Peça “A Falecida”, com Lucélia Santos, terá entrada gratuita em Natal

Peça encena texto de Nelson Rodrigues em que a vida de um casal da periferia oscila entre a melancolia, a paranoia e o bom humor

Conr6

Conrado Carlos

Editor de Cultura

Na véspera de uma possível Quarta de Final contra Uruguai ou Colômbia, pois ninguém aceitará que Neymar e Cia caia diante do Chile sábado que vem, o natalense tem um encontro com Nelson Rodrigues no Teatro Riachuelo, às 20 horas. Em uma parceria firmada entre a Círculo Teatro, especializada no estudo e encenação da obra rodriguiana, e a atriz Lucélia Santos, a peça “A Falecida”, do dramaturgo que era apaixonado por futebol, será exibida em uma quinta-feira (03) dentro da Copa do Mundo. Com a cidade cheia de turistas e a relevância do texto, a ideia de mostrar o maior escritor do teatro brasileiro é oportuna.

A tragédia cômica e popular, tipicamente carioca, revela a história do casal Zulmira e Tuninho, personagens contraditórios e caricaturais, tão urgentes e vigentes até hoje – adaptado para o cinema em 1965, com Fernanda Montenegro no papel principal, o texto foi escrito em 1953, no período áureo de Nelson. O cortejo de tipos populares e simplórios, e o mistério revelado durante a peça reforçam temas tão rodrigueanos, como o amor e a morte. “Nelson Rodrigues ia fundo na mente humana com seus personagens comuns, cheios de vícios, loucuras, desejos e absurdos”, diz Roberto Lima, professor independente de artes cênicas que confessa uma profunda admiração pela obra do pernambucano radicado no Rio de Janeiro.

Além de Lucélia Santos, o elenco tem os atores Eduardo Silva, Walter Breda e integrantes da Cia Paulista de Artes. Dirigida por Marco Antônio Braz, a peça tem cenografia de J.C Serroni, figurinos de Telumi Helen e Iluminação de Wagner Freire. A vida da dona de casa do subúrbio (cenário predileto de Nelson) e do desempregado é um retrato da classe média, média baixa que ainda impera nos arrabaldes das grandes cidades. Crendices, paixão pelo futebol e o anseio por ascensão social foram o núcleo conceitual de “A Falecidade” – ainda que o humor esteja impregnado em cada cena. “Quem leu o texto sabe o quanto de realidade existe na história de Zulmira e Tininho, dois tipos muito acessíveis para quem perambula por periferias. Acreditar em versões de cartomantes e curandeiras faz parte desse cotidiano, assim como pautar a vida de acordo com o time do coração”.

Roberto se refere à loucura do homem pelo Vasco da Gama e a paranoia da mulher com uma suposta mulher loura que destruirá sua vida, segundo uma leitora de mãos alheias. O casal não tem filhos. E pelo título da peça, sabe-se que Zulmirá morrerá. Curiosamente, a cartomante não confirma essa certeza, mas nem por isso a mulher deixa de procurar uma funerária e encomendar o caixão mais caro, como sinal de um status derradeiro. O tom melancólico dos subúrbios é transmitido pelas personagens. “A encomenda do enterro mostra a noção que as pessoas daquele universo típico de subúrbio têm do que é morrer com classe. Como se fosse uma reviravolta final, para mostrar que são pessoas distintas, e não tacanhas”.

A Falecida

Texto: Nelson Rodrigues

Direção: Marco Antônio Braz

Local: Teatro Riachuelo

Data: 03 de julho (quinta-feira)

Horário: 20h

Evento gratuito, com distribuição de ingressos na bilheteria do Teatro a partir do meio-dia de amanhã (26)

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