Peça debate sobre consequências da associação entre trânsito e álcool

O espetáculo já reuniu mais de vinte mil pessoas em Recife e João Pessoa

Conrado Carlos
Editor de Cultura

A peça de teatro interativa Casa do Julgamento será encenada em Natal pela primeira vez no período de 22 a 25 de janeiro (quarta-feira a sábado), no ginásio Nélio Dias, na zona Norte. Com o tema Colisão, em uma associação entre trânsito e bebidas alcoólicas, um grupo de 80 atores trará ao público natalense uma reflexão sobre um dos maiores problemas sociais do país. O espetáculo já reuniu mais de vinte mil pessoas em Recife e João Pessoa e faz parte da rede cristã norte-americana New Creation Evangelism, organização sem fins lucrativos.

Com quase 50 mil mortes no trânsito em 2013, o Brasil só fica atrás de Estados Unidos, China, Rússia e Índia no sombrio ranking mundial. A maioria por imprudência e alcoolismo. Para alertar essa mistura nefasta, Carol Gurgel, coordenadora estadual e do Nordeste da Casa do Julgamento, destaca que o problema tem origem dentro de casa, na falta de atenção com valores outrora primordiais na vida social brasileira. “A falta de estrutura familiar é o principal problema. Falta união, conversas dentro do lar. Nossa proposta é levantar essa problemática da família, que, hoje, é bem diferente da época de nossos pais”.

Os números de guerra civil (Em 31 anos, no Brasil, chega quase a um milhão de mortes) impressionam. Por isso, cerca de 300 voluntários, entre atores, figurinistas e produção, se uniram para estimular esse debate que virou uma das pautas governamentais. “Temos falado que a peça é baseada em fatos reais, com pessoas reais e consequências reais. Há uma crise de valores com consequências desastrosas. Temos, por exemplo, músicas que levam as pessoas a beber mais, às mulheres a se prostituirem. Isso está enraizado em nossa cultura”.

A iniciativa da Casa do Julgamento começou em 1983, na Flórida, nos Estados Unidos. Há dez anos chegou ao Brasil, precisamente em Recife. A peça já esteve em vários estados do Nordeste, como Paraíba, Ceará, Bahia, e também em diversos países, como Canadá, Costa Rica, El Salvador, Ucrânia, Tailândia e Guatemala.

Em todo o mundo, quase quatro milhões de pessoas já assistiram aos espetáculos que estendem os temas para violência doméstica, drogas, pedofilia e tudo o que for caracterizado como uma chaga social.

“A peça é grandiosa e as pessoas abraçam as causas. É uma produção local, em que descobrimos muitos talentos que não tinham oportunidade de mostrar isso”, diz Carol, representante de uma ideia teatral inovadora, pois ao invés de o público ficar imóvel e os atores entrarem e saírem de cena, trocar cenários, etc. é a própria plateia que se movimenta por diversos espaços (num total de oito), sempre recebida por recepcionistas, que as dividirão em grupos que variam de 12 a 25 pessoas. A cada dez ou quinze minutos um grupo começa sua viagem pelas diversas salas da montagem.

Para guiá-los ao longo do caminho e ajuda-los a entender a história que se desenrola um guia acompanha o grupo durante todo o tempo. O horário, dos dias 22 a 24 (quarta, quinta e sexta), será às 19 horas e no dia 25 (sábado), às 17 horas.  “A peça gera muita identificação, pois fala da realidade das pessoas. No final, o espectador é conduzido a julgar tanto o desdobramento do espetáculo, como sua conduta de vida”, explica Carol. Uma equipe multidisciplinar e de aconselhamento estará no local, com diversos profissionais – psicólogo, advogado, socorrista, médico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo – para orientar e dar suporte tanto ao público quanto aos artistas.

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