Paulinho supera mau momento e recupera status e importância na seleção

Volante recebeu elogios do treinador depois do jogo contra Colômbia

Paulinho recuperou posição na equipe titular. Foto: Divulgação
Paulinho recuperou posição na equipe titular. Foto: Divulgação

Se fosse possível congelar algumas imagens da dramática vitória nos pênaltis sobre o Chile, nas oitavas, uma delas seria o momento em que Paulinho, de colete de reserva, aproximou-se do capitão Thiago Silva, que se debulhava em lágrimas, para consolá-lo. Mais do que um gesto de solidariedade, o volante mostrava-se um líder diante de um grupo despedaçado pela emoção. Desenganado por críticos e torcedores que queriam condená-lo ao ostracismo pelos três jogos em que, realmente, não fora bem — contra Croácia, México e Camarões —, Paulinho mostrou que podia ser útil a Felipão mesmo sem a camisa de titular. A atitude exibida fora de campo, em contraste à que faltou enquanto jogara, sensibilizou o técnico e o credenciou à nova oportunidade contra a Colômbia, nas quartas de final:

“Paulinho e Fernandinho, foi bonito de ver. Aquela vontade, aquela pegada, aquela troca de posições”, elogiou Felipão depois da vitória sobre a Colômbia.

Se o gesto solidário reconduziu Paulinho ao time em substituição ao suspenso Luiz Gustavo, a atuação contra os colombianos parece ter lhe devolvido o status de titular — mesmo que seja pelo infortúnio de Neymar. Aos 25 anos, Paulinho faz neste Mundial um roteiro com similaridades ao que viveu no início de carreira, ainda adolescente criado no Bairro Novo, na região de Vila Maria, em São Paulo.

Lá se vão oito anos desde que se aventurou pelas beiradas do futebol europeu. Aos 17, depois de jogar na base do Pão de Açúcar e no Juventus, da Rua Javari, buscou sem sorte o futuro no FC Vilnius, da Lituânia, e no Lodz, da Polônia. O fracasso o fez voltar ao ponto de partida em 2008. Jogou pelo Audax (ex-Pão de Açúcar) na quarta divisão paulista, e no ano seguinte chegou ao Bragantino. Foi tão bem no clube de Bragança Paulista que o Corinthians o contratou na esperança de encontrar um substituto para o ídolo Elias, que tinha propostas da Europa e viria a ser negociado para o Sporting, de Portugal.

Paulinho não revela que palavras usou ao consolar Thiago Silva, nem as que, momentos antes, ajudara a estimular os que, de certa forma como ele, escreveriam a vitória sobre o Chile nos pênaltis (4 a 3), após o empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação.

“Na final, se Deus quiser vamos chegar, conto…”, disse, sorrindo, em meio aos microfones, gravadores e blocos na sempre tumultuada zona mista no Mineirão, logo após a classificação. “Queria contribuir de alguma forma”. arrematou, com simplicidade.

Fazedor de gols

Na partida contra a Colômbia, contribuiu de forma mais explícita, em campo, para a seleção fazer seus melhores 45 minutos de jogo coletivo neste Mundial, algo bem próximo do que mostrara um ano antes, na Copa da Confederações. Paulinho armou, desarmou, foi defensivo, mas também armador.

Não lhe faltam atributos para se manter no time. Com 1,80m, é um caso raro de volante que sabe fazer gol — muitos de cabeça — e este é um trunfo ofensivo que Felipão, sem Neymar, deverá explorar contra a Alemanha. Em 161 jogos pelo Corinthians, onde construiu a fama de fazedor de gols, marcou 34; no Tottenham, da Inglaterra, foram oito em 37 partidas; e na seleção, até agora, fez cinco em 30 jogos.

Após mais de dois anos como titular da seleção, desde a estreia em 5 de setembro de 2011, num Superclássico das Américas, com a Argentina, Paulinho viu desmoronar em apenas três jogos o prestígio de intocável do time de Felipão.

Ele jogara tão mal contra Croácia, México e Camarões que deu a impressão de ter perdido o encanto, como um político que, de repente, se vê despencar às rabeiras nas pesquisas depois de liderá-las folgadamente. Com humildade, não reclamou, ao contrário reconheceu o mau momento e assumiu que poderia colaborar de alguma forma, mesmo que fosse saindo do time. E aí veio o jogo contra o Chile…

Fonte: O Globo

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