Descaso com a violência medieval que assistimos de abadá e camarote

Gestores são omissos e inoperantes quando a questão é reduzir a criminalidade na cidade

Conrado Carlos
Editor de Cultura

Já usei a analogia do RN com uma esquina em vários textos publicados aqui n’O jornal de Hoje. Primeiro por entender que uma esquina é um lugar onde muita coisa boa e ruim pode acontecer, de acordo com a direção que você tomar. Os apressados distraídos costumam esbarrar no imprevisto. Os lentos vacilões, podem ser abordados por pilantras de toda a espécie. E a lama é o habitat predileto dos porcos, animal que no laboratório parece gente, mas que, na verdade, é um seboso que adora porcaria e comer os semelhantes.

Isso tudo para relembrar que, em 2010, ao desembarcar no Brasil, o ministro britânico da educação nos deu uma lição, ao protagonizar um imbróglio diplomático. Durante uma reunião com ministros e tal, ele se surpreendeu com o formato brasileiro de separar sua área da cultura e do esporte em pastas administrativas independentes. Na Inglaterra, os três setores são complementares, trabalhados dentro de um mesmo orçamento, por um mesmo gestor, com os mesmos objetivos. Tudo segundo uma mesma diretriz ‘progressista’, como gostam os tecnocratas do Governo Federal e alguns professores universitários cheios de remela no olho (e no caráter).

A baixa, ou nenhuma, integração entre secretarias no Rio Grande do Norte é notória. Técnicos e coordenadores passam por perrengues financeiros e estruturais para executar ações concretas por ter que enfrentar labirintos burocráticos para Minotauro nenhum botar defeito. A mendicância impera entre gabinetes, em que a prioridade é o evento dos amigos do rally ou do show de axé ‘deformista’. Sem cultura, esporte e uma boa educação viramos um bando de zumbis sedentos por sangue e smartphones – como atesta as edições diárias dos jornais potiguares. Foi-se o tempo em que praia e interior eram sinônimos de tranquilidade.

A forma criminosa com que governos municipais e estaduais tratam os três setores merece uma manifestação popular, dessas que estão na moda. Basta conferir a irrisória porcentagem de escolas públicas que possuem quadras poliesportivas e bibliotecas – Ô povo pra ter raiva de livro!. Várias constam como dotadas com esses aparelhos educacionais, sem que tenham sido realmente construídos. O negócio é caso de polícia mesmo, mas deixa quieto que eu não sou ninguém no jogo de basquete e tenho duas filhas para criar – toda essa bandalheira tem origem nos anos 1990, que fique claro.

É de fazer vergonha e causar revolta. Em Mãe Luiza, por exemplo, bairro tido como violento, uma mísera unidade educacional tem um pedaço de chão cimentado, interditado com frequência, em virtude da péssima manutenção, onde garotos batem bola a granel, sem acompanhamento de educadores físicos. Basta um passeio didático pelo morro do Imperador Rivotril, nos finais de semana, para vermos a quantidade de jovens ociosos em calçadas sujas, sob efeito ou no aguardo da primeira dose diária. Ou por qualquer conjunto ou loteamento, essa aberração que acomoda nossa parcela africana de cidadãos.

Esporte e cultura são tratados como bônus, luxo, mero entretenimento para a massa, nunca como política séria, importante na formação de seres humanos saudáveis, física e mentalmente – sem o engodo de ‘estamos fazendo acontecer para essa gente’, por favor. E o pior é que eles sabem o quanto as pastas da saúde e da segurança pública agradeceriam. Mas nada fazem. Jogar a culpa na falta de policiamento por ter uma arma na cara, enquanto come um marinado no restaurante bacana, é fechar os olhos para a realidade. O que deve ser pensado é como nossa sociedade produz tanta gente degenerada, disposta a matar ou morrer por uns trocados.

A negligência bate à porta dos abonados, com a violência e a pobreza escancarando o atraso em que vivemos e aterrorizando o veraneio de meio mundo. Em uníssono, Eles se autoproclamam religiosos, servos do Senhor, mesmo que nem por compaixão os menores sejam tratados com dignidade. Dentro de veículos incrementados, olham com desdém para os escurinhos pedintes. Foi-se o tempo em que esporte e cultura eram secundários em uma administração. Político que pensa assim merece ir para paredão cubano.

 

É muita emoção, Bial!
Ontem começou mais um Big Brother Brasil. O negócio surgiu em 2001 e virou mania nacional – tanto que gerou um irmão mais pobre, o também medonho A Fazenda. Gente sarada, bombada, pelada, tarada, tatuada, quadrada, forjada, animada, abestalhada e imbecilizada abundam em um programa que assumiu a máxima de ser A Vida Como Ela É. Talvez eles tenham razão, para terror dos nelsonrodriguianos. Hoje, nada retrata tão bem nossa juventude.

“É muita emoção, Bial!”, virou um mantra dos descolados. Raros são os seres que não sintonizam na Globo para ver uma bunda ou uma baixaria, em um país onde menos de 25% da população tem acesso a TVs por assinatura (metade em São Paulo) e quase ninguém lê. Pelos próximos três meses, a fulana traíra e o fuleiro enjoado dominarão conversas, ditarão moda, bordões e a rotina de muita cabecinha oca e iluminada californianamente que tem por aí.

Surgirão várias Barbies Wild, como a da foto aí de cima. Cada vez que termina um Big Brother, aparece uma penca de ‘DJs’ e ‘modelos’, para encher páginas de revistas e sites de celebridades. Mal sabem eles que isso vira uma armadilha das mais perigosas. Para sempre, serão ex-BBBs, o que, convenhamos, traz uma imensa carga negativa. Naquele mundo irreal, personagens são criados por editores atentos à concorrência – reality shows tem baixo custo de produção e rende que é uma beleza.

Tem a vagabunda, o gay, a boazinha, o amigo da garotada, o bad boy, a experiente, o pacífico, etc. Sempre os mesmos. “Só entende quem está aqui dentro”, dizem os mais esforçados em traduzir o programa. O pior é eles que exemplificam o que de fato nós somos: toscos, burros, um bando de homens e mulheres vazios, sentimentais e marombados. A aparência em primeiro lugar. Paredão cubano para todos eles também.

Liquid Lounge

O restaurante Liquid Lounge, na Afonso Pena, em Petrópolis, lança a “Sexta baiana” com menu degustação no almoço, que inclui entrada, prato principal, sobremesa e espumante de boas-vindas (só para as mulheres). Tudo por R$ 49. São seis opções, que incluem massa, carne e frutos do mar, assinadas pelo chef Altemar Cardoso. Além de 36 tipos de drinks. O espaço tem a proposta de unir música e a gastronomia, e ainda possui um ambiente “vip” para até oito pessoas.

Paçoca de Pilão

A gastronomia do Paçoca de Pilão continua em alta nesta alta estação com o cardápio tradicional e as parcerias que ofertam comida italiana e japonesa. Além da comida, porém, o espaço disponibiliza cultura e lazer para seus frequentadores, com destaque para a Noite Italiana, realizada amanhã (16), com a apresentação do cantor Costa. Na sexta (17) é a vez da dupla Arimatéia/Alcione, já conhecidos dos frequentadores do restaurante. No sábado,  o 10º Festival da Cachaça, no Espaço de Eventos, cobrará R$ 75,00 para oferecer uma série de experiências etílicas. Qualquer dúvida, pode ligar no 3238-2088.

Pinacoteca

A Fundação José Augusto abriu inscrições para o Edital Estação Verão 2014, para ocupar a Pinacoteca do Estado. A ideia é selecionar projetos que preencham as salas de exposição e incentivar a produção artística local. Todas as informações, como edital e formulários, estão disponíveis no site da instituição (www.cultura.rn.gov.br). A inscrição é gratuita e deverá ser entregue em formulário padronizado, disponibilizado no período de 07 a 16 de janeiro de 2014.  Cada candidato pode concorrer com até três obras.

Queen

Desde domingo passado, os ingleses soltaram o show que fizeram em 1985 no Rock in Rio em seu canal no Youtube (Live in Rio). Com quase uma hora de duração, foi um dos primeiros grandes espetáculos de uma banda internacional no país, então encantado com Cazuza. Radio Ga Ga, I Want to Break Free e Love of my Life, estão todas lá. Assim como a fúria de Freddy Mercury, um dos maiores cantores que o rock produziu.

Blog

Uma mulher que saiu de casa aos 14 anos, foi indicada ao Oscar aos 19 e se internou para tratar de um vício em cocaína aos 20. Em meio a tudo isso, namorou com Brad Pitt e Johhny Depp e montou uma banda de rock bem interessante. Essa é Juliette Lewis, a ninfeta de Scorsese em Cabo do Medo. Ontem ela anunciou que gravará um EP este ano. Lá no blog (www.conradocarlos.jornaldehoje.com.br) eu estendi um comentário e postei três vídeos com a gata em ação.

 

ergerge

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