PDT, uma estratégia?

A pergunta é uma só e cabe perfeita em qualquer campo de discussão no estado democrático de direito: qual o…

A pergunta é uma só e cabe perfeita em qualquer campo de discussão no estado democrático de direito: qual o papel que o PDT do prefeito Carlos Eduardo Alves vai exercer no chapão que assumiu na eleição majoritária deste ano como detentor, por conquista do voto popular, do maior colégio eleitoral da capital e sua administração que reúne mais de 70% de aprovação coletiva? Ou será de um caudatário do acordão familiar, vaidoso de sua obediência doméstica, mesmo não sendo esta sua tradição de luta?

A resposta, convenhamos, não é fácil, mas a dificuldade foi gerada pelo próprio estilo pedetista. Desde o início, o partido foi mantido pelo seu presidente numa posição estranhamente dúbia, quando a vitória em Natal nasceu de um enfrentamento nas urnas, no qual precisou não apenas vencer a estrela do PT, como a força do PMDB comandada com dureza pelo primo, hoje candidato a governador, Henrique Alves, luta que sequer teve pruridos quando da tentativa de torná-lo inelegível nas eleições de 2012.

O mel da emoção – a reunificação da família – terminou sendo sobreposto aos interesses políticos do PDT como se bastasse ao partido ter o prefeito de Natal. Mais nada. O próprio prefeito deve lembrar o papel do PDT nacional apoiando a sua candidatura com os recursos legítimos do fundo partidário, sem os quais teria sido impossível manter o nível da sua luta. Como pode, dois anos depois, o PDT atuar sem compromisso de formar uma bancada, hoje sem vereadores, deputados estaduais e federais, sem nada?

Ora, não seria um dever do partido ter negociado com boa distância crítica do doce mel de uruçu que besuntava os argumentos da reunificação familiar, aquela que não foi levada em conta quando sua família tentou derrotá-lo com Luiz Almir – repetindo a palavra de ordem de que era o melhor para Natal – e não poupá-lo na campanha ao financiar a candidatura Hermano Morais também em nome do melhor? Ou fazia parte nada exigir, agradecer penhoradamente ter sido lembrado no acordão e ficar orgulhoso?

O levante contra o nome de João Maia ensaiado pelo prefeito de Parnamirim, Maurício Marques, mesmo sem ele desejar ser vice e abrir mão de metade do mandato no terceiro maior e mais importante colégio eleitoral do Estado, pareceu uma jogada de última hora. A voz escolhida para chegar ao mundo e aos ouvidos do candidato Henrique Alves, levando sua linha de uma trama pobre e inconfessável de deixar a vaga em aberto para, quem sabe, convencer Robinson Faria a fraturar de vez toda a oposição?

Ninguém consegue perceber, até agora, e com nitidez, qual é a estratégia do PDT e se é operada com intensão de servir à família. Se for, então não há dúvidas: nada pediu porque nada precisa além do apoio de Henrique na luta pelas verbas federais. É uma opção pessoal do prefeito. Mas está longe, muito longe, da postura ideal do dever partidário. O legado aos liderados – ou seriam apenas chefiados? – é o sacrifício, mantendo o nanismo que caracteriza os partidos feitos de capitanias hereditárias e donatários.

 

VAGAS – I

As candidaturas de Henrique Alves, João Maia e Fátima Bezerra abrem três vagas na chapa de deputado federal. E poderá ter uma quarta vaga se o apresentador Paulo Wagner desistir de tentar a sua reeleição.

UM – II

Capital que na prática pertence à coligação liderada pelo PMDB pela ausência de chance real para quem estiver fora do acordão dos poderosos. Sem contar com as cadeiras cativas ocupadas por Alves e Maia.

PDT – I

Para não dizer que sua adesão não teve um prêmio, o PDT, mesmo tendo Natal e um prefeito com mais de 70% de aprovação, pode indicar o segundo suplente de Wilma de Faria. É só para não ficar sem nada.

A… – II

Não ser que os pedetistas contem como espaço a reeleição de Agnelo Alves que independe de adesão e a promessa de ajudas a seus candidatos que disputam vagas na Assembléia Legislativa e Câmara Federal.

FOI… – III

Assim, aliás, por não ter um negociador disposto a defender o partido que o PDT ficou sem um vereador no plenário da Câmara Municipal de Natal, e alguns eleitos a partir de votações bem menos expressivas.

MARKETING

A julgar pela bolsa da sucessão o marketing do candidato Henrique Alves será comandado por Adriano de Souza e o de Wilma de Faria por Alexandre Macedo. O que consagra a especulação na ordem do dia.

INCRÍVEL

Do general Leônidas Pires Gonçalves, ontem, na Folha, diante de uma ditadura que prendeu, torturou e matou: ‘Fizemos uma coisa civilizada chamada cassação que é a mesma coisa do ostracismo na Grécia’.

RETRATO – I

O Estado começa a pagar R$ 10 milhões de reais por mês da Arena das Dunas, e assim será durante os próximos vinte anos. Temos agora a nossa ilha de prosperidade cercada de misérias por todos os lados.

ONTEM – II

A notícia dos R$ 10 milhões saiu ao lado do recorde de assassinatos em Natal, três dezenas de pacientes a espera de cirurgia do Hospital Rui Pereira e um motoqueiro no chão, horas, a espera de ser socorrido.

NATAL – I

A Prefeitura de Natal promoverá o lançamento da segunda edição do livro de João Maurício de Miranda sobre a evolução urbana de Natal reunindo o maior e mais importante acervo de imagens sobre a cidade.

VALOR – II

Impresso no Senado por iniciativa do senador Garibaldi Filho, o livro de João Maurício teve a primeira edição pela UFRN e agora ganha ampliação com novas fotos históricas na sua edição maior e definitiva.

PAULADA

Nem Roberto Carlos escapa da metralhadora certeira da jornalista Barbara Gancia na matéria de capa da revista Brasileiros, nas bancas. Tem de tudo: política, sexo, alcoolismo e até elogio a Fernando Haddad.

ATENÇÃO – I

Sai ainda em abril, selo da editora Queima-Bucha, de Mossoró, o primeiro dos três volumes de ‘Poesia Submersa’, o grande levantamento crítico de Alexandre Alves sobre a poesia do Rio Grande do Norte.

UNIVERSO – II

O livro reúne uma longa pesquisa acadêmica sobre a produção poética no Estado ao longo de um século, de Henrique Castriciano de Souza a Carmem Vasconcelos, com bibliografia fundamental de cada autor.

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