Pesquisa e Copa

Pesquisa de opinião pública no Brasil só é boa, honesta e de credibilidade quando agrada ao lado interessado . Se…

Pesquisa de opinião pública no Brasil só é boa, honesta e de credibilidade quando agrada ao lado interessado . Se o resultado anima, a exaltação dos números na mídia transcende aos limites lógicos.

Se eu fosse contar os textos sobre pesquisa que escrevi trabalhando em campanhas eleitorais, passaria uns dias internado em sanatório. Basicamente, era uma estrutura de escrita que só mudava na hora de substituir os nomes e os percentuais. É da luta.

Há poucos dias, passaram um conveniente borrão na pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), meios de comunicação dando desdobramento apenas aos índices que apontam a reeleição da presidente Dilma Rousseff enfrentando os prováveis adversários Aécio Neves e Eduardo Campos.

Já vi eleição antecipada por pesquisa virar farofa de ovo abertas as urnas. É da luta. A CNT mostrou dados interessantes sobre o perfil do comportamento atual do brasileiro e sua visão cética, temerária e conservadora sobre temas fundamentais.

Hoje, a Copa do Mundo já não é unanimidade para mais de 50% da população. A Copa do Mundo que, na fantasia carnavalesca, é a salvação profana do país.

É preciso abrir o parêntese: Ninguém é contra Copa do Mundo. Apaixonado por futebol começa a esperar uma Copa quando termina a anterior, assim que o árbitro apita o encerramento da decisão e o capitão campeão ergue o caneco.

É uma maldade cirúrgica e de claque classificar de “contrário”, quem apenas defende outras prioridades urgentes num país onde morrer por falta de hospital ou pela violência é tratamento de engorda de estatísticas. Ninguém é contra Copa, mas como determinadas Copas são feitas.

O Brasileiro é um fanfarrão nato e certamente estará eufórico quando a Copa estiver perto. Mas hoje, de acordo com a pesquisa CNT/Instituto MDA, o clima é de arrependimento. Acessei a pesquisa, copiei pra mim li e resolvi compartilhar com os amigos de Passe Livre.

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De relance, alguns sites informaram apenas um aspecto. Quando perguntados se apoiariam a escolha do Brasil para sede do Mundial, se fosse hoje, 50, 7% dos entrevistados disseram que não e 26,7% apoiariam totalmente. Outros números chamam muito mais atenção e revelam o pensamento pátrio e silencioso.

Dos 2.000 entrevistados no país inteiro, 80,2% estão chateados com o oba-oba em torno das arenas luxuosas. Eles afirmaram que os recursos destinados para a construção dos estádios deveriam ter sido utilizados para melhorar outras áreas mais importantes. Apenas 17,6% dizem que as arenas serão importantes para desenvolver o esporte no país.

É quando a vida real bate com a frieza aparente dos algarismos. Do total de pessoas ouvidas na pesquisa, 84,4% elegeram a saúde como a área onde é preciso aplicar mais recursos públicos, vindo em seguida a educação, com 47,6% e a segurança, com 35,1%.

O pessimismo das parcas águas de fevereiro é demonstrado noutra pergunta. A pesquisa quis saber qual a avaliação popular sobre os investimentos feitos no país para a Copa do Mundo: 75,8% dos entrevistados disseram achar desnecessários os gastos enquanto 13,3% consideraram adequados.

Quando o questionamento é em relação à mobilidade urbana, a banda toca em ritmo semelhante. Para 66,6% do universo pesquisado, as obras não ficarão prontas a tempo dos jogos nas cidades-sede. Para 27,7% dos ouvidos, as obras estarão realizadas até a bola rolar no gramado.

A população também soube distinguir muito bem movimento de protesto de arruaça. Para 85, 4% dos entrevistados, haverá manifestação pública durante o evento, mas 82,9% anunciaram que não iriam participar de protesto. É o medo de sofrer com o desatino do vandalismo.

Quanto ao time de Felipão, prevaleceu o velho pachequismo que acreditou nos mascarados de 2006 e até em Felipe Melo de titular no meio-campo em 2010. Para 56,2% do público ouvido, o Brasil será hexa e perderá em casa para 34,6%.

Saindo do campo de jogo, a pesquisa entrou num assunto que gera discussões vigorosas e radicais nos canais de comunicação da internet. No twitter, é padrão UFC. A CNT/MDA fez um raio-x dos rolezinhos, os movimentos de algazarra em shoppings centers.

O principal objetivo dos rolezinhos, segundo a pesquisa, é promover desordem ou saques em lojas no ponto de vista de 74, 5%. Para 12% é, sim, uma forma legítima de protesto.

A população também defende a repressão dos rolezinhos. É o pensamento de 84,5% das pessoas ouvidas. O movimento é inofensivo para 13,6% dos entrevistados.

A pesquisa CNT/MDA está disponível no site oficial da entidade. É só procurar na internet e baixar o arquivo. Antes dos ataques histéricos e bravatas de fanáticos não tenho culpa dos números, que podem mudar, porque o coração amolece e padece diante de boas atrações de circo. Basta o farelo do pão que tudo ficará em paz.

 

Transmissão do campeonato

Feliz o empresário Manoel Ramalho, da TV União, não está, mas convicto de que o tempo desmonta ou pelo menos desnuda erros, é bem possível que ele esteja. Quando ninguém dava a mínima para o futebol local, era Manoel Ramalho com sua TV União e transmissões sacrificadas quem cumpria a palavra e transmitia a programação prometida.

Manoel por menos meia dúzia

Mandaram Manoel Ramalho passear, os olhos gordos cresceram e o Esporte Interativo, canal nacional, pode estar sendo bom para muita gente, menos para o torcedor, punido com a falta de transmissão dos jogos do Campeonato Estadual. Os jogos são ruins, mas há quem assista.

Leandro Sena

O técnico do América, Leandro Sena, começa a sentir o peso traiçoeiro da injustiça. Alguns já pedem sua demissão, que seria incoerente. Leandro Sena comete erros – manter Rai no time é um deles -, mas segurou o time na hora mais precisa dando-lhe algum padrão de jogo. É fato que o América diminuiu seu ritmo.

Erro estratégico

Desestabilizar o técnico na semana de um clássico contra o ABC seria má estratégia, para não cometer a indelicadeza de chamar de burrice.

No ABC

Roberto Fernandes demonstra certa paz. Que tem motivo; Lúcio Curió, com quem pode ter a certeza de contar no quesito qualidade. Patrick na lateral-direita parece resolver outro velho problema alvinegro.

Santos incrédulo

O Santos tem fé e ingenuidade. Acreditou que não seria driblado por um homem pai de Neymar.

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