todos os problemas do Estado serão resolvidos? A população potiguar terá, enfim, o desenvolvimento econômico prometido desde o início das discussões em torno do projeto? E quando isso tudo vai acontecer?

… DO QUE NUNCA

A importância do novo terminal é indiscutível. O RN jamais teria capacidade para crescer sem uma logística de alto nível. Mas só isso não basta. A nossa classe política precisa agora, mais do que nunca, buscar alternativas para atrair ao território potiguar grandes investimentos, voos internacionais, turistas, indústrias de peso. Sem isso, o investimento acabará se transformando em um elefante branco.

FUTURO INCERTO

No meio de tudo isso, o clima de quem passou pelo Aeroporto Augusto Severo na manhã deste sábado (31) era de fim de festa. Lojas fechando as portas, encaixotando o restante das mercadorias, funcionários se despedindo. Os taxistas ainda estavam por lá, esperando passageiros que não chegarão mais por ali. Agora, é preciso decidir urgentemente o que será dessas pessoas e qual o destino do Augusto Severo.

DESTINO

Em tempo, não é das mais acertadas a decisão de devolver o terminal de Parnamirim para a Aeronáutica. O ideal, seria transformar o equipamento em algo de utilidade pública, como um teatro, centro de convenções ou até algo voltado para a iniciativa privada, como um shopping. Mas, pelo visto, será ao contrário.

MARKETING

Três famílias natalenses são as estrelas de uma campanha publicitária que acaba de estrear. O novo lançamento imobiliário da cidade, o Palazzo Cristal em Petrópolis, investiu em uma campanha que valoriza a beleza, as famílias e os personagens da cidade. Os casais convidados para atuar foram os jornalistas Luís Henrique e Helga Oliveira, a jornalista Juliska Azevedo com Pedro Costa e o músico Jolian Joumes com Andreza Varela.

MERCADO

Com mais de 30 anos de tradição no mercado da construção civil, a Construtora Hema deu início às vendas do Palazzo Cristal. A maior vantagem é que os apartamentos, mesmo nesta fase de pré-lançamento, já estão com obras avançadas e os compradores não terão que esperar muito para receber as unidades.

CHAPELARIA

Foi criada recentemente a “Confraria do Chapéu”, composta pelos jornalistas Joaquim Pinheiro, Flamínio Oliveira, ex-secretário Luiz Eduardo Carneiro e advogado Elias Maciel. O grupo tem se encontrado na Grand Cru, loja especializada em vinhos, no shopping Seaway da Avenida Roberto Freire. Todos devidamente paramentados com seus chapéus Panamá.

PROJETOS

Aos poucos, a construtora OAS começa a revelar seus planos para o futuro do Arena das Dunas. Segundo a revista Exame, a ideia é construir no local uma academia, salão para eventos e até bares para a população natalense. Tudo para recuperar o quanto antes os recursos investidos no projeto, que será explorado pelos próximos 20 anos pela empresa, conforme contrato de parceria público-privada.

GIRA MUNDO

A notícia é destaque no portal Uol, e vai fazer muita gente se lembrar da infância e das tardes ligadas na Sessão da Tarde. A casa da região de Chicago onde Cameron, amigo de Ferris Bueller, “matou” a amada Ferrari de seu pai em uma cena icônica de “Curtindo a Vida Adoidado” (1986) finalmente tem um novo proprietário. De acordo com o jornal local “Crain’s Chicago Business”, a casa modernista em Highland Park foi vendida na quinta-feira (29) por 1,06 milhão de dólares. A imobiliária Coldwell Banker Previews não informou quem foi o comprador da casa de aço e vidro, com quatro quartos, construída à beira de um barranco arborizado.

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