Paulinho Moska integra clube dos artistas interessantes no cenário musical brasileiro

Atração do MPB Petrobras da próxima segunda-feira (10), no Teatro Riachuelo

Cantor Paulinho Moska. Foto: Divulgação
Cantor Paulinho Moska. Foto: Divulgação

Conrado Carlos

Editor de Cultura

 

Quem tem mais de 35 anos é capaz de se lembrar de uma barata chamada Kafka e de Adelaide, uma anã paraguaia que soltava pum no elevador e era flagrada com a mão amarela. Ambas eram personagens de músicas do grupo Inimigos do Rei, uma trupe carioca originada nos coralistas do Garganta Profunda, uma turma que usou a expressão vocal para fazer história na MPB – fundada por Marcos Leite, um revolucionário no segmento. Corria a segunda metade dos 80s, e as rádios do país tocavam aqueles temas engraçados. Um de seus integrantes, o mais talentoso deles, era Paulinho Moska, atração da próxima segunda-feira (10) no Teatro Riachuelo, às 20 horas – em uma noite que ainda terá a cantora Clara Menezes.

Aquela imagem festiva, alegre, debochada, multicolorida dos Inimigos do Rei decalcou em Moska. Nos primeiros anos após a saída da banda, em 1990, muita gente ainda o enxergava como o cara engraçado que pererecava no Faustão para dizer que encontrou uma barata na cozinha e perguntou se ela gostava dos Beatles. Mas aí veio o disco Vontade, três verões depois. E tudo mudou. Já na faixa de abertura, Me Leve, a pegada roqueira e a maturidade das letras revelavam um artista que tinha muita lenha para queimar. E é o que ele faz até hoje, mesmo consolidado como um dos nomes mais simpáticos da música nacional. Via e-mail, Paulinho falou sobre a época em que o rock e o pop eram referências na indústria do entretenimento.

“A ‘Barata’ e a ‘Adelaide’ foram sucessos populares e na época foram muito criticadas pela mídia impressa, mas refletiam a alegria que o povo sentia com aquelas ‘piadas’. Hoje as rádios comercias continuam refletindo o que o povo gosta e quer. Pop e rock vendiam muitos discos naquela época e os shows eram em estádios lotados. A razão principal [para o sumiço dos gêneros citados no dial] é essa, na minha opinião”. Desde então, foram nove discos de estúdio e parcerias com expoentes da nova MPB, como Lenine, Chico César e Zeca Baleiro. Mas sua verdadeira liberdade criativa veio apenas em 2004, com o fim do contrato com uma grande gravadora e a possibilidade de lançar seus trabalhos de forma independente.

Em virtude desse processo, ele passaria sete anos sem gravar, o que não impediu experiências em outras artes – casos do cinema e da televisão. “Gravei pouco [entre 2004 e 2010] por opção…passei 13 anos contratado de gravadoras multinacionais com a obrigação de lançar um novo disco a cada 18 meses. Quando me tornei independente tentei encontrar meu próprio tempo de produção, pensar melhor os projetos e desenvolvê-los com menos pressa. Agora eu mesmo gravo, faço a capa, testo o repertório devagar, vou lapidando até decidir que está pronto. Só então ofereço para uma distribuidora…é melhor assim”. O momento atual é de excursão com o disco duplo Muito Pouco, reunião de dezoito temas eletrificados e acústicos disponíveis em site oficial (www.paulinhomoska.com.br).

O natalense que for ao show terá o formato voz e violão, em que o lirismo de quem está atualmente imerso na cultura sul-americana, com música e poesia argentina, uruguaia, chilena e colombiana no centro de sua pesquisa criativa, e a interação com o público são as palavras-chave. “O projeto Petrobrás já me chegou assim, nesse formato solo…são sete shows em cinco cidades (Aracaju, Manaus, Natal, Fortaleza e Maceió). Adoro os dois formatos…com a banda o show tem cenário de telão onde passamos vídeos complementares às canções…o show solo é mais íntimo e posso falar mais…contar algumas histórias curiosas sobre como as canções surgiram [...] me sinto em casa por aqui…o nordestino é um povo lindo, forte, positivo. E isso se reflete nos shows” – para os curiosos, Moska tem escutado Kevin Johansen, Lisandro Aristimuño, Francisca Valenzuela e lido Canciones del más Acá, poesias musicadas de Mario Benedetti (autor de A Trégua).

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